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  Geografia Geral e do Brasil

O OUTRO AFEGANISTÃO

Em 2001, George Bush se lançou em uma cruzada militar contra o terror que começou pelo Afeganistão. A escolha era óbvia. Sem um governo central efetivo, o país estava naquele instante dominado pelos Talibãs – um dos piores exemplos do fanatismo islâmico. Em seu solo abrigava Osama Bin Laden e um extenso grupo de aventureiros ligados, ou no mínimo, atraídos pelo terrorismo internacional. A vitória foi fácil.

No ano seguinte, Bush colocou o Iraque na sua mira. Do ponto de vista militar, também não teve trabalho para se sair vitorioso em 2003. Em exatos 41 dias, destroçou as tropas de Saddam Hussein, decretou o fim da guerra e assumiu a ocupação do país. Separou US$ 18 bilhões do orçamento americano para ajudar a reconstrução do Iraque e, à sua população, prometeu prosperidade econômica e democracia. Ao mundo, garantiu paz e estabilidade política. Aconteceu justamente o contrário.

A vida dos iraquianos sob a ocupação piorou. A democracia não veio. A paz está distante e o mundo hoje, em especial o Oriente Médio, parece mais instável do que estava antes da invasão americana. Do dinheiro separado para reconstruir o país, não se chegou a gastar nem 5%. Comprou-se pouco tijolo com isso. A maior parte destinou-se a pagar pela segurança de pessoal de empreiteiras escolhidas a dedo pelo governo dos Estados Unidos para fazer obras de infra-estrutura no país. Não há lugar no Iraque onde exista energia durante as 24 horas de um dia. Os serviços públicos estão piores do que estavam sob a liderança de Saddam.

A economia do país, que já era decadente, virou ruína. O maior exército no Iraque de hoje é o de desempregados. A burocracia e a justiça sobrevivem apenas em regiões onde as instituições religiosas são fortes. No sul ocupado pelos xiitas, os aiatolás ainda impõem um mínimo de ordem. No resto do país, não há polícia para proteger a população do ataque de bandidos. Muito menos de terroristas. Na semana passada, atentados provocaram 42 mortes e deixaram mais de mil feridos.

Diante do que fez Bush em pouco mais de um ano, até se aceitaria se os iraquianos tivessem uma ponta de saudade dos tempos do ex-ditador. O resto do mundo tem. Num certo sentido, o presidente americano trabalhou para redimir ao menos um naco da biografia política de Saddam. Não se apagou da memória a sua ditadura e nem os genocídios que cometeu. Mas a visão predominante hoje era a de que ele estava longe de ser uma ameaça iminente à paz.

A brutalidade com que governava o Iraque, garantia a imunidade do país contra a militância islâmica. Dava também, de uma maneira perversa, um grau mínimo de unidade à sua população. Todos, dos curdos no norte aos passando pelos sunitas no centro até chegar à população xiita no sul, eram barbaramente reprimidos. Perto de outros países árabes, o Iraque era exemplo de estabilidade política. Sua economia era decadente, mas mantinha um mínimo de organização.

A ocupação americana não colocou nada próximo disso em seu lugar. Piorou a situação. O país hoje está à beira da fragmentação e a falta de ordem fez com que seu território se transformasse em algo que até então, sob Saddam, era impossível. É a mais nova base de operações de Osama Bin Laden e da Al-Qaeda. Seu território virou zona livre para qualquer tipo de grupo do terrorismo internacional.

Não há indicação mais clara de que a situação lá é preta do que a cerimônia secreta desta segunda-feira em Bagdá, na qual os americanos instalaram um governo provisório e começaram a devolver o país aos iraquianos. Por enquanto, seu poder é de mentirinha. Tem um mandato de seis meses para organizar eleições gerais em janeiro do ano que vem. Se conseguir fazer isto evitando a balcanização do Iraque, já terá alcançado tremendo feito.  As perspectivas, entretanto, não são muito alvissareiras.

Suas condições de impor a ordem e garantir a unidade são nulas. Conta com uma polícia mal treinada e um exército que está sendo preparado na Jordânia. Tem, por enquanto, apenas 9500 homens. Ainda dependerá dos 135 mil soldados americanos que permanecerão por algum tempo no país para assegurar o que resta de sensação de segurança interna.

 

Manoel F. Brito
Aol – Notícias - 29/06/2004

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ATUALIZADO EM 28//06/2016