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  Geografia Geral e do Brasil


O FANTASMA NEGRO JÁ NÃO ASSUSTA O MUNDO

O petróleo nunca custou tanto. Mas, para surpresa dos pessimistas, a economia mundial vai bem, obrigado

Na virada do século, não faltaram profetas trombeteando o apocalipse quando os preços do petróleo iniciaram uma nova e vigorosa escalada. Diante do sinal vermelho, até mesmo bíblias do capitalismo, como o The Wall Street Journal, e economistas do banco de investimentos Morgan Stanley entraram na onda prevendo o pior se o custo do barril ultrapassasse a barreira dos 50 dólares. Falava-se na possibilidade de recessão nos Estados Unidos e na desaceleração do crescimento da China, entre outras catástrofes com potencial de provocar ondas enormes de turbulência por todo o planeta. Como se viu, as profecias não se confirmaram, apesar de a cotação do produto encontrar-se hoje na casa dos 78 dólares -- muito acima, portanto, do limite considerado "perigoso" pelos especialistas. As engrenagens do capitalismo não entraram em colapso. Muito pelo contrário. A locomotiva dos Estados Unidos segue em frente, o PIB chinês continua seu passo positivo, sempre à beira de dois dígitos, e a economia mundial, como um todo, vive uma fase de bonança.

Uma série de razões vem contribuindo para que o fantasma negro materializado na forma de um barril de 80 dólares não paralise o planeta. A principal delas é que -- apesar das altas de preços, do medo da escassez e do jogo dos especuladores -- o petróleo ainda é um bem acessível. Hoje, a gasolina representa apenas 4% da renda disponível do americano, de acordo com estudo do economista Nigel Gault, da consultoria Global Insight. A mesma lógica funciona em escala mundial. O consumo global de petróleo, cotado a 70 dólares o barril, movimenta 2,2 trilhões de dólares por ano -- parcela pequena de uma economia de 50 trilhões de dólares. É verdade que os preços do ouro negro subiram. Mas a economia global cresceu numa escala ainda maior, o que amortizou os efeitos do encarecimento do petróleo.

Nas últimas décadas, o capitalismo também se tornou menos dependente do petróleo. Menos não quer dizer pouco. Mas, com uma melhora na eficiência energética de fábricas e automóveis, é cada vez menor a quantidade de combustível usado para gerar energia.

Por isso, o aumento de 1 dólar no preço do óleo cru hoje tem impacto muito menor do que no passado. Nos Estados Unidos, por exemplo, o número de barris necessários para produzir uma riqueza de 1 milhão de dólares foi reduzido à metade desde 1973. Além do uso mais racional do recurso, o mundo vem investindo cada vez mais em outras fontes para alimentar suas máquinas e motores, como as energias solar e eólica. Na última década, o uso da força dos ventos como fonte de energia foi o sistema que mais cresceu no mundo. Em países como a Dinamarca, ele é responsável por quase 20% do mercado.

As características da escalada atual dos preços do ouro negro também ajudam a explicar por que não houve grandes estragos na economia. Em números absolutos, o barril a 78 dólares é um recorde. Quando se atualizam os valores das cotações antigas, porém, percebe-se que o mundo já conviveu com preços ainda maiores. Em 1980, a cotação atingiu 88 dólares (veja quadro na página ao lado). A velocidade da subida dos preços também é menor. Em 1979, o preço do barril do petróleo dobrou em apenas seis meses, o que produziu um pandemônio mundial. Para conter a inflação, o Banco Central americano elevou na época os juros de 5% a 19% ao ano, quebrando a maioria dos países que estavam pendurados em empréstimos externos -- entre eles o Brasil. É uma situação difícil de se repetir, pois a cotação do combustível vem evoluindo num ritmo muito menor. Foram necessários 18 meses para haver a mesma variação do final dos anos 70. Os preços de produtos e serviços, porém, não acompanharam o mesmo ritmo. "As economias estão mais fortes e mais flexíveis para se ajustar aos preços, com novas tecnologias e novas práticas de negócios", diz Paul Roberts, autor do livro The End of Oil ("O fim do petróleo", em português).

