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  Geografia Geral e do Brasil

O DIABO É O OUTRO

O imigrante é o “outro”, o diferente, o “bárbaro”, o bode expiatório

A Alemanha foi o país que realizou a maior limpeza étnica do mundo – contra judeus e ciganos – há poucas décadas atrás. No entanto, o país mantêm o critério étnico de cidadania, isto é, só é cidadão de alemão o descendente de alemão. E não o critério territorial, que se baseia na moradia e no nascimento no solo de um país. Assim, os turcos, seus filhos e netos, que trabalham, pagam imposto, vivem na Alemanha, serão sempre cidadãos de segunda classe.
Logo que foi eleito, o atual governo social democrata enviou ao Parlamento – conforme promessa de campanha – projeto de lei para mudar esse critério. Nas primeiras eleições regionais que enfrentou, a oposição – democrata cristã – começou a passar um abaixo assinado para levar ao Congresso pedindo a convocação de um plebiscito nacional sobre o tema, apoiando e fortalecendo o clima hostil aos imigrantes – vítimas da discriminação e da violência, com vários assassinatos e incêndios de suas casas, por parte dos grupos neo-nazistas. O governo social democrata/verde perdeu as eleições locais e imediatamente retirou o projeto de lei do Congresso e não se fala mais no assunto.

Ou melhor, se fala, mas no pior sentido da palavra. Os imigrantes continuam a chegar aos países centrais do capitalismo – os mexicanos ao México, os equatorinos e marroquinos à Espanha, os argelinos à França, os paquistaneses e indús à Inglaterra, os turcos à Alemanha. Trabalham sem documentos, nas piores funções, em que os nacionais não se dispõem a trabalhar. E como as taxas de natalidade na Europa passaram a ser negativas, precisa-se dos trabalhadores imigrantes.
Então a Alemanha decidiu estabelecer cotas de estrangeiros que podem entrar legalmente ao país por ano, em determinadas profissões e por tempo determinado. Essa é a política “flexível”, funcional ao capitalismo. Por outro lado, nas eleições recém realizadas em Hamburgo, a coalizão de governo perdeu e, além da derrota dos verdes, pelo péssimo desempenho no governo, quem mais se fortaleceu foi uma nova agrupação de direita: o recém fundado Partido da Ofensiva pela Lei e pela Ordem, dirigido por um juiz, neto de comunista, com a retórica que associa aumento da criminalidade – valendo-se também da acusação de que participantes dos atentados aos EUA teriam vivido antes na cidade – e imigração. Defendem que se mande “de volta para a África” os imigrantes indesejados, além da castração dos acusados de crimes sexuais. Tiveram 19% dos votos – mais do que o dobro dos verdes – e se preparam para governar junto com a democracia cristã.

O imigrante é o “outro”, o diferente, o “bárbaro”, o bode expiatório. Por isso essa imagem ganha sempre fisionomias étnicas – asiático, árabe, africano – para facilitar a demonização. Reafirma-se assim depois do dia 11/9/2001 que um dos elementos da hegemonia ocidental no mundo é a discriminação racial. Por isso a Conferência de Durban tinha – como aconteceu – que terminar espelhando não um cínico acordo superficial, mas uma divisão entre profunda entre dominadores e dominados, entre arrogantes e humilhados, entre discriminadores e discriminados.
O imigrante representa para o “ocidente” – branco, anglo-saxão, protestante e imperial – o “outro”. O fato de que se identifique com outras etnias não coloca a “guerra de civilizações” no centro dos conflitos contemporâneos. Trata-se simplesmente da forma que assume a dominação das potências capitalistas sobre a periferia, num fenômeno que, ao invés de caráter étnico, é de fundo econômico e social.

Emir Sader
28 / 09 / 2001
Missão Rural Urbana (http://www.mur.com.br/colunistas)

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ATUALIZADO EM 28//06/2016