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PAZ DEPENDE DOS XIITAS DO LÍBANO

O Líbano é uma sociedade dividida. A base de poder do Hizbollah é restrita à comunidade xiita e, mesmo entre ela, a fidelidade ao Hizbollah não é total.
           
Depois da retirada israelense do Líbano, o Hizbollah passou a desfrutar da admiração de muitos libaneses, mas essa aura vem se dissipando sem parar nos últimos anos. Isso porque, após a retirada, a "resistência" contínua oposta pelo Hizbollah ao longo da fronteira deixou de ser objeto de consenso nacional.
           
Como conseqüência, vemos um número cada vez maior de figuras políticas do Líbano fazendo críticas ao Hizbollah. O culto à personalidade de Hassan Nasrallah funciona como maneira de manter os fiéis em linha. Não faz muito tempo, capangas do Hizbollah saíram às ruas, após uma TV libanesa colocar no ar uma sátira a Nasrallah. A multidão ateou fogo a carros e pneus. O episódio mostrou que Nasrallah perdeu um pouco de status moral e que o movimento precisou recorrer à intimidação para conservar intacta sua fachada.
           
O importante é observar que o Hizbollah já deixou de ser o "queridinho" do nacionalismo libanês, e seu comportamento recente o vem dotando cada vez mais da aparência de algo estrangeiro. É essa, sem dúvida, a mensagem que vem sendo enviada pelos líderes da maioria das outras facções libanesas: que o Hizbollah usurpou do governo legitimamente constituído o poder de tomar decisões sobre guerra e paz e que o movimento está agindo fora dos interesses nacionais.

Quanto mais Israel ataca, mais provável é que essas críticas se difundam, mesmo entre xiitas. Não vejo o país se unindo em torno do Hizbollah.
           
Prevejo que essa crise vá dilacerar de vez a ficção frágil da política libanesa.
Um Líbano independente é incompatível com a concessão de status extraterritorial e extralegal a qualquer milícia. Antes, esse fato podia ser encoberto; hoje, está exposto para que todos o vejam.

É claro que não há nenhuma facção no Líbano que tenha condições de desarmar o Hizbollah, tampouco o governo tem.
           
Só a opinião xiita pode dar conta do recado. Assim, cabe a Israel demolir o argumento do Hizbollah de que suas armas são capazes de deter Israel. Israel precisa provar o contrário: que as armas do Hizbollah convidam ao ataque israelense, especialmente contra xiitas. Apenas se os próprios xiitas se derem conta disso, e apenas se eles se tornarem a principal fonte de críticas à estratégia do Hizbollah, é que o Hizbollah se sentirá forçado a mudar essa estratégia. Isso não ocorrerá da noite para o dia -pode levar meses ou anos.
           
O que é certo é que hoje o Líbano está mais bem preparado para confrontar seu próprios demônios do que estava há dez ou 15 anos. Há no país uma nova geração que não quer retroceder aos tempos passados. É essa geração que terá que sair às ruas para fazer mais uma Revolução de Cedro -dessa vez, uma em que os xiitas exerçam papel de predomínio.

MARTIN KRAMER,
Folha de São Paulo, 23 de julho de 2006

 

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ATUALIZADO EM 28//06/2016