Página inicial
Sala de leitura
Enem
Críticas e sugestões
Eventos
Links paratodos
videos
 


CLIQUE NA IMAGEM
ACIMA, E CONHEÇA ALGUNS VIDEOS DIDÁTICOS CPTEC.INPE


CLIQUE NA IMAGEM
ACIMA, E CONHEÇA JOGO – QUEBRA CABEÇA COM MAPA-MÚNDI FÍSICO


CLIQUE NA IMAGEM
ACIMA, E CONHEÇA MAPA INTERATIVO DAS EMISSÕES DE CO2 NOS DIFERENTES PAÍSES DO MUNDO E DADOS DEMOGRÁFICOS.


CLIQUE NA IMAGEM
ACIMA, E JOGUE COM O MAPA DA EUROPA


CLIQUE NA IMAGEM E LEIA AS MANCHETES DE HOJE DOS JORNAIS DE TODO O
MUNDO.


VEJA O QUANTO VOCÊ CONHECE SOBRE CONTINENTES E OCEANOS


2 JOGOS PARA O ENSINO FUNDAMENTAL


CLIQUE NA IMAGEM E CONHEÇA O MAPA-MÚNDI INTERATIVO

site www.geocienciasnomapa.com.br
CLIQUE NA IMAGEM E CONHEÇA UM SERVIÇO DE LOCALIZAÇÃO ESPACIAL DE TESES E DISSERTAÇÕES EM GEOCIÊNCIAS

  Geografia Geral e do Brasil ,


DESAVISO

Cartilha de boicote à exploração: para cortar celular, televisão a cabo de vassoura, cartão de crédito etc.

Começar com uma campanha de combate à extorsiva telefonia celular, à agiotagem do cartão de crédito, aos preços de primeiro mundo praticados pela televisão a cabo. Recusar determinantemente as “ofertas” e “prêmios” da companhia de telefonia fixa, os investimentos “milagrosos” que os bancos querem lhe enfiar goela abaixo, os “sorteios” de carros nos supermercados e seus cartões de fidelidade e “descontos”. Cancelar serviços, reduzir drasticamente o uso deles, sobretudo o desperdício de dinheiro gasto com a assinatura do jornalão diário e mentiroso, da revistona semanal feita para o senso comum e abestalhado ler (e achar que é culto e instruído por isso). Acabar com esses e outros “penduricalhos burgueses”, como diz um amigo meu, que só servem, no final das contas, para incrementar a matemática da exploração. Só servem mesmo para tirar o pouco de quem já tem pouco e transferir para o lucro estratosférico e o capital acumulado deles.

“Eles”: as concessionárias de telefonia, as empresas de comunicação, os bancos e supermercados, entre outras tantas selvagens corporações alimentadas pela baba da “economia de mercado”. Quem já não se surpreendeu com meia dúzia de ligações interurbanas que fez via celular e recebeu depois uma conta de 500 reais para pagar – uma extorsão camuflada, que traz embutidas no preço da ligação não se sabe quantas taxas diferentes uma da outra (uma quando se faz a ligação interurbana, outra quando se recebe uma ligação de fora da área da concessionária, mais o preço da ligação em si). O negócio é boicotar as concessionárias de celular ao máximo, usar o tal aparelho o mínimo possível, só mesmo para emergências – e, de preferência, pelo sistema pré-pago, para não enriquecer ainda mais as empresas pagando a elas aqueles tais “planos” fixos mensais do sistema pós-pago.

O truque da telefonia fixa é outro: ligar para a casa dos consumidores em pleno sábado e oferecer serviços e “produtos” como “detector de chamadas” e outras baboseiras. Os departamentos de televendas dessas companhias são especialistas em convencer clientes desavisados na outra ponta da linha (aposentados, idosos) a aumentar suas contas mensais em 10, 20, 30 reais pela compra de serviços extras. Deviam ser processadas (as televendas) por invasão de privacidade e uso indevido da confiança dos outros.

