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A SEGUNDA UNIFICAÇÃO ALEMÃ

O multiculturalismo falhou, é o que todo mundo diz. E agora? A Alemanha deveria expulsar seus 6,7 milhões de estrangeiros? A política populista de bar não vai ajudar o país. Os alemães, velhos e novos, precisam encontrar a vontade para se entender.

A edição de quarta-feira do jornal populista "Bild" trouxe uma citação estridente da "principal mente da Alemanha", um historiador conservador chamado Arnulf Baring: "Alguma coisa está errada com os estrangeiros", ele diz. Baring é um acadêmico respeitado que se deslocou para a direita nos últimos anos. Ele gosta de soar autoritário e patriótico.

Em sua entrevista ao "Bild", ele disse uma frase que hoje se pode escutar nos bares de toda a Alemanha, desde que surgiu, na semana passada, a notícia sobre violência estudantil em um colégio de alta freqüência turca em Berlim.

"O multiculturalismo está morto", declarou Baring.

A culpa por sua morte, é claro, cabe aos tipos "multi-culti" que prosperaram sob o ex-chanceler de centro-esquerda Gerhard Schröder -- todos aqueles alemães imprecisos que nas últimas décadas vagaram fiel mas ingenuamente de festivais folclóricos curdos para o restaurante italiano dirigido por libaneses na esquina, sem parecer notar que tanto os curdos quanto os libaneses afiavam suas facas reluzentes, falavam rudemente sobre suas mulheres e planejavam uma tomada hostil da República Federal da Alemanha.

Graças a Deus, Baring nos advertiu a tempo.

Mas está na hora de matar alguns mitos: nem o governo Schröder nem os multiculturalistas imprecisos são os principais culpados pela atual crise de integração na Alemanha. O nome do verdadeiro vilão é Helmut Kohl. Durante seu longo período como chanceler, de 1982 a 1998, e apesar do fato de sua nora ser turca, Kohl conseguiu ignorar o problema da imigração. Leis de sangue para a cidadania alemã foram mantidas; a imigração continuou desregulamentada. Ela cresceu anarquicamente através de esquemas de asilo ou de leis que permitem que as famílias de trabalhadores convidados venham para a Alemanha, enquanto as crianças estrangeiras que vivem aqui nunca foram convidados a freqüentar a escola. "Forasteiros tolerados" não precisavam aprender a ler ou escrever.

Quando os skinheads queimaram dormitórios de imigrantes em Solingen, Mölln e Rostock no início dos anos 90, Kohl nunca se incomodou em mostrar seu rosto.

O homem que entendia tanto sobre o poder dos símbolos (como a reunificação alemã) nunca posou para uma foto com as vítimas ou visitou uma cena de crime. Por quê? Porque as vítimas não eram alemãs? Ninguém sabe de fato.

Os créditos de Kohl na reunificação alemã são indiscutíveis, mas ele nunca pareceu se importar com a integração dos "novos" alemães. Foi o governo de Schröder que primeiro atacou o problema -- mesmo que de forma um pouco branda. O presidente federal de Schröder, Johannes Rau, fez alguns gestos na direção certa quando disse que queria presidir sobre todas as pessoas que vivem na Alemanha, e não apenas os alemães.
Para 6,7 milhões de estrangeiros no país, foi a coisa certa a dizer; mas foi o tipo de iniciativa que o governo Schröder nunca se aventurou a levar adiante.

A modernização das leis de cidadania alemãs até agora foi um trabalho de colcha de retalhos. Ainda nascem na Alemanha crianças sem direito à cidadania. Em sua entrevista, Baring disse que o patriotismo nas famílias imigrantes americanas se "cristaliza" em três gerações no máximo. Mas todo bebê nascido nos EUA -- até o filho de um trabalhador mexicano ilegal nascido em um celeiro no Texas -- tem direito a um passaporte americano. A resposta dada a isso pelos linhas-duras da imigração alemães é frágil: tudo o que eles conseguem é uma recomendação para "devolver os delinqüentes juvenis a seus países de origem".

A questão, porém, é que o "país de origem" dessas crianças é a Alemanha. O multiculturalismo aqui é um fato. Não há como recuar para qualquer tipo de pureza étnica. E isso é algo que os conservadores da Alemanha vão ter de aprender.

O governo de grande coalizão de esquerda e direita em Berlim, hoje no poder sob Angela Merkel, está prestes a negociar a segunda unificação alemã -- ou seja, a fusão civilizada dos imigrantes legais em uma única república alemã.

Como, por exemplo, se deve interpretar o silêncio dos social-democratas sobre essa questão? Existem maneiras de sair da crise do "multiculturalismo"; basta uma certa vontade de liderar. Que tal uma lei permitindo a cidadania automática para toda criança nascida na Alemanha?

Seria uma idéia nova. Já tivemos o suficiente de palavras calorosas e imprecisas. O que a Alemanha precisa hoje é de um verdadeiro e autocrítico equilíbrio de paixões. Nem as hipocrisias multiculturais nem os alarmistas histéricos vão ajudar ninguém. E qualquer um que disser que as coisas deram errado com "os estrangeiros" ainda está pensando em termos antiquados de "nós e eles".

Nós -- todos os cidadãos alemães -- não podemos suportar outro fracasso das políticas de imigração alemãs. Os trabalhadores nascidos no estrangeiro têm duas vezes mais probabilidade de estar desempregados que os alemães nativos; cada vez mais crianças de "origem imigrante", segundo a frase politicamente correta, estão se tornando "crianças-problemas". Não precisamos de nada menos que um esforço nacional para mudar essa tendência. Até o governador (antiimigrante) da Baviera, Edmund Stoiber, deve reconhecer uma necessidade urgente e egoísta, diante da queda das taxas de natalidade, de educar as talentosas crianças turcas de hoje para serem a elite alemã do futuro. Seria bom se ele fizesse algum trabalho prático nessa direção, em vez de apenas tocar os alarmes. Munique, por exemplo -- a sede de poder de Stoiber -- poderia ter um departamento de imigração.

Mas a imigração com sucesso não é apenas uma questão de ministérios. O trabalho duro de integrar as mentes em uma república alemã coesa precisa ser feito pelas próprias comunidades imigrantes. Existe muito a fazer nesse sentido, como sugere um recente debate sobre falar alemão nas escolas em Berlim. De sua parte, os grupos de interesse imigrantes precisam perceber que se você não fala alemão não pode fazer nada na Alemanha. É simples assim. E isso não tem quase nada a ver com discriminação. Qualquer um que quiser que seus filhos tenham um futuro na Alemanha precisa lhes comprar um dicionário e um livro de gramática hoje, e não amanhã.

Até um pasquim populista como o "Bild", aliás, com sua linguagem clara e agenda inconfundível, pode exercer um papel em nosso novo movimento. Os alemães podem se expressar a partir de agora deixando qualquer edição do "Bild" que dê espaço a pessoas como Baring na banca de jornais, para desbotar.

Claus Christian Malzahn,
Der Spiegel, 07/04/2006

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ATUALIZADO EM 28//06/2016