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  Geografia Geral e do Brasil


A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL E O HORROR, 60 ANOS DEPOIS

Com o fim da II Guerra, há 60 anos, vislumbre de paz e segurança não se concretizou por causa da Guerra Fria e, ao fim desta, pela vitória dos neoconservadores aliados a Bush e a adoção pelos EUA do unilateralismo.

O século XX conheceu três grandes conflitos – entre centenas de outros menores e também mortíferos: a Primeira Guerra Mundial, de 1914 a 1918; a II Guerra Mundial, de 1939 até 1945 e, em fim, a Guerra Fria, de 1947 até 1991. Cada um destes conflitos deixou marcas de dor, sofrimento e destruição, algumas vezes com o risco de um holocausto nuclear que aniquilaria toda a humanidade. Para muitos, o fim da Guerra Fria, em 1991, com a desaparição da URSS, foi um vislumbre de paz e de maior segurança. Contudo, a nova ordem mundial iniciou-se com novas guerras, campos de extermínio e genocídios, como na Bósnia, Kossovo, Ruanda e Iraque.

Uma guerra ou várias guerras?
Muitos historiadores passaram a caracterizar o conjunto dos conflitos do século XX como uma só guerra, a chamada Longa Guerra do Estado-Nação no Século XX. Para estes, a Primeira Grande Guerra não terminou em 1918: parte de uma longa guerra do Estado-Nação, teria sido apenas uma pausa, para que os beligerantes, exaustos, pudessem se recuperar, reorganizar as forças, realinhar as alianças estratégicas, para a retomada do conflito em 1939 até 1945. Mesmo então, a vitória dos aliados em 1945 não teria encerrado a Grande Guerra do século XX, retomada em 1947, agora sob a forma da Guerra Fria, estendendo-se até 1990. Com o Tratado de Paris – reunificação das duas Alemanhas - e o colapso da URSS, encerrar-se-ia, enfim, a Grande Guerra do Século XX. Assim, a Primeira Guerra Mundial, a Segunda Guerra Mundial e a Guerra Fria poderiam ser vistas como um só conflito: a Grande Guerra do Século XX. Uma longa guerra provocada pela irrupção do Estado-Nação competitivo no cenário das relações internacionais, pontilhada de pausas eventuais – uma paz armada e precária – e retomadas cíclicas das hostilidades, como o Japão contra a China, desde 1931, ou a Itália contra a Etiópia, em 1936, além da destruição de nações indefesas, como a Áustria e a, então, Tchecoslováquia, frente à Alemanha de Hitler, em 1938. Estaríamos, então, face a fenômeno parecido com uma nova Guerra dos Trinta Anos do século XX (em alusão àquela outra Guerra dos Trinta Anos que, no século XVII (1618-1648)), também destruiu a Europa e espalhou o pânico e a dor por todo o continente e suas dependências coloniais.

Entrementes a paz sempre foi buscada, criando-se instrumentos internacionais – como a Liga das Nações, depois de 1919, ou a ONU, depois de 1945, visando eliminar as guerras nas relações internacionais. Mesmo algumas guerras foram pensadas em nome da paz, como a própria Primeira Guerra Mundial. Esta deveria então ser uma guerra para acabar com todas as guerras, culminando numa paz administrada a partir de um tribunal universal de povos, a Liga das Nações. Eram retomados, nos chamados princípios wilsonianos – derivados da proposta de paz do presidente Woodrow Wilson, dos Estados Unidos – o otimismo humanista de Kant e de sua esperança em uma Paz Perpétua. Seguiram-se conferências mundiais de Paz, em Haia, e tratados de banimento perpétuo da guerra, como no Pacto Briand/Kellog, de 1928.

Menos de dez anos depois, em 1938, com a invasão da Áustria e da Tchecoslováquia por Hitler, o mundo estaria novamente imerso em uma das etapas bélicas da Longa Guerra do Século XX, já conhecendo as agressões do Japão contra a China, em 1931, e da Itália, contra a Etiópia, em 1935.

Guerra total e horror
As guerras do século XX inovaram em relação as suas congêneres anteriores, apresentando novas características: 1) o alto poder destrutivo em decorrência da junção de novas estratégicas e meios técnicos avançados derivados da generalização da Revolução Industrial; 2) a vasta variedade de tipos de conflitos, muitas vezes no interior de uma mesma guerra, indo desde práticas de guerrilhas até o uso da arma atômica; 3) a imbricação de guerra e revolução, com muitas delas abarcando, coincidindo ou resultando em uma revolução nacional ou social; 4) o caráter contínuo e complementar de tais conflitos, criando uma linha contínua entre os primeiros conflitos do século XX até a conclusão da Guerra Fria; 5) a ampla incorporação da opinião pública nos conflitos, transformados em guerras de massa, com destruição e aniquilação de vastas regiões do planeta.

