As escolas municipais de Curitiba passarão por uma reorganização a partir de 2027, com a transferência gradual da oferta do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental para a rede estadual do Paraná. A mudança, anunciada pela Prefeitura em 29 de outubro de 2026, envolve 11 unidades que atualmente disponibilizam 969 vagas de 6º ano, distribuídas em 29 turmas.
O processo será realizado ao longo de quatro anos, em parceria com o Governo do Paraná. Segundo a administração municipal, a medida busca ampliar o atendimento na Educação Infantil, nos anos iniciais do Ensino Fundamental e na educação em tempo integral, sem interromper os estudos dos alunos já matriculados.
Escolas municipais de Curitiba oferecem 969 vagas que entram na mudança
De acordo com a Secretaria Municipal da Educação (SME), aproximadamente 15,6 mil estudantes concluem o 5º ano na rede municipal em 2026. Desse total, as 11 escolas envolvidas na reorganização oferecem atualmente 969 vagas para o 6º ano, o equivalente a 6,2% da demanda dessa etapa escolar.
Esses números representam situações diferentes. As 969 vagas correspondem à capacidade de atendimento das turmas municipais de 6º ano, enquanto os 15,6 mil estudantes representam o conjunto de alunos que concluem o 5º ano na cidade e precisam continuar os estudos.
Portanto, ainda não há um número definitivo de estudantes que precisarão mudar de unidade exclusivamente por causa da reorganização. O impacto direto estará concentrado, inicialmente, nas famílias que poderiam utilizar as vagas de 6º ano das 11 escolas municipais.
Onze unidades participam da reorganização
As escolas envolvidas estão distribuídas por diferentes bairros da capital paranaense. Entre elas estão Albert Schweitzer, Cândido Portinari – CAIC e São Miguel, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC).
A mudança também abrange Erasmo Pilotto, no Bairro Alto; Herley Mehl, no Pilarzinho; Julia Amália Di Lenna, no Barreirinha; Maria Clara Brandão Tesserolli, no Novo Mundo; Omar Sabbag, no Cajuru; e Papa João XXIII, no Portão.
Completam a relação o Centro de Ensino em Letramento Durival Britto e Silva, no Cajuru, e o Novo CAIC Guilherme Lacerda Braga Sobrinho, no Sítio Cercado.
Essas unidades deixarão gradualmente de oferecer os anos finais do Ensino Fundamental, mas continuarão atendendo outras etapas da educação municipal.
Transição começa em 2027 e será concluída gradualmente
A primeira etapa da reorganização será direcionada aos estudantes que terminarem o 5º ano em 2026 e ingressarem no 6º ano em 2027. Esses alunos deverão receber indicação de vagas em instituições da rede estadual.
Já os estudantes que estiverem matriculados no 6º, 7º ou 8º ano das escolas municipais em 2026 poderão permanecer nas mesmas unidades até concluir o 9º ano, conforme o planejamento divulgado pela Prefeitura.
A previsão é que, em 2028, a rede municipal já não ofereça turmas de 6º e 7º anos. O encerramento das demais séries ocorrerá progressivamente, acompanhando a conclusão dos estudos dos alunos que já frequentam essas escolas.
O secretário municipal da Educação, Paulo Afonso Schmidt, informou que a possibilidade de manter algumas turmas de 6º ano em 2027 ainda poderá ser avaliada para atender situações específicas.
Segundo a Prefeitura, a reorganização segue as diretrizes da Constituição Federal e da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), que estabelecem a atuação prioritária dos municípios na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental, enquanto os estados atuam prioritariamente nos anos finais e no Ensino Médio.
Famílias receberão indicação das novas escolas em novembro
A Secretaria Municipal da Educação informou que os estudantes serão encaminhados para escolas estaduais considerando a localização de suas residências. O procedimento será realizado por georreferenciamento, sistema utilizado para identificar unidades de ensino próximas aos endereços cadastrados.
A previsão é que as famílias recebam a indicação das escolas em 23 de novembro de 2026. Na mesma data, começará o período inicial de matrícula on-line para os estudantes que ingressarão no 6º ano da rede estadual em 2027.
O prazo de matrícula ficará aberto até 4 de dezembro de 2026, por meio da Área do Aluno, sistema da Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed-PR).
