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  Geografia Geral e do Brasil

CRISE NOS EUA

O mundo ardia em chamas na quarta-feira 19. Nos Estados Unidos, o governo Bush acabava de despejar US$ 30 bilhões para socorrer um dos maiores bancos de investimento do país, o Bear Stearns. A crise financeira avançava e já era comparada à Grande Depressão de 1929. No mesmo dia, em Brasília, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi chamado para uma reunião extraordinária no Planalto. Pouco antes, ele falou à DINHEIRO. “Vou tranqüilizar o presidente e dizer a ele que nós vamos agüentar o tranco”, disse Mantega ( leia a entrevista concedida ao editor Octávio Costa ). Lula já havia abordado o problema, subestimando menos a sua intensidade do que os seus efeitos, durante uma viagem a Mato Grosso do Sul. “Em 1998, vocês se lembram, teve uma crise na Malásia e nós quase quebramos. Agora, estamos diante de uma outra que é pelo menos 30 vezes mais forte e não aconteceu nada com o Brasil”, disse ele. Lula previu que o crescimento econômico deste ano será até maior do que os 5,4% de 2007. As garantias seriam as reservas cambiais de US$ 200 bilhões.

EFEITO DO CORTE DE JUROS DUROU MENOS DE UM DIA E AS BOLSAS DESABARAM


Embora Mantega use a imagem de “porto seguro” para se referir ao Brasil e Lula venda otimismo nos seus discursos, a tranqüilidade é só aparente. O presidente teme o contágio da crise e ficou assustado quando soube que o governo americano socorreu um banco em plena noite de domingo – foi isso o que aconteceu nos Estados Unidos, quando o Federal Reserve, de Ben Bernanke, resgatou o Bear Stearns. Como as bolsas desabaram na segunda-feira 17, diante da evidência de que os balanços dos bancos ainda podem estar escondendo rombos bilionários, Bernanke voltou a agir um dia depois, quando cortou os juros de curto prazo de 3% para 2,25% ao ano – isso fez com que as taxas americanas se tornassem negativas, abaixo da inflação. O que mais espanta na crise americana é a ausência de um plano minimamente coerente. No início da semana, o presidente George W. Bush reuniu-se com Bernanke e com Henry Paulson, secretário do Tesouro. Da reunião, saíram declarações patéticas. Bush disse estar “fazendo o possível”, Paulson constatou o “declínio” da economia americana e Bernanke agia como um bombeiro em desespero. Pareciam três patetas em ação.

Na mesma semana, curiosamente, contavam-se cinco anos da invasão americana ao Iraque, numa campanha militar que já custou US$ 3 trilhões. E, embora sete em cada dez americanos atribuam os problemas econômicos aos gastos militares, Bush rechaçou qualquer possibilidade de retirada das tropas, insistindo na tese de que é preciso “derrotar o terrorismo”. Assim como o “senhor da guerra”, o antigo guru dos mercados também veio a público para colocar mais lenha no incêndio da crise. Alan Greenspan, ex-chairman do Federal Reserve, publicou um artigo no Financial Times na terça-feira 18, que foi reproduzido em escala planetária. “A atual crise financeira deverá ser julgada em retrospecto como a mais violenta desde o fim da Segunda Guerra”, escreveu ele, já na primeira linha do seu texto. Greenspan, que anda com a reputação em xeque, sendo apontado até como um dos culpados pelos problemas, estava sofismando. Isso porque os Estados Unidos não enfrentavam problemas em 1945. Ao contrário, eram credores do mundo. A crise americana mais próxima da Segunda Guerra foi aquela que se tornou conhecida como a “Grande Depressão” (1929-1933) e que teve início com a quebra do mercado acionário. Imagens em preto e branco daquela época revelam fome, angústia e desespero, com cenas dramáticas de suicídios de investidores e de desempregados. A economia global mudou muito desde então, tornou-se mais sofisticada, mas a natureza das bolhas financeiras ainda é a mesma: excesso de crédito, sem controle de riscos. “Neste ponto, há sim um paralelo entre o mundo de hoje e o de 1929”, avalia Mantega. A diferença, segundo o ministro, é que hoje as autoridades estariam mais preparadas para enfrentar um crash. E o próprio Bernanke, que escreveu um livro chamado Ensaios sobre a Grande Depressão, seria um conhecedor do tema.

