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  Geografia Geral e do Brasil

MODERNIZAÇÃO DO EXÉRCITO E INTENÇÃO DA CHINA

Para o regime em Pequim, a agitação no Tibete confirma sua alegação de que forças armadas altamente modernas são indispensáveis para a manutenção do poder. Ao reforçar suas forças armadas com equipamento de ponta, a China espera manter as coisas sob controle em casa e ganhar respeito no exterior


Uma chama está queimando novamente em Lhasa, a antiga capital do Tibete, com seu mundialmente famoso Palácio Potala, e verdadeira casa do Dalai Lama. É a fagulha da resistência que a acendeu na semana passada -o espírito de rebelião e a vontade tenaz de nunca se curvar às vontades da distante Pequim.

Quarenta e nove anos após o último grande levante contra a ocupação chinesa do Tibete, Lhasa foi na semana passada cenário de lojas e carros incendiados; monges normalmente pacíficos em manto laranja pisando na bandeira vermelha chinesa e manifestantes mais amargos empunhando paus. Mas, como notaram os diplomatas estrangeiros, também foram ouvidos disparos -evidência de que as autoridades não assistiriam uma revolta se desenrolar sem fazer nada a respeito.

O Tibete não é um espólio negociável para a China, e a potência global em ascensão não ficou impressionada com os 300 monges que deixaram o Mosteiro de Sera em uma marcha de protesto e tomarem as ruas.

A China ocupa e reivindica a soberania sobre a Região Autônoma do Tibete desde 1951. Apesar da contínua repressão e do reassentamento sistemático de chineses de outras regiões no Tibete, as condições estão longe de estáveis. A última grande agitação foi reprimida em 1989. Para alguns, os tumultos da semana passada lembram os daqueles dias, especialmente as nuvens de fumaça e gás lacrimogêneo espalhadas pelas ruas.

Os monges estão exigindo um Tibete independente e a libertação dos monges e monjas aprisionados. As autoridades apenas adicionaram mais lenha à fogueira com seu tratamento brutal aos críticos. Além de prender os monges e proibir os rituais religiosos, elas também lidaram de forma dura com os jovens desafiadores, que fizeram pichações nas paredes pedindo a volta do Dalai Lama.

Outra fonte de insatisfação é o sistema de "ensino patriótico" nos mosteiros, sob o qual os clérigos são forçados, entre outras coisas, a se distanciarem do Dalai Lama. Pequim caracteriza o líder religioso dos tibetanos, que fugiu para a Índia em 1959, como um "separatista e traidor". O Dalai Lama, por sua vez, deseja que a China dê aos tibetanos maior autonomia religiosa e cultural.

Antes do anoitecer em Lhasa na última sexta-feira, o Dalai Lama emitiu uma declaração apaziguadora de seu exílio na Índia, chamando os tumultos de "expressão de um novo anseio por liberdade". Naquele momento, não estava aparente se o que começou como uma pequena fogueira se transformaria em um incêndio florestal. Havia conversa sobre batalhas de rua, centenas de manifestantes e pelo menos dois mortos, mas também de milhares de agentes de segurança. Unidades do exército chinês ocuparam a cidade.

Após isolar três fontes de agitação nos mosteiros, Pequim aproveitou a oportunidade bem-vinda que se materializou para pintar os incidentes como prova de que uma política de força -tanto interna quanto externamente- é mais importante agora do que nunca. Também confirmou a insistência de seus líderes de que o país precisa de forças armadas mais poderosas para lidar com levantes dentro de suas fronteiras e crises no exterior.

No início do mês o Congresso Nacional do Povo, o pseudo-parlamento de Pequim, aprovou um substancial aumento de 17,6% no orçamento das forças armadas chinesas. Nos próximos 12 meses, o Exército de Libertação Popular (ELP) terá quase 418 bilhões de yuans, ou cerca de US$ 60 bilhões, à sua disposição para comprar novos mísseis, tanques, bombardeiros e navios de guerra, assim como para treinamento de novas unidades voltadas a reprimir futuras rebeliões.

Esta soma gigante ainda representa apenas um décimo dos gastos militares americanos, mas o aumento representa um salto à frente significativo. A amplitude do reforço militar deixa claro aos tibetanos que Pequim tem capacidade de defender seus interesses e decretos com grande poderio militar. Também alimenta a especulação no exterior sobre quando a China atingirá sua meta logística de longo prazo de alcançar os Estados Unidos militarmente. O orçamento militar de Pequim cresceu mais do que a economia chinesa ao longo da última década.

O reforço também gera preocupação entre os países vizinhos, como Japão, Vietnã e Coréia do Sul, apesar das garantias da liderança chinesa de que pretende aumentar seu poderio para fins pacíficos, e que grande parte do crescente orçamento militar é destinado a salários melhores e melhor atendimento aos seus soldados.

Em um recente relatório intitulado "Poder Militar da República Popular da China em 2008", o Pentágono concluiu que "muita incerteza cerca o futuro caminho da China, em particular na área de expansão de seu poderio militar e como este poder poderia ser usado". Mas o relatório deixa claro que a "expansão e melhoria da capacidade militar (da China) estão mudando o equilíbrio militar do Leste Asiático".

