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  Geografia Geral e do Brasil

COMO ENFRENTAR O IMPÉRIO?

O Estado mais poderoso da História proclamou, alto e bom som, que pretende governar o mundo pela força, em cuja dimensão ele reina de forma suprema. Além da concessão formal às nobres intenções, acompanhante costumeira da coerção (não significando nada, portanto), seus líderes estão decididos a perseguir sua “ambição imperial”, como é descrito de maneira clara no principal jornal que expressa a política externa do establishment – criticamente, um assunto importante. Eles também declararam que não tolerarão nenhum competidor, agora ou no futuro. Acreditam, evidentemente, que os recursos violentos em suas mãos são tão extraordinários que podem descartar com desprezo qualquer um que apareça em seu caminho. Há bons motivos para acreditar que a guerra com o Iraque tem, parcialmente, como objetivo ensinar ao mundo algumas lições sobre o que acontece quando o império decide dar um golpe – embora “guerra” dificilmente seja o termo apropriado, dada a disparidade das forças.

A doutrina não é inteiramente nova, nem primazia dos Estados Unidos, mas nunca antes foi proclamada com tal arrogância e descaramento – ao menos não por alguém de quem gostaríamos de nos lembrar.

Não tentarei responder à pergunta posta for este fórum: Como confrontar o império. Isto porque a maioria de vocês conhece as respostas tão bem ou melhor do que eu, através de suas próprias vidas e trabalho. O modo de “confrontar o império” é criar um mundo diferente, que não seja baseado na violência e na submissão, no ódio e no medo. Esta é a razão pela qual estamos aqui, e o FSM traz a esperança de que estes sonhos não são em vão.

Tive ontem o raro privilégio de conhecer algumas ações que nos inspiram na luta para atingir esses objetivos, na reunião internacional da Via Campesina em uma comunidade do MST, que eu penso ser o mais importante e emocionante movimento popular do mundo. Com ações locais construtivas como as do MST, e uma organização internacional do tipo mostrado pela Via Campesina e pelo FSM, com compreensão, solidariedade e apoio mútuo, há reais esperanças de um futuro decente.
Eu também passei por outras experiências recentes que mostram um quadro nítido de como pode ser o mundo se a violência imperial não for contida e desmontada. No mês passado eu estive no sudeste da Turquia, cenário de algumas das piores atrocidades dos horrendos anos da década de 1990, e que ainda continuam: poucas horas antes havíamos sido informados de novas atrocidades cometidas pelo exército perto de Diyarbakir, a capital não-oficial da região curda. Durante a década de 90, milhões de pessoas foram expulsas de uma zona rural devastada, dezenas de milhares foram mortas e as formas mais bárbaras de tortura foram cometidas. Eles tentam sobreviver em cavernas fora das muralhas de Diyarbakir, em edifícios condenados, em cortiços miseráveis em Istambul, ou onde quer que consigam encontrar abrigo, proibidos de retornar a suas aldeias a despeito de uma nova legislação que teoricamente permite o retorno. 80% das armas vieram dos Estados Unidos. Clinton enviou à Turquia, somente em 1997, mais armas do que durante todo o período da Guerra Fria somado ao começo da campanha de terror estatal – chamada pelos executores e seus apoiadores de contraterrorismo, como de costume. A Turquia tornou-se o principal destino das armas americanas ã medida em que as atrocidades atingiam o máximo (sem considerar Israel e Egito, uma categoria à parte).

Em 1999 a Turquia cedeu seu lugar à Colômbia. O motivo é que na Turquia o terror de Estado apoiado pelos Estados Unidos havia alcançado um grande sucesso, enquanto que na Colômbia, não. A Colômbia ocupou a posição mais baixa na escala de direitos humanos no hemisfério ocidental nos anos 90, e foi, de longe, quem mais recebeu armas e treinamento militar por parte dos Estados Unidos. Hoje ocupa o primeiro lugar no mundo. Ela também é líder em outras categorias, como por exemplo no assassinato de ativistas sindicais: mais da metade das mortes desses ativistas ocorridas no mundo na década passada aconteceu na Colômbia. Quase meio milhão de pessoas foram expulsas do campo no ano passado, um novo recorde. A população desenraizada é estimada agora em 2,7 milhões de pessoas. Os assassinatos políticos passaram a vinte por dia, o dobro de há cinco anos.

