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  Geografia Geral e do Brasil

MOVIMENTOS SEPARATISTAS BUSCAM INSPIRAÇÃO EM KOSOVO

Kosovo está se transformando em uma enorme fonte de conflito, tanto nos Bálcãs quanto pela Europa. Seis países membros da UE são contrários ao reconhecimento da independência de Kosovo, pois temem que poderia levar a problemas com suas próprias minorias étnicas


Provavelmente foi o dia mais importante do mandato do primeiro-ministro de Kosovo, Hashim Thaci. Após emitir a declaração de independência do novo país no domingo, Thaci anunciou na capital, Pristina, que seu país agora é um membro oficial da "família européia".

Mas na empolgação do momento histórico, provavelmente não ocorreu a ele que se trata de uma família um tanto mal humorada e dividida. Apenas poucas horas depois, a falta de unanimidade na Europa no reconhecimento de Kosovo revelou como a Europa ainda é uma entidade heterogênea.

Isso também colocou em dúvida se uma Europa dividida algum dia será capaz de conduzir uma política externa comum eficaz. A Sérvia retirou seus embaixadores da Alemanha e da Áustria na quarta-feira, após Berlim e Viena terem reconhecido Kosovo como país independente. Então, na quinta-feira, manifestantes sérvios causaram tumulto em Belgrado, incendiando a embaixada americana.
Enquanto Dinamarca, França e Reino Unido adotaram posição semelhante em relação à independência de Kosovo, os países da União Européia (UE) que enfrentam conflitos próprios com minorias se opuseram a secessão de Kosovo da Sérvia. Eles temem que seus grupos separatistas possam optar por copiar os desdobramentos nos Bálcãs.

Mas quais são estes conflitos e por que a solução deles têm se mostrado tão difícil? A Spiegel traçou um perfil de seis países que se recusam a seguir a linha da UE.

Espanha: os bascos e os catalães
O governo central espanhol em Madri teme que os separatistas bascos possam ver a declaração de independência de Kosovo como um precedente e um novo estímulo para sua causa. Portanto, não causa surpresa a Espanha ter sido um dos primeiros países da UE a anunciar que não reconheceria a independência da pequena província sérvia.

No início de 2008, a organização terrorista basca ETA anunciou que planejaria suas futuras ações de acordo com a situação em Kosovo. A meta do ETA é libertar a região do País Basco do que chama de "ocupação" espanhola e estabelecer um país basco socialista. Ele surgiu em 1959 como um grupo militar de resistência contra o ditador espanhol Francisco Franco, que proibiu o uso da língua basca e fez tudo o que estava a seu poder para reprimir a minoria basca. Atualmente há 3 milhões de bascos, 2,5 milhões deles vivendo na região basca do norte da Espanha e o restante na ponta sudoeste da França. Mas o conflito transcorre principalmente em solo espanhol.

Em 1979, após o fim da ditadura de Franco, os bascos receberam uma autonomia substancial. Mas isso não bastou para o ETA, que continua lutando por independência plena usando atentados a bomba e campanhas de intimidação como suas ferramentas preferidas. A luta do grupo já custou mais de 800 vidas.

Outra minoria na Espanha, os catalães, também querem mais do que a autonomia que receberam em 1978. Cerca de 7,2 milhões de pessoas vivem na região catalã no nordeste da Espanha, que conta com a economia mais forte do país. A Catalunha conta com status autônomo desde o século 18. Não faz muito tempo que Josep-Lluís Carod-Rovira, chefe do partido Esquerda Republicana e o vice do presidente regional Jose Montilla, exigiu um referendo para a independência em 2014.

Mas a diferença entre o País Basco e a Catalunha, de um lado, e Kosovo, do outro, é que estas regiões, apesar de seus esforços contínuos para conquistar a independência, já desfrutam de direitos substanciais de autonomia.

Em Madri, a decisão do governo de não reconhecer Kosovo também poderá afetar a política doméstica -eleições gerais ocorrerão na Espanha em 9 de março.

Chipre: os cipriotas turcos
Enquanto Kosovo comemorava a independência no domingo, o mesmo dia trazia nova esperança de reunificação para Chipre. Na parte sul grega da ilha, o presidente Tassos Papadopoulos, cuja política isolacionista comprometeu seriamente as relações com os cipriotas turcos no norte e com a UE, não conseguiu passar para o segundo turno das eleições. Os candidatos ainda na disputa indicaram disposição de retomar as negociações com os cipriotas turcos, aumentando as esperanças de uma reunificação.

Os dois grupos étnicos da ilha ensolarada estão separados desde 1974. Em 1983, a parte norte da ilha, predominantemente turca, se declarou um Estado independente, a chamada República Turca do Norte de Chipre. Mas a Turquia é o único país que a reconhece.

