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À MEDIDA QUE CRESCE O WIKILEAKS, TAMBÉM CRESCE A CONCORRÊNCIA

O WikiLeaks, o site responsável pela publicação de milhões de segredos de Estado no ano passado, tem tentado escolher cuidadosamente seus parceiros na imprensa. Mas o site se transformou em um agente tão grande no jornalismo que alguns de seus segredos não estão mais sob seu controle.

A mais recente divulgação do WikiLeaks – arquivos relacionados aos detidos em Guantánamo, Cuba– ocorreu em parceria com oito organizações de notícias nos Estados Unidos e em outros países, incluindo o “Washington Post”, os jornais “McClatchy” e o “The Telegraph” de Londres. A divulgação “oficial” foi antecipada quando o WikiLeaks soube que duas outras organizações de notícias que colaboraram com o WikiLeaks no passado, mas estavam excluídas desta vez –“The New York Times” e “The Guardian”– estavam preparando suas próprias histórias sobre Guantánamo, tendo obtido a informação de forma independente.

Isso resultou em uma corrida louca para ser o primeiro a publicar online segredos que nunca teriam vazado tão rapidamente caso o WikiLeaks não estivesse de posse dos documentos. Para o jornalismo, foi uma recalibragem das relações tradicionais entre concorrentes e fontes. E para o WikiLeaks, foi uma lição sobre quão difícil é direcionar a cobertura da imprensa sem entrar em choque com ela.

Em sua primeira colaboração proemiente com os jornais, em julho, o WikiLeaks deu acesso exclusivo a um arquivo secreto de relatórios da guerra no Afeganistão ao “The Times”, “The Guardian” no Reino Unido e à revista “Der Spiegel” alemã. Agora, ao divulgar gradualmente 250 mil cabogramas diplomáticos americanos, o WikiLeaks diz contar com mais de 50 parceiros locais, a maioria deles jornais, do turco “Daily Taraf” ao “Expresso” português e “The Hindu” indiano. Alguns desses jornais descrevem o relacionamento com o WikiLeaks como um contrato.

A intenção do WikiLeaks sempre foi maximizar seu impacto, mas sua estratégia de mídia tem mudado significativamente desde que começou em 2007, com a ideia de que fossem postados documentos importantes em seu site –se vier um, virão todos– os jornalistas se mostrariam dispostos a publicar suas notícias. Desde então, ele aprendeu o valor de uma “exclusiva” para os jornalistas, criando parcerias com editores que impõem um embargo coletivo para quando o material pode ser publicado, em troca de acesso privilegiado ao material.

Em sua página no Twitter, o WikiLeaks sugeriu que não se importava por ter perdido o controle sobre seu estoque de segredos, dizendo estar satisfeito que suas ex-jornais parceiros tinham “somado seu peso para aumentar nosso impacto”.

Yochai Benkler, co-diretor do Centro Berkman para Internet e Sociedade, da Universidade de Harvard, disse considerar que a meta antissigilo do WikiLeaks foi “intensificada, e não minada, com o aumento da concorrência para cobertura dos documentos”. Os arquivos de Guantánamo, ele disse, confirmaram o que divulgações anteriores já sugeriam: que “o futuro da rede do Quarto Estado envolverá uma mistura de modelos tradicionais e online, cooperação e concorrência em uma escala global, em um relacionamento produtivo, mas difícil”.

Em um ensaio neste mês na revista britânica “New Statesman”, o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, explicou seu raciocínio. Ao descrever o WikiLeaks como “firmemente na tradição daqueles editores radicais que tentaram expor ‘todos os mistérios e segredos do governo’ ao público”, ele acrescentou que “por motivos de realpolitik, nós trabalhamos com alguns dos maiores grupos de notícias”.

Apesar da estratégia de acesso exclusivo ter vantagens óbvias para divulgação das notícias, o WikiLeaks enfrentou críticas por permitir que apenas poucas organizações de notícias tivessem acesso aos cabogramas, disse Greg Mitchell, um blogueiro do “The Nation”, que publicou “The Age of WikiLeaks”.

