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RUBIS MANCHADOS DE SANGUE PATROCINAM REGIME BIRMANÊS

A maior parte dos rubis lapidados do mundo origina-se de Mianmar, onde a junta militar recebe milhões com sua prospecção. Joalheiros na Europa e na Ásia arrecadam belos lucros das gemas e acreditam que estão ajudando os rebeldes -quando as pedras chegam pelos atravessadores

Todo mundo estava com vontade de festejar, há uma semana, no restaurante e estalagem de montanha Kristall, em Idar-Oberstein, uma pequena cidade pitoresca conhecida como "cidade das gemas" na Alemanha. Depois de um show de laser elaborado, os participantes da convenção comercial Intergem dançaram até tarde da noite. Às duas da manhã, as pessoas da indústria ainda estavam celebrando "os contratos extremamente bons", de acordo com um participante.

Compradores dos principais joalheiros da Europa vieram a Idar-Oberstein para adquirir pedras preciosas, gemas e diamantes -e eles tiveram sucesso novamente neste ano, com raras mercadorias do sudeste asiático. Vindos de Mianmar, grandes rubis, de um vermelho profundo, são vendidos por dezenas de milhares de euros por quilate e são as pedras mais exclusivas que um comerciante pode oferecer.

"Vendemos vários rubis birmaneses na convenção", confirma Konrad Henn da empresa fornecedora de gemas Karl Faller. Ele diz que os rubis que sua empresa compra e vende vêm quase exclusivamente de regiões do Mogok e Mong Hsu. Mas Henn nunca se aventurou a visitar as minas. "O risco seria grande demais, e os preços que obteríamos diretamente na locação não seriam melhores do que os que pagamos aos nossos antigos fornecedores tailandeses", diz ele.

De fato, os fornecedores de gemas talvez perdessem seu apetite por rubis se visitassem as áreas restritas de Mianmar. Além de reprimir brutalmente os levantes dos monges e da oposição, o regime militar birmanês força os trabalhadores a extraírem as pedras preciosas sob condições brutais em suas minas altamente policiadas.

Quase 90% do fornecimento global de rubis vem de Mianmar. De acordo com testemunhas, os diretores das minas misturam anfetaminas na água dos trabalhadores para melhorar a produtividade. Algumas vezes, crianças também trabalham nas minas lamacentas. "Além de madeira, gás e óleo, as gemas são a quarta fonte de renda da junta", diz Ulrich Delius da Sociedade de Povos Ameaçados alemã.

Não há números exatos para o comércio de gemas pela junta. Estimativas da receita gerada pelo comércio vão de centenas de milhares de dólares por ano. No leilão estatal de Yangun, onde apenas pedras qualidade mediana são vendidas, o regime arrecadou cerca de US$ 300 milhões (R$ 600 milhões) até agora em 2007.

Chineses, tailandeses e indianos são os principais clientes dos generais birmaneses. Esses grandes compradores também controlam o comércio com a Europa e os EUA. Eles não fazem perguntas desagradáveis.

E seus clientes alemães não estão dispostos a virar esse barco. De acordo com as estatísticas da receita federal, que refletem apenas parte do que é comercializado, anualmente são importados direto de Mianmar para a Alemanha rubis e safiras no valor de até 1 milhão de euros (cerca de R$ 2,9 milhões). A estatal Myanmar Gem Enterpirse também exporta toneladas de jade por ano, e um grande número de estátuas de Buda nas salas de estar alemães originam-se da área controlada pelo regime militar birmanês.

"Gemas de fogo" de um mundo de conto de fadas
Quanto ao comércio indireto, um grande número de pedras birmanesas são contrabandeadas por atravessadores via Bangcoc para os cofres da Alemanha -e quase ninguém envolvido parece ter problemas de consciência. Em contraste com os diamantes de sangue não registrados, de regiões africanas afligidas pela guerra civil, que foram internacionalmente proibidos de venda sob o Esquema de Certificação do Processo Kimberly, as gemas de Mianmar são altamente apresentáveis e respeitáveis, mesmo entre os melhores joalheiros alemães. A famosa joalheria de Hamburgo Wempe, por exemplo, não tem qualquer problema ético. A joalheria alemã elogia os "rubis vermelhos cor de sangue" de Mianmar em seu catálogo como "gemas de fogo" de um mundo de conto de fadas.

Todo ano, a marca internacional de alta classe vende entre cinco e oito peças caras de jóias com "rubis de alta qualidade de Mianmar". As gemas são fornecidas por corretores alemães como Karl Faller ou competidores na Suíça. "De acordo com nossos fornecedores, as gemas são levadas pelos mineradores até a Tailândia, onde são compradas por nossos fornecedores", explica a empresa em uma declaração.

Michael Hahn é um fornecedor de gemas de Dusseldorf e presidente da associação de importadores de gemas da Alemanha. Ele vai além, e diz que as gemas de alta qualidade são contrabandeadas por rebeldes birmaneses de minorias oprimidas, que atravessam a fronteira pelas matas para a Tailândia. Hahn é um dos fornecedores que então compram as gemas em Bangcoc. Ele acha que um boicote teria apenas conseqüências negativas para o povo, não para o regime. Ele diz que essa opinião é compartilhada por figuras importantes da indústria de gemas alemã.

Comprar rubis pode ser um ato de caridade? Ulrich Delius, da Sociedade dos Povos Ameaçados, acha que não. "É cinismo", diz ele, "dizer que as forças de oposição e minorias financiam suas operações com rubis."

O joalheiro americano Brian Leber tem bastante familiaridade com a teoria de Robin Hood como justificativa no ramo -e como mito. Há anos que promove um boicote dos rubis birmaneses.

Leber diz que os Karen, minoria étnica oprimida em Mianmar, eram "envolvidos até certo ponto no contrabando há 20 anos". Mas, depois de uma limpeza étnica pelo governo e expulsão de mais de um milhão de pessoas, seria "absurdo sustentar que (os Karen) controlam o comércio de gemas". Ele acrescenta que o regime birmanês aumentou dramaticamente as patrulhas das fronteiras. Membros corruptos do governo embolsam os lucros do contrabando, de acordo com Leber.

Sua luta acaba de começar. Apesar de os EUA terem abandonado importações diretas de gemas birmanesas, permitiram que o comércio continuasse via Bangcoc, depois de uma intervenção do poderoso lobby de joalheiros. Políticos em Bruxelas começaram a considerar aperto similar das sanções atuais da UE.

Enquanto isso, Mianmar decididamente não foi uma questão de preocupação na convenção de gemas ou na festa na estalagem de montanha em Idar-Oberstein, de acordo com um fornecedor que ainda fala sobre uma noite incrível com um trio de jazz chamado "The Crooks".

Beat Balzi
Der Spiegel, 17/10/2007

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ATUALIZADO EM 28//06/2016