A parte sul cipriota grega, onde vivem três quartos dos cerca de 1 milhão de habitantes da ilha, é conhecida como República de Chipre e é membro da UE desde 2004. Atravessar a fronteira ficou mais fácil desde então, mas ainda não há contatos diretos entre os grupos étnicos. Uma cerca de arame farpado marca a fronteira entre o norte e sul de Chipre. Tropas da ONU monitoram a fronteira.

Em 2004, uma tentativa do então secretário-geral da ONU, Kofi Annan, de conseguir a reunificação por meio de um referendo, fracassou quando a maioria dos cipriotas gregos votou contra. A Turquia tem interesse especial em um Chipre unificado, porque representaria um marco na estrada para seu próprio ingresso na UE.

Um segundo turno no próximo domingo decidirá quem será o próximo presidente: Dimitris Christofias, o presidente de 61 anos do partido comunista Akel, ou o conservador Ioannis Kasoulidis, 59 anos. Apesar de Christofias ser um dos poucos políticos gregos respeitados no norte, os eleitores consideram Kasoulidis, um membro do Parlamento Europeu, como sendo mais capaz de melhorar o relacionamento complicado do país com a UE. Mas independente de quem vença a eleição, reunir as partes conflitantes permanecerá tremendamente difícil. Os cipriotas turcos, que votaram pela reunificação em 2004, estão decepcionados, porque sentem que nunca foram recompensados pela sua disposição em ceder na época.

Esta desafio poderia reforçar uma tendência de imitar Kosovo e buscar o reconhecimento público da independência do norte. A mudança no governo poderá vir no momento certo, podendo ajudar a impedir isto.

Romênia: os magiares em Székely
"A independência de Kosovo é um precedente que todos os países da UE com minorias étnicas deveriam buscar", disse Béla Markó, o presidente da União Democrática dos Húngaros na Romênia (UDMR).

Suas palavras apenas confirmaram os temores do governo romeno de que a minoria húngara de seu país poderia ver os desdobramentos em Kosovo como um modelo para seus próprios esforços pela independência. Em uma sessão especial, o Parlamento romeno votou por 357 votos contra 27 pelo não reconhecimento da independência de Kosovo. O presidente da Romênia, Traian Basescu, até mesmo caracterizou a declaração de independência de Kosovo como sendo ilegal.

A Romênia, um país de 22 milhões, possui minorias de 1,4 milhão de húngaros, ou magiares, e centenas de milhares de ciganos. A minoria húngara é grande o bastante para assegurar que ultrapasse regularmente a barreira de 5% necessária para garantir cadeiras nas eleições parlamentares. Nas primeiras eleições desde que a Romênia ingressou na UE, em janeiro de 2007, a UDMR conquistou 6,2% dos votos, assegurando cadeiras no Parlamento Europeu.

A UDMR exigiu a remoção do termo "país unificado" da Constituição romena, faz campanhas para melhores escolas para os cidadãos de etnia húngara e exige que o governo devolva os tesouros religiosos húngaros que foram confiscados em 1918.

Um braço mais radical da UDMR, a União dos Cidadãos Húngaros, formada em 2004, está pressionando por relações mais estreitas com a Hungria e por uma autonomia de Székely, uma região no leste da Transilvânia e que é lar de cerca de 700 mil húngaros. O território é o coração cultural dos magiares da Romênia; em algumas cidades, mais de 90% dos moradores falam húngaro. Székely já foi uma região autônoma, entre 1952 e 1968, e partes da Transilvânia pertenceram à Hungria até 1920.

Mas mesmo se a minoria húngara intensificar a pressão pela separação, o fato de 90% do Parlamento romeno ter votado pelo não reconhecimento de Kosovo sugere fortemente que ele também se opõe a um território autônomo na Transilvânia.

Bulgária: os pomaks muçulmanos
Antes mesmo de Kosovo declarar a independência, o presidente búlgaro Georgy Parvanov deixou uma coisa clara: sem uma posição unificada dentro da UE, seu país não reconheceria a independência de Kosovo. Apenas se pudesse ser garantida a proteção dos direitos humanos no novo país dos Bálcãs e a implantação do plano de Ahtisaari, a Bulgária consideraria estabelecer relações diplomáticas com Kosovo, disse Parvanov.

A hesitação de Parvanov tem muito a ver com a situação em seu próprio país. Ao se separar da Sérvia, Kosovo e sua maioria de etnia albanesa poderia encorajar a minoria turca da Bulgária a fazer o mesmo. Cerca de 700 mil turcos vivem na Bulgária e até mesmo são maioria em muitas cidades e regiões no norte do país.

No sul da Bulgária, há cerca de 200 mil pomaks muçulmanos de origem eslava, que são representados no Parlamento búlgaro pelo partido Movimento pelos Direitos e Liberdades -mas mesmo assim não são reconhecidos como minoria étnica na Constituição búlgara. Após muitos anos de opressão e deslocamento -mais recentemente sob o governo comunista- muitos imigraram para a Turquia, enquanto aqueles que ficaram para trás freqüentemente vivem em pobreza abjeta.

