A Apple teria solicitado aos fornecedores um aumento de 30% nos pedidos do iPhone Duo após a forte demanda registrada no lançamento de seu primeiro smartphone dobrável, realizado em 23 de outubro de 2026. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (26) pelo jornal taiwanês Economic Daily, que aponta uma tentativa da fabricante de ampliar a oferta diante dos estoques limitados e dos longos prazos de entrega.
Segundo a publicação, a empresa pediu que parceiros industriais acelerem a fabricação dos aparelhos e ampliem o fornecimento de componentes. A medida ocorre depois que as unidades disponíveis inicialmente se esgotaram rapidamente, enquanto novas remessas são previstas apenas para o início de 2027 em determinados mercados.
O movimento indica que a procura inicial superou a disponibilidade planejada pela Apple. Entretanto, os números de produção divulgados até agora são baseados em informações da cadeia de fornecedores e em projeções de mercado, sem confirmação pública de novas metas pela fabricante.
Apple pode elevar produção do iPhone Duo para até 10 milhões de unidades em 2026
De acordo com o Economic Daily, as estimativas iniciais de fornecimento do iPhone Duo para 2026 eram de aproximadamente 6 milhões de unidades. Com a demanda acima das expectativas, a previsão teria sido revisada para uma faixa entre 8 milhões e 10 milhões de aparelhos.
O jornal também informou que as remessas poderão alcançar 33 milhões de unidades em 2027. Esse volume, porém, representa uma projeção do setor e depende da capacidade das fábricas de ampliar a produção nos próximos meses.
Outro levantamento, publicado pelo DigiTimes e repercutido pelo MacRumors em 22 de outubro, já apontava uma revisão dos pedidos da Apple. Na ocasião, fontes da indústria mencionaram um aumento de aproximadamente 44%, de 9,7 milhões para 14 milhões de unidades, considerando um período de 12 meses.
Os percentuais divulgados pelos dois veículos não são diretamente comparáveis, pois utilizam períodos e referências de produção diferentes. Ainda assim, ambos os relatos apontam para uma tentativa de ampliar o fornecimento do primeiro iPhone dobrável.
O principal desafio agora será transformar os pedidos adicionais em aparelhos disponíveis para entrega, especialmente diante das dificuldades industriais relacionadas ao novo formato.
Estoques do iPhone Duo se esgotaram rapidamente após abertura das vendas
O iPhone Duo começou a ser vendido oficialmente em 23 de outubro, uma semana depois da abertura da pré-venda. A procura pelo aparelho provocou mudanças rápidas nos prazos estimados de entrega apresentados pela loja online da Apple.
Nos Estados Unidos, as primeiras reservas começaram em 16 de outubro. Em aproximadamente 30 minutos, todas as configurações já apresentavam previsões de entrega para janeiro de 2027, conforme informações publicadas pelo MacRumors.
A Apple reconheceu a demanda elevada em uma declaração divulgada após a abertura dos pedidos. Na ocasião, a companhia classificou a procura como extraordinária e afirmou que trabalhava para entregar os aparelhos aos consumidores o mais rapidamente possível.
Segundo o Economic Daily, a próxima grande remessa estava prevista para começar em 22 de janeiro de 2027. As datas, contudo, podem variar conforme o país, a configuração escolhida e a disponibilidade dos estoques locais.
Em reportagem publicada em 23 de outubro, a Reuters informou que a estreia mundial foi marcada por forte interesse dos consumidores, mas com vendas limitadas pela escassez de aparelhos. Algumas unidades físicas receberam quantidades restritas para compradores sem reserva, enquanto outros mercados priorizaram pedidos realizados antecipadamente.
O desequilíbrio entre procura e disponibilidade também atraiu revendedores interessados em comercializar aparelhos acima dos preços oficiais. Apesar disso, a demanda observada nos primeiros dias não permite determinar, isoladamente, o volume total de vendas que o modelo alcançará.
Foxconn e fornecedores enfrentam desafios para ampliar a fabricação
A produção do iPhone Duo envolve uma cadeia de fornecedores especializada em componentes de alta precisão. Conforme o Economic Daily, a montagem final do aparelho é realizada pela Foxconn, enquanto a fabricação do processador principal fica sob responsabilidade da taiwanesa TSMC.
