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LÍDERES E DANOS COLATERAIS

O que aconteceria se os nossos lideres estivessem, de fato, nos levando em consideração? Ao invés de ficar por aí? Se eles deixassem as pesquisas de opinião e se reinventassem para ser os líderes que nós dizemos que queremos? Que se empreendem na guerra não porque deixaram de encontrar uma resposta eficaz ao terrorismo, mas porque nós dissemos aos coletores de informações que estamos ficando impacientes?

De acordo com o New York Times , 58 por cento dos americanos apoiam os esforços de guerra, mesmo que isso signifique a morte de milhares de civis inocentes. Podemos, realmente, conviver com isso? Eu não estou falando apenas sobre moralidade, mas sobre estratégia também. Podemos sustentar os efeitos deste dano colateral?

Dano Colateral é uma jargão usado para descrever as conseqüências “não intencionais” da guerra, os civís inocentes que morrem pela chuva de bombas. Mas existem outras conseqüências não intencionais da guerra. Tantas que a CIA inventou o termo para descrever o que acontece quando decisões de tempo de guerra retornam e “assombram” as pessoas responsáveis: blowback.

Nos relatórios sobre a vida do Osama bin Laden está claro que ele é um produto das conseqüências “não intencionais” da guerra. Se você tem estômago para entender a sua perversa ideologia, apenas siga os efeitos do dano colateral.

Bin Laden recebeu treinamento e o gosto da guerra enquanto lutava contra a invasão Soviética no Afeganistão. Durante a Guerra Fria, o governo americano não considerou que seu fanatismo religioso era anti-ético para a civilização. Esta é a retórica corrente. Naquele tempo, a CIA o considerou valiosa arma para lutar contra o Comunismo. Mais do que uma ameaça para a civilização. Embora não diretamente, o financiamento, o treinamento e as armas fornecidas pela CIA, abriram os caminhos dos rebeldes islâmicos no Afeganistão. O plano todo tem uma lógica: qual será o melhor método para atacar um exército de ateus do que, silenciosamente, “envolver” seus exércitos que acreditam estar iluminados pela fúria de Deus?

Apenas agora foi divulgado que todo o dinheiro, e encorajamento, fez muito mais do que atacar os Soviéticos. Também criou um sentimento de invencibilidade entre os rebeldes: se o Jihad Islâmico venceu uma super potência, por que não venceria outra? Chame isso de dano colateral retardado da Guerra Fria.

Mas esta herança sozinha não criou Bin Laden – mais danos colaterais eram necessários para isso. Nascido na Arábia Saudita, e crítico da monarquia do seu país, o ódio de Bin Laden aumentou quando os EUA transformaram a Arábia Saudita na sua base de operações durante a Guerra do Golfo. A presença Americana tornou um símbolo do novo imperialismo para muitos muçulmanos: onde os auto-proclamados guerreiros pela liberdade fazem alianças com as monarquias autoritárias. Tudo pelo sagrado solo islâmico. Para os militares americanos, esses exércitos de novos inimigos, provavelmente, pareceram não trazer conseqüências. Era apenas um infeliz dano colateral da guerra do Golfo.

E o que segurou a fúria de bin Laden durante esses anos? Ele clama estar se vingando de mais um dano colateral: as crianças mortas durante as sanções no Iraque, a fabrica de produtos farmacêuticos bombardeada no Sudão.

Terroristas, embora poucas vezes eles adotam este nome, são salvadores de ninguém, são guerreiros pela liberdade de ninguém. Eles são, no entanto, espertos na manipulação da injustiça real para atender aos seus fins. Se confirmar que o bin Laden é responsável pelos ataques, temos que olhar para ele pelo que ele é: uma metáfora do fanatismo diabólico. Mas também, o substrato e a pervertida progênie de todas essas conseqüências “não intencionais” das guerras passadas e presentes – um Frankstein de danos colaterais.

Para os terroristas, os danos colaterais não são uma ameaça. É o combustível: cria , alimenta e sustenta os terroristas.

É algo para lembrar quando nos apressamos em deixar trilhas frescas de danos colaterais pelo mundo afora. No Afeganistão, onde um ataque indiscriminado poderá criar outro país cheio de pessoas desesperadas que necessitaram ser ajudadas para derrubar uma brutal ditadura, mas, ao invés disso, sofreram de profunda miséria. No Paquistão, onde a presença americana será para muitos um ato imperialista e de carência religiosa. Nos Territórios Ocupados, onde as forças israelenses estão aproveitando o momento para posicionar ataques que eles não tentariam há duas semanas atrás. Nos nossos próprios quintais, o gosto de vingança, de pessoas pouco informadas do fato, estão dando permissão a ataques racistas em toda parte.

Estamos preparados para mais danos colaterais, ou deveríamos começar a encarar os danos já feitos?

Muitos de nós, incluindo eu, sentimos alguma raiva e ficamos tristes pelos acontecimentos de 11 de setembro. Mas se nossos lideres estão realmente nos levando em consideração, nós temos que conduzi-los. Temos que os conduzir para longe de mais danos colaterais.

Naomi Klein
Tradução Hernani Dimantas Nova-e

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ATUALIZADO EM 28//06/2016