Além disso, as guerras do século XX foram acompanhadas de cruéis práticas de genocídios. Mesmo antes da Primeira Guerra Mundial, em 1904, as tropas coloniais alemães massacravam os hereros, na atual Namíbia. Já durante o conflito, em 1915, as tropas turcas massacraram impiedosamente as populações armênias do antigo Império Otomano. Na Segunda Guerra Mundial, judeus, ciganos, testemunhas de Jeová, gays, doentes mentais foram alvo do maior e mais sistemático genocídio da História: o Holocausto.

Mas o horror do Holocausto não foi suficiente para impedir sua repetição: logo após a Guerra do Vietnã, nos anos 70, o regime de Pol Pot no Camboja foi responsável pela matança de quase dois milhões de pessoas.
Mesmo depois de tanta dor e horror, já em face da condenação mundial, o genocídio voltou a assombrar a história: desde 1991 os povos da antiga Iugoslávia – sérvios, croatas e muçulmanos bósnios – se entremassacraram, enquanto em Ruanda, em 1990, milhares de pessoas indefesas foram mortas durante semanas, enquanto a comunidade mundial discutia qual seria a melhor política para a região dos Grandes Lagos da África.
Enfim, o século da Grande Guerra, de 1914 até 1991, foi, também, o sombrio século dos genocídios.

A Guerra Fria: uma continuidade da II Guerra Mundial
O fim da Guerra Fria, com o Tratado de Paris de 1990 – a plena recuperação da soberania nacional alemã, encerrando de jure a II Guerra Mundial – e o fim da URSS, em 1991 – mesmo ano da Primeira Guerra do Iraque – afastaram o risco imediato da aniquilação nuclear. Terminaria, assim, a Longa Guerra do Estado-Nação no século XX, o mais longo conflito da história, como quer Philip Bobbit. Ou, ainda, conforme Nicholas Spykman ( em livro de 1944 ), terminaria a longa guerra entre o poder naval e o poder continental, entre as potências das fímbrias da terra e as potências do coração do mundo, com a retirada dos russos para o interior da Ásia e a vitória dos anglo-americanos que avançam pela Ásia Central, ocupando territórios e dominando nações que nem mesmo o poderoso imperialismo britânico, no século XIX, sonhou conquistar.

Assim, por um lapso de tempo, entre 1991 e 2001, os ponteiros do relógio do fim dos tempos afastaram-se da Meia-Noite atômica, deixando vislumbrar um mundo novo, uma nova ordem mundial, baseada na supremacia branca, anglo-saxã e capitalista expressa no unilateralismo de Bush e dos chamados neoconservadores. De qualquer forma, com o fim da Guerra Fria terminava também o século XX, breve e violento, como o descreveu Eric Hobsbawm.
O retorno da guerra: algo de errado na nova ordem mundial
Antes mesmo de raiar o novo século e o novo milênio, contudo, um novo conflito de proporções mundiais fazia sua aparição em cena. Já em 1993, no estrondo da primeira bomba contra o World Trade Center, em Nova York, surgia a face do novo conflito, assimétrico, entre o poder ocidental – conquistador, modernizador e homogenizador – e elites militantes de sociedades tradicionais, profundamente tocadas pelo novo imperialismo ( ou poder imperial ) dos Estados Unidos.
Para muitos, estavam dadas as condições de uma nova guerra mundial, a Guerra Internacional contra o Terrorismo, largamente ancorada em um esquema explicativo culturalista, muitas vezes beirando o racismo cultural, opondo agora civilizações rivais. Para muitos, como Samuel Huntington, o conflito aí iniciado seria de um tipo novo, opondo culturas ou civilizações mundiais, criando uma das mais profundas divisões que o mundo poderia conhecer: o choque de civilizações!
Outros, como o estrategistas como Zbgniew Brzezinsky afirmam, desde 1997, a permanência essencial dos termos do mesmo conflito que atormentara o século XX: no alvorecer do século XXI, quando a principal potência naval, os Estados Unidos, avança sobre os espaços vazios da Europa Oriental e da Ásia Central, ocupando os espaços deixados vazios pelo recuo do Império Soviético, criavam-se as condições para um novo ciclo de enfrentamento entre as potências que dominam as fímbrias – agora organizadas no que Brzezinsky denomina de Arco das Crises – e os novos poderes que surgem na Ásia, tais como a nova Rússia, a China Popular e a Índia.

De qualquer forma, a esperança de que a nova ordem mundial oriunda do fim da Guerra Fria em 1991 poderia trazer uma gestão multilateral do mundo, com a pacificação dos conflitos e a gestão organizada dos grandes fluxos comerciais e financeiros, deixou de ser uma expectativa realista a partir, de um lado, da vitória dos neoconservadores de George Bush, e a assunção, por parte dos Estados Unidos, em 2001, do unilateralismo, como uma política de poder e, por outro lado, com os terríveis atentados de 11 de setembro de 2001.

Francisco Teixeira
10/05/2005
Agência Carta Maior

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ATUALIZADO EM 28//06/2016