Visitei Cauca, no sul da Colômbia, localidade que ocupou a pior colocação do país em 2001 no que se refere a respeito aos direitos humanos, o que não é pouco. Ouvi horas de testemunhos de camponeses expulsos de suas terras pela guerra química -- chamada “fumigação”, a pretexto de uma “guerra contra a droga” liderada pelos Estados Unidos em que pouca gente acreditava, e que seria obscena mesmo se essa fosse a intenção. Suas vidas e sua terra estão destruídas, as crianças morrem e eles padecem de doenças e ferimentos. A agricultura camponesa é baseada em uma rica tradição de conhecimentos e experiência adquiridos no correr dos séculos, passados em grande parte de mãe para filha.. Embora seja uma conquista admirável, ela é muito frágil, e pode ser destruída no espaço de tempo de uma única geração. O que também está sendo destruído é uma das mais ricas biodiversidades do mundo, similar à das regiões vizinhas do Brasil. Camponeses, indígenas e colombianos de ascendência africana se juntam aos milhões que vivem nos cortiços miseráveis e nos acampamentos. A saída dessa gente permite que as multinacionais cheguem para explorar carvão, petróleo e outros recursos, e para converter o que sobrou da terra em monocultura de exportação, usando sementes produzidas em laboratório em um ambiente dilapidado de suas riquezas e diversidade.

Os cenários de Cauca e do sudeste da Turquia são muito diferentes das comemorações da reunião da Via Campesina na comunidade do MST. Mas a Turquia e a Colômbia nos inspiram e trazem esperança de maneira diferente, devido à coragem e à dedicação de gente que luta por justiça e liberdade, confrontando o império onde ele está matando e destruindo.

Estes são alguns dos sinais do futuro se a “ambição imperial” continuar em seu curso normal, agora acelerado pela grande estratégia global de domínio pela força. Nada disso é inevitável, e entre os bons exemplos para pôr fim a esses crimes estão aqueles que mencionei: o MST, a Via Campesina e o FSM.

No FSM, a gama de assuntos e problemas intensamente discutidos é muito ampla, notavelmente ampla até, mas penso que podemos identificar dois temas principais. Um é a justiça global e a Vida após o Capitalismo – ou, dito de maneira mais simples, a vida, pois não é tão claro que a espécie humana possa sobreviver por muito tempo sob as instituições capitalistas existentes. O segundo tema está ligado ao primeiro: guerra e paz, e, mais especificamente, a guerra contra o Iraque que Washington e Londres – virtualmente sozinhos -- estão desesperadamente tentando iniciar.
Comecemos com algumas boas notícias sobres estes temas básicos. Como vocês sabem, agora mesmo está acontecendo uma conferência do Fórum Econômico Mundial, em Davos. Aqui em Porto Alegre, vive-se um ambiente de esperança, vigor e entusiasmo. Em Davos, conforme relata o New York Times, “o ambiente tornou-se sombrio”. Para os “manda-chuvas” a “era da festa global” passou. De fato, o fundador do fórum admitiu a derrota: “O poder das corporações desapareceu completamente”, disse. Portanto, nós ganhamos. Só o que nos resta fazer é recolher os pedaços – não apenas para falar sobre uma visão de futuro que é justa e humana, mas para caminharmos em direção a sua criação.

É claro, não devemos deixar que isso nos suba à cabeça. Há ainda algumas dificuldades pela frente.