Alguns temem que a China possa estar desenvolvendo seu poderio militar em um esforço para se tornar uma nação agressora, capaz de algum dia invadir seus vizinhos -assim como a Alemanha militarista e o Japão imperial fizeram no passado. Enquanto isso, outros se perguntam se o Partido Comunista chinês está melhorando o tratamento dado aos seus soldados porque agora está buscando objetivos além de suas fronteiras nacionais.

E também é preciso questionar se o tratamento brutal, implacável, dado pelo país ao Tibete é característico das políticas de um Estado agressivo, que já apoiou o Khmer Vermelho no Camboja, atacou o Vietnã socialista e lançou uma guerra na fronteira com a Índia.

Isto é certo: a República Popular, com seus 1,3 bilhão de habitantes, fez mais do que ascender para se tornar a quarta maior economia do mundo. Ela também está em processo de se transformar em um poder militar formidável. "Nossas tropas estão marchando na direção do sol", o país proclama em sua propaganda.

Pequim segue os passos dos Estados Unidos
Militarmente, pelo menos, a China está usando os Estados Unidos como modelo. Os estrategistas de Pequim prestaram muita atenção à abordagem blitzkrieg dos americanos ao destruir o exército iraquiano em 1991. Posteriormente nos Bálcãs, Afeganistão e novamente no Iraque, as forças armadas americanas provaram ser vastamente superiores aos seus inimigos, com seus bombardeiros Stealth, mísseis de precisão e sistemas computadorizados.

O Exército Vermelho não pode se gabar de nada sequer remotamente comparável. Para compensar o déficit, Pequim embarcou em uma vigorosa campanha para revitalizar seu exército, força aérea e marinha. O tamanho das forças armadas chinesas na verdade encolheu de 4,75 milhões de soldados em 1981 para atuais 2,3 milhões, sem incluir os cerca de 660 mil membros da Polícia Militar do Povo e da substancial milícia popular.

Mas isto representa apenas um enxugamento eficiente das forças armadas -a meta sendo torná-la mais eficaz, o estabelecimento de sistemas de comunicações informatizados entre comandantes e tropas em campo, o envio de combatentes bem treinados para batalha e ser capaz de vencer rapidamente guerras regionais contra inimigos dotados de equipamento moderno.

Os generais e almirantes de Pequim sabem que demorará até que tenham condições de enfrentar os Estados Unidos, mas querem ao menos ser fortes o suficiente para não serem "intimidados". Uma das formas pelas quais esperam desenvolver seu poderio militar é com um programa de mísseis que os americanos descrevem como "o mais ativo em todo o mundo". Ele inclui mísseis de precisão de fabricação chinesa e mísseis antinavios com alcance de 1.500 quilômetros, que podem representar uma ameaça para porta-aviões inimigos.

Os estrategistas militares da China também voltaram sua atenção para o espaço. O exército, em um esforço conjunto com os institutos de pesquisa civis, planejam enviar um astronauta à Lua até 2020. No início do ano passado, um míssil interceptador chinês destruiu um satélite meteorológico retirado de serviço, uma demonstração da capacidade de Pequim de atingir alvos no espaço em órbitas próximas da Terra.

Enquanto o único propósito dos militares no passado era agir como uma "Grande Muralha de Aço" e defender a pátria, parte de sua nova missão será proteger recursos naturais e rotas de transporte além das fronteiras da China. A marinha, que atualmente conta com mais de 59 submarinos, está se aventurando no Pacífico e no Oceano Índico. Navios de guerra estão posicionados no Estreito de Malaca, uma passagem para 80% de todo o petróleo importado chinês, para proteger os petroleiros contra bloqueios e ataques.

A parceira mais importante da China costumava ser a Rússia, onde a República Popular comprava suas aeronaves, navios e mísseis -freqüentemente adquirindo licenças de produção correspondentes no processo. Mas o relacionamento esfriou recentemente.

Os russos estão repensando a sabedoria de vender tanto material militar para um adversário potencial atualmente mais forte. Os chineses, por sua vez, preferem desenvolver suas próprias armas. Vários grandes negócios que já tinham sido arranjados agora estão em suspenso porque os dois países não conseguem chegar a um acordo em relação aos preços e não há nenhuma nova encomenda significativa no horizonte.

Todavia, setores individuais das forças armadas chinesas ainda estão encomendando seu equipamento básico da Rússia. A força aérea chinesa comprou cerca de 285 caças russos Sukhoi Su-27 ou Su-30, gastando US$ 26 bilhões na Rússia apenas em 2006. Ela atualmente monta seus próprios aviões de guerra sob licença russa, assim como desenvolveu seu próprio caça, o Jian-10.

Os russos também venderam destróieres aos chineses e 12 submarinos a diesel. Os estaleiros chineses atualmente estão soldando seus próprios submarinos, dois dos quais já foram testados. Suas ogivas nucleares podem atingir alvos a distâncias de até 8 mil quilômetros, o que inclui algumas cidades americanas. Em 2012, haverá o dobro de submarinos com a bandeira vermelha da China pintada em seus cascos nos oceanos do mundo do que exibindo a bandeira americana.

