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  Geografia Geral e do Brasil

AS MUITAS GARRAS DO MONSTRO

Conferência sobre corporações transnacionais condena "Compacto Global" e propõe boicote mundial contra a "pior múlti do planeta"

Criar uma lista das 10 corporações multinacionais mais irresponsáveis com seus trabalhadores e com o meio ambiente e, entre elas, escolher uma para ser alvo de um boicote global. Essa foi uma das propostas surgidas na conferência ''Corporações Multinacionais'' do Fórum Social Mundial.

''Poderíamos levá-los a uma bancarrota política e assim dar o exemplo, uma demonstração de força para as outras [corporações]'', afirma Kevin Danaher, da Global Exchange. Para ele o movimento antiglobalização chegou ao estágio de uma ''revolução popular global que pode pôr um fim ao domínio das corporações. Venceremos, resta saber quanto tempo vai levar''.
Ele comparou o movimento a ''uma empresa de Relações Públicas capaz de colocar todas as empresas multinacionais nas capas dos principais jornais'', mesmo que não seja pelos motivos desejados por elas.

Além de Danaher, participaram do debate Marcello Malentacchi, da Federação Internacional dos Trabalhadores das Indústrias Metalúrgicas (FITIM); Martha Ojeda, da Coalizão por Justiça nas Maquiladoras; Joshua Karliner, da ONG norte-americana CorpWatch. Mediados por Njory Njenu, da 50 Years Is Enough.

Maiores que alguns países

''As corporações não são seres humanos e não podem ter direitos como eles''. Apesar da afirmação de Danaher, alguns números comprovam que, no atual modelo, um punhado de acionistas podem ter mais ingressos financeiros que a população de um país inteiro ou mesmo vários países. Segundo o documento preparado para auxiliar no debate, das 100 maiores empresas do mundo, 99 têm origem em países industrializados. Muitas delas movimentam mais dinheiro que alguns dos maiores que alguns grandes países do mundo. A Shell, por exemplo, é financeiramente maior que a Venezuela, um dos maiores produtores de petróleo do planeta. Nova Zelândia, Hungria e Irlanda equivalem-se à General Motors.

Um tamanho inversamente proporcional ao respeito aos direitos trabalhistas. Com conhecimento de causa por ter trabalhado em algumas das famosas maquilladoras do Norte do México -- transnacionais que usam mão-de-obra barata de terceiro mundo, pagando baixíssimos salários -- Ojeda conta que as jornadas de trabalho podem superar 70 horas semanais, além de condições totalmente insalubres. Uma situação que pode chegar ao extremo de não dar nenhum tipo de equipamento de proteção para quem trabalha em lugares perigosos.

Ela afirmou que o papel de pressão cabe às pessoas. ''Eles têm o poder do dinheiro, mas nós temos o poder das ruas. Às vezes esquecemos temos que obrigá-las a mudar de postura, pois não vai ser o governo a fazê-lo''.

''Compacto Global'' da ONU não é solução

Para Malentacchi, representante da FITIM, o combate à ditadura das megacorporações passa por mobilizações sindicais que sobrepujem as fronteiras. Segundo ele é preciso uma classe operária solidária, capaz de enfrentar greves por seus companheiros de categoria em outros países.

Malentacchi ainda disse que o ''Compacto Global'', acordo proposto pela ONU colocando limites às atividades das corporações, não tem ação efetiva por ser muito evasivo. Para ele é preciso que as empresas assinem códigos de conduta, e que os donos sejam efetivamente responsabilizados por abusos.

Em janeiro de 2000, um grupo de ONGs apresentou no Fórum Econômico Mundial de Davos um contraponto à proposta da ONU chamado ''Compacto Cidadão''.

Como Ojeda, Malentacchi afirma que a pressão precisa vir da população. ''Não podemos acreditar quando eles [diretoria das corporações] disserem que já estão tomando atitudes para melhorar as condições de trabalho. Nós temos que tomar as atitudes''.

O norte-americano Karliner, que definiu as corporações como ''os atores políticos mais importantes de hoje'', concorda com a opinião de Malentacchi Para ele o Compacto Global não é mais do que ''dar uma bandeira azul da ONU para que as transnacionais se vistam'', diz Karliner, ironizando. ''Não veremos essas mudanças sozinhas, se não pressioná-los, eles usarão aquelas falsas imagens de ´verde´ e de defensores dos direitos humanos'', afirma Karliner, que aposta ainda na criação de estruturas jurídicas internacionais para frear o ímpeto das multinacionais.

Os palestrantes ainda enfrentaram uma das mais arraigadas tradições da esquerda dizendo que a nacionalização pura e simples não humaniza a transnacional. ''Defender os capitais nacionais nos recoloca no problema inicial, nós queremos desenvolver um controle público'', disse Danaher.

O representante da Global Exchange defendeu ações pouco ortodoxas no combate às transnacionais. Segundo ele, em alguns casos, ele mesmo já esteve na organização dos atos. O método é simples. Um grupo compra as ações de uma determinada empresa até poder participar das reuniões onde infiltra seus representantes. Uma vez lá dentro passam a denunciar a empresa. Um dos manifestantes, vestindo-se de modo a parecer-se com um acionista de verdade, passa a pedir que se cumpram as medidas dos manifestantes, pois ''as denúncias podem derrubar as ações da firma''.

Karliner, da Corp Watch, chegou a falar em dissolução das empresas, mas lembrou também da necessidade de se criar uma rede para que os trabalhadores fiquem protegidos. ''Temos que pensar em uma transição justa''.

 

Wilson Sobrinho
II Ciranda Internacional da Informação Independente - 15/02/2002

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ATUALIZADO EM 28//06/2016