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NA COLÔMBIA, AS CONFISSÕES DO CHEFE DOS PARAMILITARES

Salvatore Mancuso reconheceu ter comandado o massacre com punhais de 51 pessoas numa aldeia, foram 336 vítimas no total.

Sentado diante do seu computador portátil, trajando um terno impecável e com o rosto recém barbeado, o homem começou a fazer as suas confissões. Ele entregou para o juiz uma primeira lista das suas vítimas, que inclui não menos de 336 nomes. Desde a segunda-feira, 15 de janeiro, Salvatore Mancuso está contando tudo. Hoje com 48 anos, ele dirigiu as Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC, milícias de extrema-direita) no norte do país durante mais de dez anos.

Assim como os 58 outros chefes dos grupos paramilitares que aceitaram desarmar as suas tropas, Mancuso está atualmente encarcerado na prisão de Itagui, perto de Medellín. Se quiserem beneficiar das reduções de pena que são concedidas pela lei chamada "justiça e paz", os paramilitares desmobilizados devem confessar "toda a verdade".

"Nós imaginávamos, há muito, o que podia ser essa verdade, mas ela é assustadora de se ouvir", sublinha Ana Teresa Bernal, uma representante das vítimas na Comissão Nacional de Reparação e Reconciliação. "As mães, as irmãs, os filhos das vítimas de Mancuso mal conseguem controlar a sua emoção e a sua indignação", acrescenta. Uma vez que um circuito interno de televisão foi instalado no tribunal de Medellín, cerca de cinqüenta pessoas puderam acompanhar ao vivo as confissões do chefe paramilitar.

Massacre com punhais

Salvatore Mancuso admitiu, entre outros crimes, ter dirigido o massacre de El Aro (Centro), em 25 de outubro de 1996. Diante dos olhares dos habitantes da aldeia, quinze pessoas foram torturadas e então assassinadas por um comando. Segundo o chefe principal das AUC, a operação foi preparada no escritório do comandante da 4ª brigada do exército. O general Alfonso Monsalva, hoje falecido, teria fornecido informações e apoio logístico para a operação.

Alguns meses mais tarde, ainda segundo Mancuso, a força aérea prestou auxílio para os milicianos quando estes massacraram por meio de punhais 51 pessoas em Mapiripan (Leste). O chefe do estado-maior, o general Padilla, apressou-se a declarar que a eventual culpabilidade de militares ainda estava por ser comprovada e só poderia ser individual.

Segundo as afirmações de Salvatore Mancuso, todas as suas vítimas eram comprovadamente cúmplices da guerrilha de extrema-esquerda. Para tentar acabar com os guerrilheiros, as AUC tentaram isolá-los massacrando os civis que eles suspeitavam de cumplicidade com eles. Os defensores dos direitos humanos estimam em vários milhares o número dessas vítimas civis.

A lista das 336 pessoas que foram assassinadas por ordem de Mancuso inclui militantes e eleitos de esquerda, professores e estudantes, sindicalistas, além de dirigentes camponeses e índios. Condenado pela justiça ordinária a quarenta anos de prisão pelo massacre de El Aro, Mancuso poderia ver a sua pena definitiva ser reduzida para oito anos.

O chefe das AUC explicou de que maneira os paramilitares haviam se infiltrado na classe política e no Estado. Segundo Ana Teresa Bernal, Salvatore Mancuso reconheceu ter sido iniciado na luta contra a guerrilha no quadro das milícias "Convivir". Esses grupos de autodefesa, que por certo período foram autorizados pela lei, conheceram a sua expansão na região de Medellín, na época em que o atual presidente Álvaro Uribe (direita) era o governador do departamento.

Após terem duramente criticado as negociações que foram conduzidas pelo governo Uribe com os paramilitares, assim como a lei "justiça e paz", as organizações de defesa dos direitos humanos se disseram satisfeitas por verem finalmente a verdade aparecer na luz do dia.

Marie Delcas
Lê Monde, 18/01/2007

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ATUALIZADO EM 28//06/2016