Também há crescentes indícios de que a China planeja construir porta-aviões, ainda o atributo mais convincente de poderio naval. Os engenheiros na cidade portuária de Dalian, no nordeste do país, estão atualmente desmontando o "Varyag", uma relíquia do antigo império soviético adquirida a baixo custo.

Segundo um relatório da revista "Phoenix Weekly" de Hong Kong, muitos estaleiros estão disputando o contrato para construção de um grande casco para a marinha chinesa, e um relatório do Pentágono concluiu que a construção poderia começar em dois anos por ordem da liderança chinesa.

Os chineses já ousaram desafiar os Estados Unidos, ainda disparadamente o poder naval mundial dominante. Em outubro de 2006, um submarino chinês deu um susto na concorrência ao emergir repentinamente próximo ao porta-aviões "Kitty Hawk". Os americanos fracassaram em notar sua discreta aproximação.

Especialistas estão convencidos de que o que o estrategista militar de Pequim, o coronel Chen Zhou, chamou de mera "coincidência", foi na verdade um recado para a marinha americana, basicamente avisando que no futuro ela não poderá fazer o que bem entende no Pacífico. No final do ano passado, Pequim, sem apresentar motivos, impediu o Kitty Hawk de participar de uma há muito agendada visita a Hong Kong -outro gesto da nova autoconfiança chinesa.

Se os chineses conseguirem colocar em cheque o poder naval americano, isto poderia ter um papel decisivo no destino de Taiwan, a ilha no Mar do Sul da China na qual os políticos da China concentram seus discursos e seus líderes militares os seus planos de batalha. Pequim ameaçou atacar Taiwan caso esta declare independência. A China conta com cerca de 1.000 mísseis balísticos de curto alcance dispostos ao longo de sua costa e apontados diretamente para Taiwan, assim como adiciona a eles mais de 100 a cada ano. Os líderes militares chineses, que têm inclinação a parecerem plácidos no cenário internacional e que forneceram soldados para missões de força de paz da ONU, na verdade possuem "um porrete realmente grande escondido atrás de suas costas", disse o professor de ciência política e ex-vice-ministro da Defesa de Taiwan, Chong Pin-lin.

Visando poupar o máximo possível de vidas civis, os mísseis chineses visam atingir bases aéreas de Taipé e quartéis militares, para convencer os taiwaneses de que seria melhor voltarem para o continente. Chong, o especialista em defesa, estimou que esses ataques com precisão serão possíveis a partir de 2010.

Mas o governo chinês também visa usar suas baterias de mísseis para impedir os Estados Unidos e o Japão de correrem em socorro a Taiwan. Ataques próximos aos navios da frota americana visariam demonstrar "que somos capazes de destruir um porta-aviões", disse Zhao Xijin, o ex-vice-comandante do 2º Corpo de Artilharia da China.

Taiwan não é o único conflito para o qual a China está mapeando cenários de guerra. Pequim está em atrito com o Japão a respeito de campos de petróleo e gás no Mar do Leste da China, e com a Malásia, Vietnã, Taiwan e Filipinas em torno das Ilhas Spratly, um grupo de atóis e recifes desertos no Mar do Sul da China que supostamente teriam depósitos de petróleo e gás.

Segundo o primeiro-ministro Wen Jiabao, toda a agitação em torno do grande orçamento militar de seu país é exagerada. "Se você considerar que a China tem 1,3 bilhão de habitantes, um território de 9,6 milhões de quilômetros quadrados e 22 mil quilômetros de fronteiras nacionais, os gastos são apropriados e, na verdade, menores do que os de muitos outros países", ele disse.

Como presidente da Comissão Militar Central do Partido Comunista, líder do partido e presidente, Hu Jintao também é comandante-em-chefe das forças armadas da China. Sempre que visita as tropas, ele veste o uniforme tradicional verde-oliva de Mao. Então ele se senta com os soldados nos quartéis que, com suas mãos repousando obedientemente sobre seus joelhos, recitam os slogans de propaganda e são forçados a escutar as recomendações animadas de Hu.

Mas lealdade absoluta é muito mais importante para Hu do que possuir forças armadas tecnicamente de vanguarda, especialmente quando se trata de Taiwan ou, como nos últimos dias, do Tibete. Hu sabe o quanto é importante para uma futura potência mundial manter a ordem dentro de suas fronteiras e contar com o respeito do exterior.

Este é o motivo para os monges tibetanos deverem ter poucas ilusões diante da determinação dos soldados que estão enfrentando. As tropas chinesas já dispararam contra civis em 1989, tanto em Lhasa quanto na Praça Tiananmen, em Pequim.


Rüdiger Falksohn,
Siegesmund von Ilsemann e Andreas Lorenz
Der Spiegel, 20/03/2008
George El Khouri Andolfato, tradutor (site UOL)

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ATUALIZADO EM 28//06/2016