Página inicial
Sala de leitura
Enem
Críticas e sugestões
Eventos
Links paratodos
videos
 


CLIQUE NA IMAGEM
ACIMA, E CONHEÇA ALGUNS VIDEOS DIDÁTICOS CPTEC.INPE


CLIQUE NA IMAGEM
ACIMA, E CONHEÇA JOGO – QUEBRA CABEÇA COM MAPA-MÚNDI FÍSICO


CLIQUE NA IMAGEM
ACIMA, E CONHEÇA MAPA INTERATIVO DAS EMISSÕES DE CO2 NOS DIFERENTES PAÍSES DO MUNDO E DADOS DEMOGRÁFICOS.


CLIQUE NA IMAGEM
ACIMA, E JOGUE COM O MAPA DA EUROPA


CLIQUE NA IMAGEM E LEIA AS MANCHETES DE HOJE DOS JORNAIS DE TODO O
MUNDO.


VEJA O QUANTO VOCÊ CONHECE SOBRE CONTINENTES E OCEANOS


2 JOGOS PARA O ENSINO FUNDAMENTAL


CLIQUE NA IMAGEM E CONHEÇA O MAPA-MÚNDI INTERATIVO

site www.geocienciasnomapa.com.br
CLIQUE NA IMAGEM E CONHEÇA UM SERVIÇO DE LOCALIZAÇÃO ESPACIAL DE TESES E DISSERTAÇÕES EM GEOCIÊNCIAS

  Geografia Geral e do Brasil

RECUSA DE BRASIL E ÍNDIA NÃO ENCERRA DOHA, MAS COMPLICA PROCESSO

A atitude dos dois países permite prever que haverá uma nova confrontação entre Norte e Sul; a falta de autonomia de George Bush para negociar a partir de 1º de julho é um dos fatores que aumentam o pessimismo


A recusa do Brasil e da Índia a prosseguirem as negociações com a Europa e os Estados Unidos sobre a liberalização do comércio mundial, em 21 de junho em Potsdam (Alemanha), não significa, de modo algum, o fim do processo de Doha. Mas este novo episódio vem complicar singularmente este processo.

Com o objetivo de aumentar as transações comerciais internacionais -falou-se numa movimentação suplementar de US$ 100 bilhões, ou seja, cerca de R$ 192 bilhões-, os dirigentes do G4, integrado pelos Estados Unidos, a Índia, a União Européia e o Brasil, estavam tentando abrir o caminho para os 146 outros membros da Organização Mundial do Comércio (OMC), por meio de concessões mútuas de melhorias em matéria de subvenções e de direitos alfandegários.
Bruxelas, Nova Déli e Brasília estavam pedindo aos americanos para reduzirem para US$ 15 bilhões, e até mesmo US$ 12 bilhões as subvenções que estes dão para a sua agricultura, as quais Washington queria manter em US$ 17 bilhões.

Por sua vez, os Estados Unidos queriam que a União Européia (UE) diminuísse de 60%, em média, os seus direitos alfandegários sobre os produtos agrícolas, enquanto os países emergentes falavam em 54%, e que a própria União Européia se dispunha a conceder uma redução de 39%.

Os Estados Unidos e a Europa ficaram novamente lado a lado quando se tratou de pedir aos países em desenvolvimento para limitarem os seus direitos alfandegários máximos sobre os produtos industriais em 20%. A Índia e o Brasil queriam mantê-los em 35%, e ainda conservar cláusulas de salvaguarda para proteger as suas indústrias as mais frágeis.

Todos os participantes se atribuíram uns aos outros a responsabilidade pelo fracasso. O ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, argumentou na quinta-feira 21 que era "inútil prosseguir as negociações, levando em consideração o que estava sobre a mesa". Ele também avaliou que as concessões alfandegárias pedidas no campo industrial pelos países desenvolvidos eram três vezes mais importantes do que aquelas que estes se dispunham a consentir.

O ministro indiano do Comércio, Kamal Nath, considerou por sua vez que não havia "nem lógica nem justiça" nas propostas americanas. Susan Schwab, a representante americana para o comércio, rebateu que as concessões que haviam sido propostas pela Índia e o Brasil não seriam suficientes "nem para gerar maiores fluxos comerciais, nem para sustentar o desenvolvimento, e nem para fazer recuar a pobreza". George W. Bush se disse "decepcionado" com o desfecho da reunião.

Confrontação entre Norte e Sul
A UE, por sua vez, parece ser a mais desapontada com isso. Peter Mandelson, o seu comissário para os assuntos de comércio, deplora o ocorrido: "Nós cedemos, cedemos mais ainda, e ainda fizemos mais concessões ao longo deste ano, e isso em todos os setores agrícolas; além disso, nós estávamos prontos para ceder também agora em certos pontos, mais uma vez, de maneira a conseguirmos chegar a um acordo. Mas nós não podíamos negociar sozinhos!"

A União estava disposta a dividir pela metade os seus direitos alfandegários, a suprimir as suas subvenções destinadas às exportações daqui até 2013, e ainda a reduzir de mais de 70% as suas subvenções destinadas à produção, consideradas como nocivas demais para o princípio da concorrência.

Um observador que presenciou o início das negociações estima que "os membros do G4 não estavam verdadeiramente interessados em negociar, pois cada um deles ficou esperando que o outro desse o primeiro passo".

Mesmo que o campo Brasil-Índia não esteja muito unido, conforme mostraram os protestos vindos de setores agrícolas e industriais brasileiros depois deste fracasso, tudo indica que uma confrontação entre Norte e Sul esteja em processo de formação, comparável com aquela que havia acabado inviabilizando as negociações em Cancún (México), em 2003. O Japão se ofereceu desde já para exercer um papel de mediador entre os países industrializados e os emergentes.

A reunião do G4 em Potsdam não constituía uma "mini-OMC", e as negociações multilaterais foram retomadas, já nesta sexta-feira 22, em Genebra. Os observadores prevêem que, no decorrer da próxima semana, os presidentes dos grupos de negociações agrícola, industrial e dos serviços tornarão públicos os textos dos compromissos que serão elaborados com base nas contribuições dos 150 países-membros.

Um acordo preliminar é sempre possível. Este poderia ver a luz do dia no decorrer deste verão europeu, e dá para entender por que Pascal Lamy, o diretor geral da OMC, sublinhou que o fracasso de Potsdam não era irremediável. Contudo, a partir de 1º de julho, o presidente americano perderá a sua capacidade de negociar de modo independente, pois ele passará a ser obrigado a se referir constantemente ao Congresso a respeito da sua condução. Para complicar mais um pouco a situação, os Estados Unidos e a Índia estão ingressando num período eleitoral, pouco propício para os compromissos.

Com isso, dá para entender por que, a exemplo de Mariann Fischer Boel, a comissária européia para a agricultura, muitos são aqueles que se dizem "nem um pouco otimistas" em relação às chances de ocorrer uma nova liberalização comercial multilateral num prazo curto.

Alain Faujas
Le Monde, 23 de junho de 2007

Retornar ao índice

ATUALIZADO EM 28//06/2016