Outras empresas também participam do fornecimento de componentes relacionados à dobradiça, uma das partes mais complexas do dispositivo. O mecanismo precisa permitir repetidas aberturas e fechamentos sem comprometer o funcionamento da tela flexível.
As dificuldades de fabricação já haviam sido mencionadas antes do lançamento. Uma reportagem do portal chinês Jiemian News, repercutida pelo MacRumors em setembro, apontou problemas de rendimento nas linhas de montagem, além de obstáculos relacionados às telas e às dobradiças.
Na indústria eletrônica, o rendimento de fabricação corresponde à proporção de unidades produzidas que conseguem atender aos padrões de qualidade exigidos. Quando esse índice é baixo, parte dos componentes ou aparelhos precisa ser descartada, reparada ou submetida a novos processos.
De acordo com fontes do setor consultadas pelo Economic Daily, a capacidade de fabricação das dobradiças e a complexidade da montagem continuam entre os principais obstáculos para elevar a oferta do iPhone Duo.
Isso significa que o aumento das encomendas não garante uma expansão imediata das entregas. Para atender aos novos volumes, os fabricantes precisarão melhorar a eficiência industrial e manter os padrões de qualidade estabelecidos para o dispositivo.
iPhone Duo chegou ao Brasil com preço inicial de R$ 21.999
O Brasil está entre os países incluídos na primeira fase de comercialização do iPhone Duo. A Apple abriu as reservas nacionais em 16 de outubro e iniciou a disponibilidade oficial do aparelho em 23 de outubro.
No mercado brasileiro, o modelo de entrada, com 256 GB de armazenamento, custa R$ 21.999. A versão de 512 GB é anunciada por R$ 23.499, enquanto as opções de 1 TB e 2 TB chegam a R$ 26.499 e R$ 30.999, respectivamente, conforme os preços publicados pela fabricante.
Apresentado oficialmente em 9 de setembro, o dispositivo possui duas telas: uma externa de 5,4 polegadas e outra interna dobrável de 7,6 polegadas. O aparelho também utiliza o processador A20 Pro, estrutura de titânio e uma versão do iOS adaptada ao formato dobrável.
A estreia representa uma mudança importante na linha de smartphones da Apple, que até então não possuía um modelo comercial com tela dobrável. O dispositivo reúne características de celular convencional e de equipamento com tela ampliada em uma única estrutura.
Para os consumidores brasileiros, a ampliação da fabricação pode contribuir para reduzir os prazos de entrega ao longo dos próximos meses. No entanto, ainda não há um calendário oficial indicando quando os pedidos adicionais poderão resultar em maior disponibilidade no país.
Forte procura coloca Apple na disputa pelo mercado de celulares dobráveis
A chegada do iPhone Duo também amplia a concorrência em um segmento no qual fabricantes como Samsung e Huawei já comercializam aparelhos há vários anos. Embora o mercado de dobráveis represente uma parcela relativamente pequena das vendas globais de smartphones, a entrada da Apple pode aumentar sua participação na indústria.
Segundo informações divulgadas pela Reuters, a consultoria IDC estima que a Apple poderá conquistar 31% das unidades vendidas no mercado global de dobráveis em 2026, além de representar aproximadamente 44% do valor comercializado nesse segmento.
As projeções consideram a expansão da categoria após a chegada do iPhone Duo, mas dependem da capacidade de produção, da continuidade da procura e da resposta dos concorrentes.
A própria Apple enfrenta o desafio de equilibrar o interesse inicial pelo aparelho com seu preço elevado e a dificuldade de fabricação em grande escala. Diferentemente dos modelos tradicionais, o dobrável exige componentes específicos e processos de montagem mais complexos.
Por enquanto, o aumento de pedidos relatado pela imprensa taiwanesa representa uma reação à procura registrada no lançamento. A evolução dos estoques e das entregas nos próximos meses será decisiva para avaliar se a fabricante conseguirá atender à demanda e ampliar sua presença no mercado de smartphones dobráveis.

