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  Geografia Geral e do Brasil


SOLDADOS DE ADOLF HITLER ERAM MOVIDOS A DROGAS
Tropas recebiam anfetaminas, cocaína e todo tipo estimulantes para incentivar "atos de bravura acima do comum" nos combates; entre os efeitos colaterais, houve uma perda dos padrões morais de comportamento e um aumento do número de soldados viciados

Os nazistas pregavam a abstinência sob pretexto de promover a saúde nacional. Mas quando se tratou de travar as suas "blitzkrieg" --guerra relâmpago, estratégia criada na Alemanha em 1930 que consiste no uso simultâneo de blindados e aviões visando a neutralizar o inimigo antes que ele tenha tempo de opor uma frente sólida ao ataque-- eles não tiveram escrúpulos para dopar os seus soldados com grandes quantidades de drogas e de álcool.

O speed (anfetaminas, ou seja, substâncias psico-estimulantes que transmitem a ilusão de ser invencível e apagam toda sensação de cansaço) era a preferência nacional em termos de drogas, mas muitos outros se tornaram dependentes da morfina e do álcool.

Numa carta com data de 9 de novembro de 1939, aos seus "caros pais e irmãos", enviada para o domicílio familiar em Colônia, um jovem soldado estacionado na Polônia ocupada escreveu: "As coisas não estão para a brincadeira, por aqui, e eu espero que vocês vão entender se eu só conseguir escrever para vocês uma vez a cada dois ou quatro dias. Hoje, eu estou lhes escrevendo principalmente para pedir-lhes para me enviar um pouco de Pervitin ...; Amo Vocês, Hein".

O Pervitin, um estimulante mais conhecido hoje como "speed", era a droga-milagre do exército alemão --conhecido como Wehrmacht.

Em 20 de maio de 1940, o mesmo soldado, com idade de 22 anos, escreve mais uma carta para a sua família: "Será que vocês poderiam conseguir para mim uma maior quantidade de Pervitin, de modo que eu possa constituir uma reserva aqui?".

Então, numa carta que ele envia de Bromberg em 19 de julho de 1940, ele insiste: "Sem querer lhes pedir o impossível, por favor, me enviem mais Pervitin".

O homem que escreveu essas cartas tornou-se um escritor famoso, anos mais tarde. Era Heinrich Boell, que, em 1972, foi o primeiro alemão a ser contemplado com o Prêmio Nobel de Literatura no período do pós-guerra.

Muitos soldados da Wehrmacht estavam sob o efeito do Pervitin quando eles partiram para a batalha, em particular contra a Polônia e a França --numa blitzkrieg movida a speed.

O exército alemão foi abastecido com milhões de comprimidos de metanfetaminas (anfetaminas potencializadas, conhecidas hoje por nomes tais como vidro, gelo, cristal e speed, cujos efeitos são parecidos com os da cocaína) durante o primeiro semestre de 1940.

As drogas faziam parte de um plano cujo objetivo era de auxiliar os pilotos, os marinheiros e os soldados das tropas da infantaria a se tornarem capazes de realizar feitos sobre-humanos.

Os oficiais dos altos escalões do exército distribuíam generosa e liberalmente tais estimulantes, assim como bebidas alcoólicas e entorpecentes, pela simples razão que eles acreditavam que drogar e intoxicar as tropas os ajudaria a conquistar a vitória sobre os Aliados.

Mas os nazistas se mostraram extremamente displicentes em relação à necessidade de monitorar os efeitos colaterais deste consumo, tais como a dependência das drogas e um declínio dos padrões morais de comportamento.

Após ter sido lançado no mercado pela primeira vez em 1938, o Pervitin, uma metanfetamina que acabara de ser desenvolvida pela companhia farmacêutica Temmler, baseada em Berlim, tornou-se rapidamente um campeão de vendas em meio à população civil alemã.

Segundo uma reportagem publicada pela revista especializada "Klinische Wochenschrift" ("Clínico Semanal"), esta droga supostamente milagrosa foi então submetida às avaliações e às diligências de Otto Ranke, um médico do exército e diretor do Instituto de fisiologia geral e de defesa, na Academia de Medicina do Exército, em Berlim.