O principal tema do FEM é “Construindo Confiança”. Há uma razão para isso. Os “senhores do universo”, como eles gostavam de se chamar em dias mais exuberantes, sabem que estão em sérias dificuldades. Recentemente soltaram uma pesquisa mostrando que a confiança nos líderes havia diminuído fortemente. Somente os líderes das ONGs tinham a confiança de uma clara maioria, seguidos pela ONU e pelos líderes espirituais e religiosos; após estes vinham os líderes da Europa Ocidental e gerentes da área econômica; abaixo deles os executivos das corporações e, bem abaixo, no fim, os líderes dos Estados Unidos, com um percentual de confiança de mais ou menos 25%. Isto pode significar, virtualmente, confiança nenhuma: quando se pergunta às pessoas se elas confiam ou não em líderes que têm poder, normalmente respondem “Sim”, sem pensar.

E a situação está piorando. Há poucos dias uma pesquisa no Canadá mostrou que mais de 1/3 da população enxerga os Estados Unidos como a maior ameaça à paz mundial. Os Estados Unidos receberam o dobro de votos do Iraque e da Coréia do Norte, e muito mais do que a al-Qaeda. Uma pesquisa, sem parâmetros controláveis, feita pela revista Time revelou que mais de 80% dos que responderam na Europa enxergavam os Estados Unidos como a maior ameaça à paz mundial, comparados com os menos de 10% que apontaram o Iraque ou a Coréia do Norte. Mesmo que estes números estejam errados devido a algum fator substancial, eles são dramáticos.

Sem me alongar mais, os líderes das corporações que pagaram 30.000 dólares para participar das sombrias reuniões em Davos têm bons motivos para escolher “Construindo Confiança” como tema.
A guerra anunciada com o Iraque está contribuindo, sem dúvida alguma, para estas interessantes e importantes mudanças. A oposição à guerra que se verifica não tem nenhum precedente histórico. Ela é tão alta na Europa, que o Secretário de “Defesa” Donald Rumsfeld desprezou a Alemanha e a França como sendo apenas a “velha Europa”, claramente não devendo ser levadas em conta devido a sua desobediência. O “grande número de outros países da Europa [estão] com os Estados Unidos”, garantiu ele aos jornalistas estrangeiros. Esse grande número é a “nova Europa”, simbolizada pela Itália de Berlusconi, que visitará brevemente a Casa Branca, rezando para ser convidado a ser o terceiro dos “três Bs”: Bush-Blair-Berlusconi -- se conseguir escapar à prisão. A Itália está a bordo, nos diz a Casa Branca. Aparentemente, não importa que mais de 80% da população se oponha à guerra, de acordo com pesquisas recentes. Isto apenas mostra que o povo italiano também pertence à “velha Europa”, e pode ser mandado para a lata de lixo da história junto com a França e a Alemanha e outros que não sabem o seu lugar.

A Espanha é saudada como outro proeminente membro da nova Europa – com 75% de sua população oposta à guerra, segundo uma pesquisa internacional do Gallup. De acordo com o principal analista de política internacional da Newsweek, o mesmo vale para a mais promissora parte da nova Europa, os antigos países comunistas, chamados (bem abertamente) a servir aos interesses dos Estados Unidos e a minar os desprezados Estados de bem-estar social e de economia social de mercado da Europa. Ele informa que na Checoslováquia 2/3 da população se opõe à participação na guerra, enquanto que na Polônia apenas ¼ apoiaria uma guerra, mesmo se os inspetores da ONU “provarem que o Iraque possui armas de destruição maciça”. A imprensa polonesa registra 37% de aprovação neste caso, uma taxa ainda extremamente baixa no coração da “nova Europa”.

A nova Europa logo se identificou em uma carta aberta no Wall Street Journal: junto com a Itália, Espanha, Polônia e Checoslováquia -- os líderes, ou seja, não o povo – ela inclui a Dinamarca (com a opinião pública em posição similar à da Alemanha, portanto “velha Europa”), Portugal (53% de oposição à guerra sob quaisquer circunstâncias, 96% opostos à guerra se conduzida unilateralmente pelos EUA e seus aliados), Grã-Bretanha (40% opostos à guerra sob quaisquer circunstâncias, 90% opostos à guerra se conduzida pelos EUA e seus aliados unilateralmente) e Hungria (não há números disponíveis).

