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  Geografia Geral e do Brasil

CRESCEM AS AMEAÇAS SOBRE OS GRANDES RIOS DO PLANETA

O aquecimento global não é o único vilão; as barragens, a agricultura, a pecuária, a indústria e a poluição em geral estão esgotando a água potável

Trata-se de dez rios, distribuídos por todos os continentes. Os seus nomes evocam a força das águas que correm rumo ao mar. Contudo, eles foram enfraquecidos, poluídos e saqueados. Eles são designados pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF) como sendo os "dez rios os mais ameaçados em todo o mundo", num relatório que foi publicado no final de março. Eles constituem "os melhores exemplos dos perigos que rondam todos os cursos de água", explica Jamie Pittock, o diretor do programa desta organização ecologista relativo à água doce.

"Atualmente, está havendo uma focalização da comunidade internacional em torno do acesso à água potável, que levanta a questão das infra-estruturas de abastecimento das populações", prossegue Jamie Pittock. "Se nada for feito, nós corremos riscos de ver ocorrer a aniquilação do recurso natural em si".

No futuro, as necessidades de água seguirão aumentando, enquanto as quantidades utilizáveis terão diminuído. Neste contexto, 40% dos seres humanos do planeta já vivem em regiões confrontadas ao stress hídrico. A população mundial, que é hoje de 6 bilhões, deverá alcançar 9 bilhões em 2050, os quais terão de compartilhar o mesmo volume de água. Ao longo deste mesmo período, se nada for feito, a sua qualidade será alterada por múltiplas fontes de poluição. Além disso, as conseqüências do aquecimento climático pesarão.
Os cientistas do Grupo Intergovernamental de estudos sobre a evolução do clima (Giec), que está reunido até 6 de abril em Bruxelas para estudar as conseqüências do aquecimento, colocam em primeiro lugar as dificuldades com abastecimento em água. Eles prevêem "um aumento da disponibilidade nas latitudes elevadas e em certas regiões tropicais úmidas, e uma redução do recurso nas latitudes médias e nas zonas tropicais secas, que já são zonas de stress hídrico".

As secas e os episódios de precipitações atmosféricas intensas serão cada vez mais numerosos. Os volumes de água armazenados nas geleiras e a quantidade de neve em altitude terão diminuído, o que terá por efeito de reduzir as vazões na primavera e no outono. As necessidades de água para a irrigação das culturas aumentarão. A extensão desses fenômenos dependerá evidentemente da intensidade do aquecimento.

Este último não é o único vilão nesse processo de escassez da água. Os grandes rios, os seus afluentes, as zonas úmidas, os lençóis subterrâneos e os lagos que estão interligados no meio-ambiente vêm sofrendo degradações múltiplas, decorrentes da exploração excessiva que deles faz o homem, ao qual, contudo, eles prestam inúmeros serviços. 70% dos volumes de água doce retirados são utilizados para regar terras irrigadas, que produzem 40% da alimentação mundial. Os peixes de água doce constituem também uma fonte importante de proteínas para as populações pobres do sul do planeta.

Os grandes rios também são utilizados como vias de transporte e fornecem energia. A hidroeletricidade representa 17% da produção mundial, ou seja, a mesma proporção que o gás e a energia nuclear. Eles prestam igualmente serviços, menos visíveis, porém preciosos, tais como a depuração da água e as irrigações decorrentes das enchentes, e abrigam uma parte importante da biodiversidade.

No seu relatório, o WWF classifica as causas da deterioração em categorias distintas. Mas, na maioria dos casos, as ameaças se acumulam sobre um mesmo rio, uma vez que os seus efeitos se conjugam e se amplificam mutuamente.

As barragens, as canalizações e os diques provocam múltiplos danos no meio-ambiente. Ao modificarem o habitat natural das espécies, eles fragilizam a biodiversidade, num processo do qual participam também a pesca excessiva e a invasão de espécies exóticas. A ressecamento das zonas úmidas suprime igualmente "esponjas" que são úteis em caso de enchente. "Não é preciso obrigatoriamente parar com a construção de barragens, mas não é mais possível construí-las em qualquer lugar", afirma Denis Landerbergue, o responsável do programa do WWF relativo às zonas úmidas.

A organização recomenda construir barragens apenas sobre os afluentes, limitar o seu tamanho e prever adaptações destinadas a preservar a circulação da fauna.