Mesmo antes da Bulgária ingressar na UE, havia esforços para conceder mais direitos para a minoria. Um grupo há muito pede pela introdução do turco como segunda língua oficial e pela criação de universidade nacional turca.

Estas exigências poderiam se transformar em violência? O ministro das Relações Exteriores da Bulgária, Ivailo Kalfin, alertou contra a ameaça de um ascensão de grupos separatistas, apesar de se referir a toda a região dos Bálcãs. A independência de Kosovo, ele disse, desestabilizaria a situação na região e poderia provocar uma volta da violência. É claro, essa violência também poderia afetar a Bulgária, na condição de país vizinho.

Mas outros motivos também poderiam estar por trás da hesitação do governo búlgaro em Kosovo. Como a Rússia já deixou claro que não reconhecerá a independência de Kosovo, o presidente búlgaro estava ansioso em evitar receber um tapa na cara da "mão pesada do Kremlin", como colocou o jornal búlgaro "Dnevnik".

Grécia: os turcos da Trácia Ocidental
Dora Bakoyannis, a ministra das Relações Exteriores grega, também alertou que Kosovo poderia se tornar um "precedente" para a Europa, e que sua declaração de independência poderia enviar um sinal para as minorias étnicas em muitos países europeus. Se a UE reconhecer a secessão de um grupo étnico, argumentou Bakoyannis, talvez tenha que fazê-lo repetidas vezes no futuro.

Até a Primeira Guerra nos Bálcãs de 1912-1913, a região da Trácia Ocidental, no nordeste da Grécia, fazia parte do Império Otomano, mas grande parte dela estava sob controle búlgaro. Após os esforços fracassados para formação de um Governo Provisório da Trácia Ocidental, a região foi para a Bulgária em 1913 -mas não por muito tempo. Após a Primeira Guerra Mundial, o equilíbrio de poder mudou de novo e a Trácia Ocidental foi transferida aos poderes da Tríplice Entente do Reino Unido, França e Rússia. Segundo o Tratado de Sèvres, a região foi finalmente cedida à Grécia em 1920.

Mas o que aconteceu aos muitos habitantes de língua turca da Trácia Ocidental? Eles receberam direitos especiais de minoria sob o Tratado de Lausanne, assinado três anos depois. Como resultado, as aulas nas escolas da Trácia ainda eram ministradas em turco e os moradores do enclave contavam com proteção especial. Apesar desses direitos especiais, há tensões na região, e os trácios turcos se tornaram um popular peão diplomático nas negociações com Istambul.

Mesmo que a secessão de Kosovo dificilmente cause tensões em seu país, os gregos vêem os Bálcãs com preocupação. Como vizinhos diretos, eles também seriam afetados por um novo conflito.

Eslováquia: a minoria húngara
Por anos, os populistas eslovacos investiram contra os eslovacos de língua húngara em seu país. O principal deles é Ján Slota, o líder do Partido Nacional Eslovaco (SNS), que, com seus comentários racistas sobre a minoria húngara, conseguiu se tornar um dos políticos mais populares do país. Slota gosta de fazer declarações polarizadoras como: "Os húngaros são um câncer no corpo da nação eslovaca".

Os húngaros étnicos representam cerca de 10% da população eslovaca, vivendo predominantemente no sul do país. A fronteira não oficial entre os eslovacos e os húngaros, que ainda existe até certo ponto atualmente, foi empurrada para o norte nos séculos 16 e 17, quando os turcos ocuparam o que atualmente é a Hungria. Na época, muitos húngaros se mudaram para as cidades de Bratislava, Trnava, Kosice e Krupina.

O Partido da Coalizão Húngara representa politicamente os cidadãos de etnia húngara. Até a mudança do governo em 2006, o partido contava com representação no governo. Novas tensões surgiram desde que perdeu poder.

No todo, os grupos étnicos na Eslováquia, incluindo muitos ciganos, vivem em relativa paz uns com os outros. Todavia, periodicamente surgem disputas. A educação é um dos pontos de desentendimento. Com seu plano de imprimir apenas os nomes eslovacos das cidades nos livros escolares, o governo de coalizão, composto pelo partido social-democrata Smer, do nacionalista SNS e do populista Movimento por uma Eslováquia Democrática, sofreu fortes críticas dos húngaros.

Agora a Eslováquia teme que sua minoria húngara possa se rebelar novamente. Kosovo poderia renovar os esforços para assegurar a independência da população húngara da Eslováquia -ou mesmo encorajá-la a buscar uma união com a Hungria ao sul.

Der Spiegel
23 de fevereiro de 2008
Stephan Orth, Nadine Michel e Maike Jansen
Tradução: George El Khouri Andolfato

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ATUALIZADO EM 28//06/2016