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  Geografia Geral e do Brasil


QUE DESENVOLVIMENTO QUEREMOS PARA O BRASIL?

Está claro que o país vive um momento revelador das enormes contradições constitutivas de nossos limites e possibilidades – ou das possibilidades contidas nos limites, definição mais adequada. Os desafios estruturais e conjunturais que temos pela frente dependem, e muito, de nós, mas não podemos ignorar o contexto mundial no qual estamos inseridos(as).

Por sinal, o debate sobre desenvolvimento começa a tomar certa centralidade, em grande parte pelo que ocorre e não ocorre no governo Lula. Mesmo que pareça uma retomada do velho desenvolvimentismo, é preciso reconhecer que temos diante de nós um quadro diferente.

Hoje, temos a democracia no centro, além disso, após longo período de luta contra a inflação e o escancaramento da economia brasileira à globalização neoliberal na década de 1990, o que temos para mudar para podermos nos desenvolver é um outro país, uma outra sociedade, uma outra economia, um outro poder estatal.


Embate de forças

O mundo é, de um lado, uma síntese complexa do domínio de mercados e da tecnologia pela lógica da acumulação global das grandes corporações econômico-financeiras – alimentando uma vergonhosa desigualdade e exclusão social e acelerando a destruição ambiental do produtivismo. Há a exacerbação das tensões sociais, culturais e políticas, tendo a xenofobia, o fundamentalismo, a violência e o terrorismo como combustíveis, síntese atravessada pelo unilateralismo e prática imperial da potência militar e econômica, os EUA.

De outro, o mundo tem diante de si o aparecimento e crescimento de forças cidadãs de transformação que contestam a globalização vigente e desencadeiam processos ainda embrionários de construção de outros mundos possíveis. Aqui cabe destacar, entre outros, o movimento socioambiental; os movimentos por justiça global com afirmação da diversidade sociocultural que nos caracteriza, tendo os direitos humanos como referência; os movimentos pela paz e contra a guerra; o feminismo, questionando as estruturas seculares do patriarcalismo e o cotidiano de desigualdades e violências; as várias expressões dos movimentos operário e camponês, construindo novas alianças e coalizões.

Mas o mais importante de tudo é a novidade do encontro e da articulação de todos estes sujeitos – tão diversos em termos sociais e culturais, com diferentes histórias políticas e espalhados pelo mundo – por meio de novos espaços, como o Fórum Social Mundial, e novas formas de ação direta, como as manifestações mundiais coordenadas para o mesmo dia.

Não há relação simétrica entre as forças de conservação da (des)ordem capitalista mundial e de mudança, mas são partes do mesmo mundo e definem o que ele será amanhã. O que importa é pensarmos o Brasil a partir daí. Podemos ter, e de fato temos, visões e avaliações diferentes do que o mundo globalizado e os movimentos que o contestam nos permite. Isto é parte da realidade. O que precisamos é aceitar o debate, participar consciente e ativamente das escolhas.

Infelizmente, o que nos é oferecido de forma avassaladora é uma versão das possibilidades contidas nos limites do que somos como sociedade nacional. O debate sobre o desenvolvimento é como um caminho de via única, ou tomamos ou ficamos para trás. Parece um escândalo questionar o agronegócio e a destruição ambiental. Beira a sandice afirmar que nossas exportações, tão celebradas, são exportações de nossa natureza, comprometedoras da atual e das futuras gerações. Parece uma agressão à soberania nacional assinalar que a conquista de mercados mundiais pelas nossas "competitivas" exportações não deve ser feita em troca de vistas grossas em termos de direitos humanos. Parece idealismo lembrar que integração não é a mesma coisa que zona para a livre atuação das multinacionais brasileiras – elas existem! – e que deve haver uma integração solidária para favorecer o desenvolvimento democrático sustentável. Ser contra Angra III é ser contra o desenvolvimento científico e tecnológico (e militar?) do Brasil? Afinal, por que não olhamos de perto as questões críticas sobre as escolhas nacionais? Por que o outro lado do debate está tão marginalizado?

Penso que temos pela frente a possibilidade de colocar no centro do debate do desenvolvimento as questões dos direitos humanos e da democracia, não como condições institucionais apenas, mas como qualificadoras do próprio modelo de desenvolvimento que queremos para o Brasil. Direitos humanos e democracia – ou seja, a inclusão social, a justiça social, a participação, na diversidade que somos como nação – é a chave para pensar o desenvolvimento democrático sustentável.

Por favor, não se trata de crescer para, depois, lamentar a destruição e exclusão provocadas. Olhemos melhor para o mundo. A via dominante da globalização não é sustentável. Construamos, com ousadia e coragem, outros caminhos. Nisto o Brasil tem mais chance do que muitos países. Basta desencurralar a cidadania e dar vazão à sua energia transformadora. Tal participação é, de longe, mais importante do que os aportes externos em termos de capital e tecnologia.

Cândido Grzybowski
Ibase - 13/05/2005

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ATUALIZADO EM 28//06/2016