As barragens freiam também a evacuação dos poluentes acumulados nos rios, que não raro desempenham o papel de lixões e de esgotos. O Yangtsé (Yangzi Jiang) é o melhor exemplo desta deterioração. Embora ele alimente 40% do território chinês e forneça a água necessária para 70% da produção de arroz, 25 bilhões de toneladas de águas sujas urbanas e industriais nele são derramados todo ano. Esse tipo de contaminação ameaça todos os cursos de água do planeta.

Antes de rejeitá-la no meio natural, a África trata menos de 10% da água que ela utiliza; a América Latina 14%, a Ásia 25%, contra 66% para a Europa e 90% para a América do Norte. No total, 2,4 bilhões de pessoas não dispõem de nenhuma infra-estrutura de saneamento básico.

Contudo, o mais grave dos riscos que ameaçam os grandes rios é muito simplesmente o seu ressecamento. Quatro dentre eles apresentam os sinais típicos dos rios vítimas de uma exploração excessiva: o Rio Grande (México/Estados Unidos), o Ganges (Índia), o Indo (Paquistão) e o Nilo (Egito). Em alguns casos, eles têm dificuldades até mesmo para alcançar o mar. A principal causa disso são práticas agrícolas inadequadas. "Eu vi, na região do lago Chade, imensas superfícies de trigo irrigadas, implantadas por efeito de milhões de dólares investidos a título de ajuda para o desenvolvimento", relata Denis Landenbergue.

O arroz, que é o cereal rei na Ásia, é um grande consumidor de água. A criação do gado, que precisa de uma produção maciça de forragem, consome quantidades ainda maiores do precioso líquido. Por todo lugar, a utilização da água subterrânea vem aumentando, apesar de a sua capacidade de renovação ser muito mais lenta. Neste caso, mais uma vez, os flagelos se conjugam.

Quando uma vazão é fraca demais, as poluições domésticas, urbanas ou industriais não são diluídas nem evacuadas, e a água contaminada alimenta as cidades e o campo. A salinização vai aumentando a jusante dos rios, o que diminui mais ainda a quantidade de água disponível.

As soluções técnicas existem: redução do impacto das construções, quotas de pesca, construção de usinas de depuração das águas usadas, etc. A agricultura está na linha de frente. Segundo afirmam inúmeros especialistas, ela precisa daqui para frente realizar uma "revolução azul", depois da revolução verde, que permitiu um formidável aumento dos rendimentos por meio da química e da seleção das variedades de produtos. Técnicas de irrigação mais eficientes precisam ser generalizadas.

Mas, de modo algum isso seria suficiente. "Trata-se de estudar a implantação das culturas em função das quantidades de água disponíveis, e não o inverso", resume o jornalista inglês Fred Pearce, no seu livro "Quando morrem os grandes rios" (publicado na França pela editora Calmann-Lévy, 2006, 432 págs., 19,50 euros).

Nenhuma dessas soluções pode ser implementada sem que sejam empenhados os meios correspondentes para tanto, nem, sobretudo, sem que haja a vontade política de impor novas regras de partilha da água. As tentativas de questionar métodos antigos, em particular agrícolas, não raro se revelam extremamente difíceis, mesmo quando o diálogo entre os diferentes usuários da água está bastante aprofundado, como é o caso nos países ricos. Ora, na maioria dos países em desenvolvimento, essas instâncias de diálogos nem sequer existem.

Uma fonte de antagonismos em nível local ou nacional, a partilha da água pode transformar-se em conflitos quando ela diz respeito a vários países.

Dois grandes rios em cada três são compartilhados por várias nações.

Portanto, os motivos para enfrentamentos ocorrerem são numerosos.

"À medida que a penúria for se agravando, as tensões irão aumentando", comenta Denis Landenbergue. "É difícil prever até que ponto. Nós não conhecemos atualmente nenhuma verdadeira guerra da água; o que está havendo são tensões entre os governos, os ministérios". Para os mais otimistas, a água será ao contrário, no futuro, um fator de cooperação. "Mesmo se os espaços de conciliação são difíceis de implantar, não há outra alternativa", avalia Landenbergue. "Nenhuma solução funcionará, em lugar algum, caso ela não for negociada e implementada muito além das fronteiras sociais, econômicas e políticas".

Gaëlle Dupont
Lê Monde, 6 de abril de 2007

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ATUALIZADO EM 28//06/2016