Os efeitos das anfetaminas são similares àqueles da adrenalina, que o próprio corpo produz. Elas despertam sensações de aumento de energia e de atenção. Na maioria das pessoas, esta substância aumenta a confiança em si mesmo, a concentração e a vontade de assumir riscos, enquanto, ao mesmo tempo, ela reduz a sensibilidade à dor, à fome e à sede, e diminui ainda a necessidade de dormir.

Em setembro de 1939, Ranke testou a droga em 90 estudantes da universidade, e concluiu que o Pervitin poderia ajudar a Wehrmacht a vencer a guerra. No início, o Pervitin foi testado nos motoristas do exército que participaram da invasão da Polônia.

Então, segundo relata o criminologista Wolf Kemper, ele passou a ser "distribuído sem qualquer escrúpulo para as tropas que combatiam no front".


35 milhões de comprimidos


Durante o curto período que vai de abril a julho de 1940, mais de 35 milhões de comprimidos de Pervitin e de Isophan (uma versão levemente modificada produzida pela companhia farmacêutica Knoll) foram enviados para o exército e a força aérea alemães.

Uma parte dos comprimidos, cada um contendo três miligramas de substância ativa, foi encaminhada para as divisões médicas da Wehrmacht sob o codinome de OBM, e foi então distribuída diretamente para as tropas.

Era possível até mesmo fazer pedidos de emergência por telefone caso uma remessa precisava ser feita com urgência. As embalagens traziam a inscrição "Estimulante", e as instruções recomendava tomar uma dose de um a dois comprimidos "somente se a necessidade se fizer sentir, para permanecer acordado".

Mesmo naquela época, os médicos estavam preocupados com o fato de que a fase de regeneração depois do consumo da droga se tornava cada vez mais longa à medida que ela era consumida, e que os seus efeitos diminuíam gradativamente entre os usuários freqüentes.

Em casos isolados, alguns usuários sofriam de problemas de saúde tais como um excesso de transpiração e desordens circulatórias, e houve até mesmo diversos casos de morte.

Leonardo Conti, o ministro da saúde do Terceiro Reich e um seguidor da crença de Adolf Hitler no asceticismo, tentou restringir o uso da metanfetamina, mas obteve um sucesso apenas moderado, ao menos no que diz respeito à Wehrmacht.

Apesar de o Pervitin ter sido classificado como substância de uso restrito em 1º de julho de 1941, no quadro da lei do Ópio, dez milhões de comprimidos foram enviados para as tropas naquele mesmo ano.

O Pervitin era considerado de maneira geral como um remédio de eficiência comprovada, próprio para ser utilizado por soldados quando estes se encontravam em situações que os submetessem a estados de tensão extrema.

Um memorando dirigido aos oficiais médicos da marinha acrescentou as seguintes considerações:

"Cada oficial médico precisa estar ciente de que o Pervitin é um estimulante altamente diferenciado e poderoso, uma ferramenta que lhe permitirá, a qualquer momento, auxiliar ativa e efetivamente, dentro da sua esfera de influência, certos indivíduos a executarem funções com uma eficiência acima da média".


"Os seus espíritos haviam melhorado de repente"


Os efeitos do Pervitin eram sedutores. Em janeiro de 1942, um grupo de 500 soldados alemães, estacionado no front do leste e cercado pelo Exército Vermelho, estava tentando escapar. A temperatura era de -30Cº.

Um médico do exército loteado nesta unidade escreveu no seu relatório que, por volta da meia-noite, quando eles vinham fugindo havia seis horas, avançando na neve que, em certos lugares, chegava à altura da cintura, "em número cada vez maior, os soldados estavam tão esgotados que eles começaram a se deitar simplesmente na neve". Os oficiais que comandavam o grupo decidiram então dar Pervitin aos seus homens.

"Meia-hora mais tarde", prosseguiu o médico no seu relatório, "os homens começaram a se animar espontaneamente; eles diziam se sentir melhor. Eles retomaram a sua marcha de maneira ordenada, os seus espíritos haviam melhorado de repente, e eles se tornaram mais alertas".

Foi preciso esperar quase seis meses para ver este relatório chegar finalmente até as mãos dos responsáveis do comando médico superior do exército.

Mas, a sua reação foi simplesmente de divulgar novas indicações e instruções para os usuários do Pervitin, inclusive informações sobre os riscos, as quais não apresentavam praticamente nenhuma diferença em relação às instruções anteriores.

