Página inicial
Sala de leitura
Enem
Críticas e sugestões
Eventos
Links paratodos
videos
 


CLIQUE NA IMAGEM
ACIMA, E CONHEÇA ALGUNS VIDEOS DIDÁTICOS CPTEC.INPE


CLIQUE NA IMAGEM
ACIMA, E CONHEÇA JOGO – QUEBRA CABEÇA COM MAPA-MÚNDI FÍSICO


CLIQUE NA IMAGEM
ACIMA, E CONHEÇA MAPA INTERATIVO DAS EMISSÕES DE CO2 NOS DIFERENTES PAÍSES DO MUNDO E DADOS DEMOGRÁFICOS.


CLIQUE NA IMAGEM
ACIMA, E JOGUE COM O MAPA DA EUROPA


CLIQUE NA IMAGEM E LEIA AS MANCHETES DE HOJE DOS JORNAIS DE TODO O
MUNDO.


VEJA O QUANTO VOCÊ CONHECE SOBRE CONTINENTES E OCEANOS


2 JOGOS PARA O ENSINO FUNDAMENTAL


CLIQUE NA IMAGEM E CONHEÇA O MAPA-MÚNDI INTERATIVO

site www.geocienciasnomapa.com.br
CLIQUE NA IMAGEM E CONHEÇA UM SERVIÇO DE LOCALIZAÇÃO ESPACIAL DE TESES E DISSERTAÇÕES EM GEOCIÊNCIAS

  Geografia Geral e do Brasil

A MEGERA DOMADA

A superpotência americana é um monstro perigoso, generoso, arrogante e ingênuo. O monstro precisa ser domado. Definições tão cruas não eram manifestadas pelo veterano diplomata brasileiro Gelson Fonseca (hoje embaixador no Chile) nos tempos em que ele chefiava a missão do Brasil na ONU, mas ele conhecia os dilemas de uma instituição multilateral por excelência no mundo do poder unipolar.

Em uma conversa com este colunista em Nova York, o embaixador Gelson Fonseca disse que ficou surpreso com o deslumbramento de um repórter do New York Times quando, ainda antes da guerra no Iraque, ele observou o óbvio: era uma situação de «dupla contenção». Era preciso conter tanto Saddam Hussein como George Bush. Para o Conselho de Segurança da ONU, o desafio era encontrar o meio termo entre ratificar os ímpetos americanos (e assim tornar supérflua uma entidade multilateral) ou simplesmente bloquear os planos de Bush (e assim provocar a sua ação unilateral, tornando irrelevante a entidade multilateral). Como se vê, nada é simples para a ONU. Buscar o meio termo é levar chumbo no fogo cruzado. São cantilenas, à esquerda, daqueles que vêem a entidade como um instrumento dos interesses americanos ou a paranóia, à direita, de alguns que enxergam a ONU como um esboço de um governo mundial destinado a minar o poder da superpotência. E com a novela de resoluções e o papel da ONU no pós-guerra, o Iraque é o teste-chave em andamento para avaliar o desempenho da entidade no mundo da arqui-supremacia dos EUA.

Tudo é complicado na ONU porque a instituição é basicamente uma criação americana. É complicado, antes de tudo, porque ela não foi criada para o exercício cru da hegemonia dos EUA. Em livro publicado quando a ONU inicia a 58.ª Assembléia Geral (Act of Creation, The Founding of the UN, Westview Press), Stephen Schlesinger mostra como o nascimento da instituição foi uma obra genial de Franklin Roosevelt.
Em meio às ruínas da II Guerra Mundial e após o fiasco da Liga das Nações, havia pouco entusiasmo para uma nova tentativa por uma entidade diplomática mundial. Churchill e Estaline estavam cépticos. Para quê projectos utópicos? Melhor firmar tratados de Tordesilhas e tocar a geopolítica.

Mas criar a ONU era prioridade para Roosevelt e o projeto não tinha nada de utópico. O presidente americano finalmente persuadiu os comparsas da guerra contra o Eixo sobre a validade de uma nova entidade mundial. A idéia não era erguer os pilares de um governo mundial. O objetivo era um pacto de segurança para evitar uma outra guerra mundial. O clube da ONU seria aberto a todos (grandes e pequenos; ricos e pobres) mas a ordem seria mantida pelos «quatro policiais» EUA, Rússia, China e Grã-Bretanha. Logo depois, a França ganhou seu uniforme e privilégios. Tudo isto foi visualizado por Roosevelt num momento de descomunal dominação global americana, maior do que nos dias de hoje. Roosevelt sabia que a «pax americana» deveria ser multilateral, embora descartando uma utopia democrática.
Alguns ocupantes da Casa Branca são estadistas. Outros, apenas presidentes.

Caio Blinder
Diário de Notícias – Lisboa – 21/09/2003

Retornar ao índice

ATUALIZADO EM 28//06/2016