EMBORA NÃO TENHA PRODUZIDO
nenhuma catástrofe, a variação grande do custo da energia nos últimos anos provocou alguns problemas. "Se o barril estivesse a 30 dólares, a economia mundial poderia ter crescido pelo menos mais 0,5% ao ano", afirma Herman Franssen, presidente da consultoria International Energy Associates, que atende a empresas atuantes no Oriente Médio. A indústria automobilística sente diretamente o impacto. Nos Estados Unidos, por exemplo, o preço do combustível passou de 1,5 para 3 dólares por galão entre 2000 e 2006. Em função disso, os americanos têm buscado economizar no tipo de carro que utilizam. Os grandes utilitários, conhecidos como SUVs, que consomem muito combustível, são cada vez menos procurados. No país, a venda de carros em geral aumentou 2,5% no primeiro semestre deste ano, enquanto a de SUVs caiu 12%. Muitas empresas, como a Toyota, estão apostando em carros baseados em outras fontes de energia, como os que utilizam gasolina e eletricidade. O modelo híbrido Prius, da montadora japonesa, superou recentemente a marca de 500 000 unidades vendidas desde o seu lançamento, em 1997, desempenho considerado excelente pelo mercado.

Diferentemente das crises de 1973 e 1979, quando alguns países produtores do Oriente Médio impuseram embargos do produto ao resto do mundo por razões políticas, provocando uma alta de preços, o salto atual do combustível tem um motivo mais benigno: a demanda de uma economia em expansão. A atual inflação na cotação do petróleo ocorre em função de uma lei clássica da economia. Quando há pouca oferta e muita procura por um produto, os preços aumentam. Nos anos 80 e 90, pouco se investiu na exploração de novos campos de petróleo, mas isso não fez grande diferença, pois Índia e China ainda estavam engatinhando no jogo da economia global. Quando os gigantes asiáticos começaram a utilizar doses cada vez mais maciças de combustível para sustentar suas extraordinárias taxas de crescimento, a balança entre oferta e demanda de petróleo ficou desequilibrada. Entre 1990 e 2005, o consumo de combustível de China e Índia aumentou 168%, ante 24% do restante do mundo. O agravante é que são duas nações pouco eficientes na utilização desse recurso, por causa de suas indústrias atrasadas.

Diante desse cenário, houve redução na capacidade excedente de produção de petróleo, mantida para compensar possíveis interrupções no fornecimento em regiões atingidas por alterações climáticas ou problemas geopolíticos. "Em 2002, a capacidade excedente era de 5,5 milhões de barris por dia. Hoje, ela gira em torno de 1,5 milhão", diz Doug MacIntyre, técnico do Energy Information Admnistration, órgão do governo americano responsável por estatísticas de energia. Ou seja, o mundo consome hoje quase todo o petróleo que produz. Um quadro em que existe a ameaça de escassez do produto também pressiona os preços e favorece a atuação de especuladores, que compram papéis no mercado de futuros apostando em novas altas da cotação.

A evolução do atual conflito entre Israel e o grupo Hezbollah, no Líbano, é o fator que pode acelerar abruptamente a curva de evolução do preço do petróleo. Num cenário mais provável, traçado pela consultoria inglesa Economist Intelligence Unit, a batalha continuará restrita aos dois países. Nesse caso, o preço do barril de petróleo continuaria oscilando entre 75 e 80 dólares. Outro cenário, bem mais pessimista, trabalha com a hipótese de envolvimento do Irã na batalha. Como esse país é um dos principais produtores mundiais de petróleo, as exportações do produto poderiam ser afetadas, reduzindo drasticamente a oferta e elevando de forma rápida os preços até 100 dólares o barril. O preço também poderia chegar a esse patamar independentemente do desenrolar dos conflitos do Oriente Médio. Para isso, o mundo teria de ser atingido por um furacão com o mesmo potencial destruidor do Katrina, que varreu as refinarias do sul dos Estados Unidos em agosto do ano passado. "Diante disso, provavelmente teríamos um cenário de recessão no planeta", afirma Ken Goldstein, especialista do Conference Board, organização americana de estudos econômicos. Ou seja, somente uma catástrofe natural ou uma guerra de grandes proporções podem fazer ressurgir o fantasma negro.

Revista Exame,
18.08.2006

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ATUALIZADO EM 28//06/2016