Os "Procedimentos para Detectar e Combater o Cansaço", detalhados numa circular emitida em 18 de junho de 1942, eram exatamente os mesmos de sempre: "Dois comprimidos tomados de uma vez eliminam a necessidade de dormir, por um período de três a oito horas, enquanto duas doses de dois comprimidos cada são normalmente eficazes por 24 horas".

Mais perto do final da guerra, os nazistas estavam trabalhando até mesmo numa outra pílula milagrosa para as suas tropas.

No porto marítimo de Kiel, no norte da Alemanha, em 16 de março de 1944, o então vice-almirante Hellmuth Heye, que mais tarde se tornaria membro do Parlamento alemão pela legenda do conservador Partido Democrata-Cristão e presidente do Comitê de Defesa nesta mesma Casa, requisitou um remédio "que permita manter os soldados dispostos para o combate quando a situação exige que eles continuem a lutar além do período de tempo considerado normal, e que ao mesmo tempo estimule a sua auto-estima".

Pouco tempo depois, um farmacologista de Kiel, Gerhard Orzechowski, apresentou a Heye uma pílula de codinome D-IX. Ela continha cinco miligramas de cocaína, três miligramas de Pervitin e cinco miligramas de Eukodal (um analgésico à base de morfina).

Hoje em dia, um vendedor de drogas que for preso com uma droga tão potente como essa logo acabaria atrás das grades. Naquele tempo, contudo, esta droga foi testada em tripulantes que trabalhavam nos menores submarinos da marinha, conhecidos pelos nomes de "Lobo do mar" e "Castor".


O consumo de álcool era incentivado


O álcool, a droga do povão, também era popular na Wehrmacht.

Num relatório a respeito do álcool, Walter Kittel, um general membro do corpo médico, escreveu que "ninguém, a não ser um fanático, se recusaria a dar a um soldado algo que possa ajudá-lo a relaxar e a ter prazer com a vida depois de ter encarado os horrores da batalha, ou o repreenderia por estar curtindo um ou dois drinques amigáveis com os seus camaradas".

Os oficiais chegavam a distribuir álcool para as suas tropas como forma de recompensa, enquanto o schnapps (cachaça) era vendido comumente em quitandas do exército, uma política que trazia embutido um efeito colateral "oportuno", uma vez que dessa forma, boa parte do soldo dos soldados acabava voltando para o exército.

"O comando do exército fazia vistas grossas para o consumo de álcool, enquanto este não resultasse em cenas de embriaguez em público por parte de membros do contingente", explica o historiador Peter Steinkamp, de Friburgo, um especialista no consumo de produtos dopantes que imperava na Wehrmacht.

Mas, em julho de 1940, pouco depois da capitulação da França, Hitler despachou a seguinte ordem: "Eu espero que os membros da Wehrmacht que se deixem levar pela tentação de cometerem atos criminosos como resultado de um abuso do consumo de álcool sejam punidos com severidade". Os mais sérios contraventores poderiam até mesmo se ver infligir "uma morte humilhante".

Mesmo assim, as tentações da bebida eram aparentemente mais poderosas que as ameaças do Fuehrer. Foi preciso esperar por mais um ano ainda até que o comandante-em-chefe do exército alemão, o general Walther von Brauchitsch, chegasse à conclusão de que as suas tropas estavam cometendo "as mais graves e sérias infrações" nos campos da moralidade e da disciplina, e que o grande culpado era "o consumo excessivo de álcool".

Entre os efeitos adversos do alcoolismo, o general enumerava as brigas (entre os próprios soldados), os acidentes, maus-tratos infligidos a subordinados, atos violentos contra oficiais superiores e "crimes envolvendo atos sexuais não-naturais". O general estava convencido de que o álcool estava pondo em perigo a "disciplina dentro do exército".

Segundo uma estatística interna que foi realizada pelo chefe do corpo médico, ao menos 705 dos casos de morte que ocorreram no exército entre setembro de 1939 e abril de 1944, teriam um vínculo direto com o consumo excessivo de álcool.

Na realidade, este número, apresentado por uma pesquisa não-oficial, deve ter sido bem mais elevado, já que ele não leva em conta os acidentes de trânsito, nem os acidentes envolvendo armas e nem os suicídios, os quais eram provocados frequentemente pelo uso de álcool.