“Agora está estourando e outras pessoas estão tendo acesso.”

Isso se deve em parte à ruptura entre Assange e o “The Times” e “The Guardian”.

Bill Keller, editor executivo do “The Times”, disse que Assange pareceu ter se irritado com o jornal, após ter lido um perfil a seu respeito publicado na primeira página e um artigo sobre o analista de inteligência do Exército suspeito de ter vazado a informação ao WikiLeaks. O perfil ele considerou pouco lisonjeiro e o outro artigo ele considerou inadequado. Ele também se queixou junto a Keller de que o site do jornal não possuía links para o site do WikiLeaks.

“Onde está o respeito?” ele perguntou para Keller.

Keller disse na segunda-feira: “Faz muito tempo desde que tive algum contato com Julian Assange”.

Em ensaios e entrevistas, Assange se queixou de que o “The Times” trabalhou de forma estreita demais com o governo americano antes de publicar seu material e que tinha uma “atitude hostil” em relação ao WikiLeaks.

De modo semelhante, o relacionamento de Assange com o “The Guardian” começou a se desgastar “logo de cara”, disse David Leigh, o editor de investigações do jornal. No final de julho, dois dias antes do “The Guardian” publicar artigos sobre os relatórios da guerra no Afeganistão, o jornal soube que o WikiLeaks também tinha compartilhado o material com outra organização britânica, o “Channel 4”.

“Julian agiu às nossas costas porque sabia que isso nos irritaria”, disse Lee em uma entrevista nesta semana.

Em novembro, o WikiLeaks optou por compartilhar o banco de dados de cabogramas diplomáticos com “The Guardian”, mas não com “The Times”. Quando o “Times” e “The Guardian” decidiram colaborar assim mesmo, Leigh disse que Assange “invadiu a sala de nosso editor, acompanhado de um advogado, ameaçando nos processar”.

Ele não processou, mas a insatisfação era mútua. Leigh disse que ficou particularmente incomodado em dezembro, quando Assange tentou abafar a cobertura pelo jornal das acusações de ataque sexual contra ele.

Àquela altura, um jornal concorrente, “The Telegraph”, começou a negociar com o WikiLeaks. Ele queria substituir “The Guardian” como o veículo do grupo no Reino Unido.

“Nós estávamos dispostos a assegurar que o material deles se tornasse de conhecimento de todo o mundo”, disse Tony Gallagher, o editor do “Telegraph”.

“The Telegraph” participou da divulgação dos arquivos de Guantánamo, mas “The Guardian” não. Leigh chamou a atitude do WikiLeaks de “vingativa e tacanha”.

Os outros novos parceiros do WikiLeaks, incluindo “The Post” e “McClatchy”, receberam os arquivos de Guantánamo várias semanas antes do WikiLeaks suspender o embargo. Sem que os parceiros do WikiLeaks soubessem, o “Times” tinha obtido os arquivos de modo independente, de uma fonte que Keller não quis mencionar, os compartilhando com “The Guardian” e a “NPR”.

O próprio WikiLeaks demostrou um instinto de competitividade à moda antiga. Respondendo aos relatos que diziam que seus parceiros não tinham sido os primeiros a publicar, a organização escreveu: “Basta. Nosso primeiro parceiro, ‘The Telegraph’, publicou os arquivos Gitmo à 1h GMT, muito antes do ‘NYT’ ou do ‘Guardian’”.

Benkler, um crítico da prisão de Guantánamo, concluiu que mesmo o aspecto “furo do furo” da cobertura foi produtivo. O que ele representou, ele disse, foi “mais fontes fornecendo maior atenção ao que basicamente continua sendo um comportamento indefensável por parte do governo americano”.

Brian Stelter e Noam Cohen
Tradução: George El Khouri Andolfato

The new York Times, 27 de abril de 2011

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ATUALIZADO EM 28//06/2016