Bernanke, que passou rapidamente da teoria à prática, argumenta que o crash de 1929 só ocorreu porque as autoridades monetárias não agiram. Em vez de reduzir os juros, como ele próprio tem feito, permitiram que os problemas do sistema financeiro contaminassem setores saudáveis da economia americana. Dele, pode-se dizer tudo, menos que esteja adotando uma postura passiva diante da crise.

Bernanke age, mesmo que de forma atabalhoada. Em menos de dois meses, já liderou uma injeção de liquidez no sistema financeiro americano estimada em US$ 480 bilhões. Ainda assim, muitos dizem que isso talvez não seja o bastante. “A capacidade das autoridades de lidar com uma crise dessa magnitude é limitada e as pessoas deveriam se preparar para o pior: uma crise financeira global e sistêmica”, avalia Nouriel Roubini, da New York University, que foi o primeiro economista a prever a crise do subprime e a traçar paralelos com o crash de 1929. O financista Paulo Guedes, criador do Pactual, concorda com Roubini. “Se Bernanke tivesse compreendido bem a natureza da Grande Depressão, não teria aceitado o cargo”, diz ele. Os cortes de juros que vêm sendo feitos nos Estados Unidos, diz ele, apenas dão alívio passageiro a um doente com a saúde cada vez mais debilitada.

De fato, os períodos de euforia no mercado financeiro têm sido cada vez mais curtos. Na terçafeira 18, quando o Fed reduziu os juros, as bolsas subiram muito. Um dia depois, devolveram todo o ganho da véspera – e um pouco mais. A Bovespa fechou em queda de 5% na quarta-feira e o índice Dow Jones, de Nova York, também desabou. “A mágica não funciona mais”, diz Guedes. E o governo americano, que hoje funciona como um comitê permanente de crise, tentou mais uma cartada na quarta-feira. Liberou US$ 200 bilhões às companhias hipotecárias oficiais, para tentar estabilizar os preços dos imóveis. Só assim seria possível estancar o que os economistas chamam de “espiral descendente”. Quanto menor o valor das residências, maiores os prejuízos dos bancos e também a recessão, num círculo vicioso.
A cadeia de transmissão dessa crise ajuda a entender como o Brasil pode vir a ser atingido. No primeiro momento, a desvalorização dos imóveis arrasou os bancos americanos. Em seguida, com a decisão do Fed de reduzir os juros, o dólar começou a derreter nos mercados mundiais – e como a moeda americana é referência para o petróleo, o barril disparou e estava cotado a US$ 110 na semana passada.
Com uma moeda fraca, uma política monetária frouxa e uma conta de energia cada vez mais pesada, o grande risco que paira sobre os Estados Unidos é a volta da inflação. Isso vale não só para a economia americana, como também para os mercados emergentes. A alta de preços na China nos últimos 12 meses bateu em 9,5% e as autoridades de Pequim falam em conter a economia. No Brasil, Henrique Meirelles, do Banco Central, também apontou riscos inflacionários ao manter a taxa de juros em 11,25% ao ano. E amigos que estiveram com ele nos últimos dias relatam que jamais o viram tão tenso.

Se, além da crise americana, houver uma freada na China, a conseqüência direta será a queda nos preços de commodities exportadas pelo Brasil, como minérios e produtos agrícolas, que vêm garantindo o superávit comercial e deveriam gerar uma receita de US$ 100 bilhões para o País neste ano. Sinais de que os preços não se sustentarão nos níveis atuais têm sido cada vez mais evidentes – essa foi, inclusive, a razão alegada para o desastre das bolsas na quarta-feira 19. E, ainda que o Brasil disponha de uma montanha de reservas cambiais para queimar, será impossível evitar algum grau de contágio, caso a crise continue avançando. Guido Mantega terá, então, a oportunidade de enfrentar seu primeiro grande teste de fogo à frente do Ministério da Fazenda.

Leonardo Attuch
Istoé dinheiro, 26/3/2008

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ATUALIZADO EM 28//06/2016