Os oficiais médicos foram instruídos a admitirem alcoólatras e viciados em drogas nas suas clínicas, para tratamentos. Segundo uma ordem emitida pelo serviço médico, esta solução apresentava "a vantagem de poder ser prorrogada indefinidamente".

Uma vez encarcerados nessas clínicas, os viciados eram submetidos a uma avaliação conduzida em função das disposições da "Lei de Prevenção da Procriação com Doenças Hereditárias" e podiam até mesmo ser submetidos à esterilização forçada e à eutanásia.


A execução de um contrabandista


O número de casos nos quais soldados ficaram cegos ou até mesmo morreram ao consumirem álcool metílico começou a aumentar. De 1939 em diante, o Instituto de Medicina Forense da Universidade de Berlim listou constantemente o álcool metílico como o principal fator de casos de morte que resultaram da ingestão de venenos por inadvertência.

A execução de um oficial alemão de 36 anos, na Noruega, no outono de 1942, teve por objetivo de servir de exemplo. Este oficial, um motorista, havia vendido cinco litros de álcool metílico, o qual, segundo ele garantia, tinha um teor alcoólico de 98% e podia ser utilizado para produzir bebidas alcoólicas, para uma unidade de defesa antitanque do regimento de infantaria.

Vários soldados ficaram doentes, e dois morreram. O homem, acusado oficialmente de ser um "inimigo do povo", foi executado por um pelotão de fuzilamento.

Segundo a ordem do dia emitida em 2 de outubro de 1942, "a punição será anunciada para as tropas e as unidades auxiliares, e ela será utilizada como uma ferramenta para admoestações insistentes e repetidas".

Mas os soldados achavam aparentemente que toda e qualquer coisa que pudesse ajudá-los a escaparem dos horrores da guerra era justificável.

Apesar do conhecimento geral dos riscos que ela representava, a dependência da morfina alastrou-se amplamente entre os feridos e o pessoal médico no decorrer da guerra. Em 1945, havia quatro vezes mais médicos do exército viciados em morfina do que no início da guerra.


Médicos alemães experimentavam drogas em si mesmos


Franz Wertheim, um oficial médico que havia sido enviado para uma pequena aldeia da Palestina, perto do Muro das Lamentações, em 10 de maio de 1940, escreveu o seguinte relato:

"Para ajudar o tempo a passar, nós médicos experimentávamos as substâncias em nós mesmos. Nós começávamos o dia bebendo um copo daqueles grandes de água repleto até a borda de conhaque e tomando duas injeções de morfina. Nós achávamos que a cocaína era ótima se consumida ao meio-dia e, na parte da tarde, nós tomávamos de vez em quando doses de Hyoskin", um alcalóide derivado de algumas variedades de beladona, normalmente utilizado como medicação.

Wertheim acrescenta: "O resultado disso é que nós nem sempre estávamos plenamente de posse dos nossos sentidos".

Para prevenir uma "epidemia de morfinismo, tal como a que ocorreu depois da Primeira Guerra Mundial", o professor Otto Wuth, um sargento professor e consultor em psiquiatria no alto-comando médico do exército, escreveu uma "Proposta para Combater o Morfinismo" em fevereiro de 1941.

O que Wuth estava propondo era que todos os feridos que se tornassem viciados como resultado do tratamento que lhes havia sido ministrado deveriam ser recenseados de maneira centralizada e se apresentar perante o "Conselho Médico Distrital", onde eles seriam ou abastecidos legalmente com morfina, ou passariam por exames de rotina antes de serem enviados para tratamento em centros de reabilitação das drogas.

"Desta maneira", concluía Wuth, "os dependentes de morfina poderiam ser registrados e monitorados, e impediremos os indivíduos deste grupo como um todo de se tornarem criminosos".

As lideranças nazistas mostraram-se mais clementes com aqueles que haviam se tornado dependentes de drogas em conseqüência da guerra do que com os alcoólatras, provavelmente porque a Wehrmacht estava ciente de que ela poderia ser processada por perdas e danos, uma vez que ela era de fato a principal responsável por esta situação, por ter distribuído as drogas em primeiro lugar.

 

Andreas Ulrich
Der Spiegel -10/05/2005
Tradução: Jean-Yves de Neufville

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ATUALIZADO EM 28//06/2016