Outro escândalo da telefonia fixa: cobrar uma taxa de assinatura nas contas telefônicas. A taxa é ilegal. Foi implantada no país há décadas, para que a infra-estrutura dos serviços fosse instalada. Já foi, há tempos. O consumidor continuou a pagar por uma coisa que não usa. Em São Paulo, essa taxa custa 34,50 reais (Telefônica). Pouca gente soube, mas um deputado distrital de Brasília, Chico Leite (PT), conseguiu aprovar na Câmara Legislativa do Distrito Federal projeto seu determinando o fim da cobrança de assinaturas de energia, água e telefonia fixa para os consumidores de Brasília. Há um projeto idêntico à espera de votação na Câmara dos Deputados para que a assinatura básica do serviço de telefonia fixa seja abolida em todo o país.

A televisão a cabo é outro reduto do roubo: não só pratica preços de primeiro mundo, como só faz repetir programação sem nem ao menos se dar ao trabalho de avisar que repete, anunciando atrações requentadas como se fossem novas (NET São Paulo), verdadeira televisão a cabo de vassoura. Depois vêm reclamar da pirataria! Ora, o fenômeno da pirataria tem um outro lado que ninguém quer ver: é a conseqüência pura e simples do desejo e da necessidade de acesso ao que o outro pode ter e eu não posso (a televisão a cabo, o CD de música, a bolsa de marca etc.).

No Rio de Janeiro, pequenas empresas ilegais distribuíram uma rede de “gatos” de televisão a cabo pelas favelas e bairros do subúrbio a preços até seis vezes mais baixos do que aqueles cobrados pela concessionária Net na cidade, que não chega às favelas.

Todo mundo tem televisão a cabo no morro, pagando de 10 a 20 reais no lugar dos 71 cobrados pela Net. Não está bom? Não é isso que o morro pode pagar? Por que o morro deveria enriquecer ainda mais as Organizações Globo (dona da Net Serviços)?

Não se pode simplesmente encher a boca para condenar a pirataria em países pobres como o Brasil e outros sem analisar a questão de todos os ângulos. Por que não baixam o preço dos CDs antes de exigirem o fim da pirataria? Quantos brasileiros podem incluir o luxo de CDs no orçamento? Há também o caso dos livros. Não faz muito tempo, baixaram uma lei proibindo a reprodução de livros em fotocópias, o tal “xerox”. Pois eu me formei na universidade graças a livros xerocados – ou não teria me formado. Não teria dinheiro para comprar os livros caríssimos. Xerox de livro era praxe na Universidade de São Paulo entre o final dos anos 70 e começo dos 80, quando estudei ali. Agora é crime. A lei diz que é proibido xerocar livros. Em vez de baixarem antes os preços dos livros, para torná-los acessíveis, baixam secamente a lei. Como se isso fosse fazer o dinheiro chegar na mão dos autores dos livros. Talvez chegue um pouco mais na mão dos editores. Na mão dos autores, duvido. Pirataria, portanto, é também questão de necessidade. E de fetiche: o que importa é a marca, o logotipo. Tanto faz se o corte, a costura ou o acabamento da bolsa falsa não são idênticos aos de uma bolsa Louis Vuitton autêntica – importa a ilusão que a própria Louis Vuitton (e o mercado da propaganda!) fabricou e enfiou na cabeça de pobres mortais cheios de desejo e inveja. O que conta é a ilusão de luxo e poder que a grife do rico proporciona.

A idéia deste meu texto foi inspirada no guia do consumo responsável ou Guia de Responsabilidade Social para o Consumidor, do Instituto de Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), espécie de cartilha que prega o “consumo responsável”, pregando o boicote a empresas que prejudicam o meio ambiente e não respeitam direitos humanos e trabalhistas.

Foi inspirada no meu ódio de pagar todo mês contas de serviços que me parecem exorbitantes, uma roubalheira escancarada, de corporações inescrupulosas, em cujas práticas e procedimentos não é difícil farejar sacanagem da grossa. E foi inspirada, enfim, no ideal de que um dia se levante um movimento qualquer de boicote às relações econômicas predatórias, baseadas na desigualdade mais cruel; um movimento que modificasse o lugar econômico dos sem-nada, daqueles que apenas se curvam à “fatalidade” de terem nascido pobres.

Marilene Felinto
Caros Amigos – Novembro de 2004 – Edição 92

Retornar ao índice

ATUALIZADO EM 28//06/2016