Transporte escolar e solicitações de transferência
A Prefeitura reconhece que algumas famílias poderão enfrentar dificuldades de deslocamento após a mudança. Nesses casos, a Secretaria Municipal da Educação afirma que avaliará alternativas individualmente, incluindo a possibilidade de utilização do transporte escolar gratuito.
As famílias que desejarem solicitar outra instituição poderão fazer o pedido entre 9 e 14 de dezembro de 2026, também pela Área do Aluno. Será necessário indicar três opções de escola e informar a preferência de turno para cada uma.
Até a divulgação oficial das unidades de destino, não há uma relação definitiva de quais colégios estaduais receberão os estudantes das 11 escolas municipais envolvidas na transição.
Prefeitura prevê mais de mil vagas de ensino integral em 2027
A administração municipal afirma que a reorganização permitirá utilizar os espaços e recursos das unidades envolvidas para ampliar outras modalidades de atendimento educacional.
Uma das principais metas anunciadas é a criação de mais de mil vagas de Educação em Tempo Integral já em 2027, nas 11 escolas que passarão pela mudança.
A Prefeitura também pretende fortalecer o atendimento aos estudantes do 1º ao 5º ano e ampliar as possibilidades de acesso à pré-escola, destinada a crianças de 4 e 5 anos.
Outra frente considerada é a ampliação de vagas nos Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs), que atendem crianças de até 3 anos. A proposta inclui ainda a instalação de salas de recursos para estudantes com necessidades educacionais específicas.
Essas ampliações fazem parte das previsões apresentadas pelo município e dependerão da execução do planejamento durante a transição.
Mudança também afeta professores da rede municipal
Além dos estudantes, a reorganização terá consequências para os profissionais que trabalham nos anos finais do Ensino Fundamental.
Segundo a Prefeitura, Curitiba conta atualmente com 258 professores de Docência II, categoria responsável pelo ensino de disciplinas específicas do 6º ao 9º ano. Desse total, 49 profissionais poderão ser afetados pela primeira etapa da mudança, em 2027.
A administração municipal informou que estuda alternativas para esses servidores, incluindo atuação em projetos educacionais ou a possibilidade de transferência para a Docência I, voltada aos anos iniciais.
Para viabilizar essa segunda opção, a Prefeitura pretende encaminhar à Câmara Municipal um projeto de lei que altere a legislação da carreira do magistério. Também está prevista complementação pedagógica para os profissionais que precisarem dessa formação.
O município afirma que a carreira de Docência II será mantida enquanto houver oferta dos anos finais na rede municipal.
Sindicato questiona decisão e cobra diálogo com a comunidade escolar
O Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Curitiba (Sismmac) se posicionou contra a retirada gradual das turmas de 6º ao 9º ano das escolas municipais.
A entidade argumenta que as unidades envolvidas possuem projetos pedagógicos consolidados e representam uma opção importante para as famílias das comunidades atendidas. Também manifesta preocupação com a situação funcional dos professores que ingressaram na rede por concurso específico para Docência II.
Entre os questionamentos estão os possíveis efeitos da reorganização sobre a carreira, a aposentadoria e as atribuições desses profissionais.
Vereadores da oposição também cobraram esclarecimentos sobre os estudos técnicos que fundamentaram a decisão, os critérios utilizados e a participação das comunidades escolares no planejamento.
A Prefeitura, por sua vez, sustenta que o processo será gradual e acompanhado de medidas para assegurar a continuidade do atendimento aos estudantes e os direitos dos profissionais.
Governo do Paraná garante vagas para os estudantes
Neste sábado, 31 de outubro, o secretário estadual da Educação, Roni Miranda, reafirmou que os alunos que ingressarem no 6º ano em 2027 terão vagas garantidas na rede estadual de Curitiba.
A garantia foi divulgada após o anúncio da reorganização e os questionamentos apresentados por famílias e profissionais da educação.
Embora o encaminhamento dos estudantes esteja previsto para começar em novembro, ainda será necessário definir os colégios de destino e avaliar os casos que exigirem atenção especial, principalmente em relação à distância entre residência e escola.
Assim, a mudança nas escolas municipais de Curitiba começará pelas 969 vagas atualmente oferecidas no 6º ano das 11 unidades, enquanto a transição completa será realizada ao longo de quatro anos. A definição das escolas estaduais e a organização das matrículas serão as próximas etapas para as famílias envolvidas.

