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  Geografia Geral e do Brasil

ENGENHARIA GENÉTICA A SERVIÇO DA GUERRA

Em dezembro de 1997, em um resort na Carolina do Sul, o então presidente dos EUA, Bill Clinton, convidou Craig Venter, que ficou conhecido como presidente da Celera Genomics, para um jantar reservado. O motivo do convite não era dos mais apetitosos: preocupado com o sistema de defesa americano, Clinton queria saber se o seqüenciamento genético poderia ajudar na construção de uma super-arma biológica -- por exemplo, uma variante ainda mais mortal do vírus da varíola. Venter, que havia mapeado o vírus recentemente, não teve dúvidas: sim, e a tecnologia já era disponível.

A preocupação de Clinton remetia a um movimento tão antigo quanto a engenharia genética: há cerca de 30 anos, o cientista Joshua Lederberg - pioneiro na pesquisa genética e Nobel de medicina em 1958 - percebeu o perigo potencial que as novas descobertas representavam, e iniciou um movimento pela proibição do uso da engenharia genética para a produção de armas.

A ameaça ficou ainda mais evidente quando, em 73, Stanley Cohen, da Universidade de Stanford, e Herbert Boyer, da Universidade da Califórnia, conseguiram incluir no DNA da Escherichia coli (bactéria presente no trato intestinal humano) um gene de outro micróbio, que lhe conferia resistência à penicilina. A E. coli adquiriu a característica. Estava provado que genes de um organismo poderiam manter suas funções em outro.

O movimento de Lederberg trouxe à tona a questão do controle das armas biológicas - a ONU considerou-as “repugnantes para a humanidade” -, mas as pesquisas continuaram, sobretudo nos EUA e na União Soviética, em nome da 'defesa nacional' - o que muitas vezes ocultava propósitos ofensivos. Com o fim da Guerra Fria, documentos antes secretos e desertores soviéticos revelaram um mundo sinistro, em que cientistas manipulavam os códigos genéticos de micróbios para obter armas mais eficazes, para as quais não haveria vacina ou tratamento.

No início dos anos 80, no governo Reagan, Stanley Falcow, de Stanford, foi contratado pelo Pentágono. Sua meta era incluir um gene da Yersinia pseudotuberculosis - parente da bactéria causadora da peste bubônica - no DNA da E. coli e criar um organismo que atacasse células humanas. A pesquisa foi um sucesso e o gene virulento foi batizado com um nome sugestivo: INV, de invasão.

Além disso, pouco se sabe sobre as pesquisas genéticas americanas. Paradoxalmente, o ultra-secreto projeto soviético é mais conhecido, pois alguns de seus mais importantes cientistas, como Vladimir Pasechnik, Sergei Popov e Kanatjan Alibekov, desertaram para o ocidente. O que tinham para dizer era assustador: segundo Alibekov (que chegou a ser vice-diretor do Biopreparat, instituto que, sob disfarce de agência farmacêutica, fabricava armas biológicas às toneladas), os russos desenvolveram um microrganismo com genes dos vírus do ebola e da varíola, imune a qualquer vacina.

Os relatos de Popov -- que participou do projeto soviético desde os anos 70 -- beiram a ficção científica: em suas pesquisas, usava vírus com fragmentos da mielina - estrutura que envolve os axônios dos neurônios - para estimular respostas auto-imunes da vítima, levando seu organismo à virtual autodestruição. Popov modificou ainda a bactéria Legionella - novamente utilizando a mielina - para que, após causar sintomas amenos, a doença voltasse com força total e causasse danos cerebrais e paralisia; a taxa de mortalidade nos porquinhos-da-índia beirou os 100%. Em outro estudo, Popov aumentou a letalidade da peste ao enxertar na bactéria o gene responsável pela produção da toxina da difteria.

Nada indica que as pesquisas tenham acabado com o fim da Guerra Fria. O desenvolvimento da engenharia genética na elaboração de remédios e vacinas é notável, mas a manipulação de micróbios com fins ofensivos é mais uma prova de que o avanço da ciência só é definido pela apropriação que se faz dela.

Tiago Lethbridge
Ciência Hoje on-line
outubro/2001

 

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ATUALIZADO EM 28//06/2016