Em suma, a emocionante “nova Europa” consiste em alguns líderes que estão querendo desafiar suas populações.

A velha Europa reagiu com uma certa irritação às declarações de Rumsfeld de que eles são “países-problema”, e não Estados modernos. Essa reação foi explicada por solícitos comentadores americanos. Atendo-nos apenas à imprensa americana, nos é dito que os “aliados europeus cansados do mundo” não apreciam a “retidão moral” do Presidente. A evidência dessa “retidão moral” é que “seus conselheiros dizem que o zelo evangélico” vem diretamente do homem simples que está voltado para a eliminação do mal no mundo. Uma vez que esta é seguramente a mais confiável e objetiva evidência que se pode imaginar, seria inapropriado expressar o mais leve ceticismo, para não dizer reagir, como se faria se atitudes semelhantes fossem tomadas por outros. Os cínicos europeus, nos dizem, interpretam mal a pureza d’alma de Bush como “ingenuidade moral” – sem uma única menção ao fato de que os especialistas em relações públicas do Governo devem ter dado uma mão na criação de imagens feitas para vender. Somos informados em seguida de que há uma grande divisão entre a Europa cansada da vida e o “Novo Mundo idealista voltado para o fim da desumanidade”. Sabemos que este é, com certeza, o objetivo que move o Novo Mundo idealista porque assim o proclamam nossos líderes. O que mais alguém pode exigir como prova?

A rara menção da opinião pública na nova Europa é tratada como um problema de marketing; o produto à venda é necessariamente correto e digno de honra, dada sua origem. O desejo dos líderes da nova Europa de preferir Washington a suas próprias populações “ameaça isolar alemães e franceses”, que estão demonstrando tendências democráticas retrógradas, e mostra que a Alemanha e a França não podem “dizer que falam pela Europa”. Elas estão meramente falando pelos povos da velha e da nova Europa, que – os mesmos comentadores reconhecem – expressam “forte oposição” às políticas da nova Europa.

Os pronunciamentos oficiais e as reações a eles são esclarecedores. Eles demonstram com certa clareza o desprezo pela democracia que é bem típico, historicamente, daqueles que acreditam que governam o mundo por direito.

Há muitos outros exemplos. Quando o chanceler alemão Gerard Schroeder ousou ficar ao lado da esmagadora maioria dos eleitores no último pleito, isto foi descrito como uma chocante falha de liderança, um problema sério que a Alemanha precisa superar se quiser ser aceita no mundo civilizado. O problema é dos alemães, não das elites da democracias anglo-americanas. O problema da Alemanha é que “o governo vive com medo dos eleitores, e isto o está levando a cometer erros e mais erros” – segundo o porta-voz do partido de direita União Social Cristã, que compreende a real natureza da democracia.

O caso da Turquia é ainda mais revelador. Como em toda a região, os turcos se opõem fortemente à guerra – aproximadamente 90%, segundo as últimas pesquisas. E até aqui o governo, irresponsavelmente, tem dado alguma atenção ao povo que o elegeu. Não se curvou completamente às intensas pressões e ameaças feitas por Washington para compeli-lo a atender à voz do dono. Esta relutância do governo eleito em seguir ordens de cima prova que seus líderes não são verdadeiros democratas. Para os que são muito lerdos em entender estas sutilezas, elas são explicadas pelo ex-embaixador na Turquia, Morton Abramowitz, hoje um estadista sênior e comentarista. Há dez anos, ele explicou, a Turquia era governada por um verdadeiro democrata, Turgut Ozal, que “ignorou a preferência declarada de seus concidadãos em ficar de fora da Guerra do Golfo”. Mas a democracia declinou na Turquia. O governo atual “está seguindo o povo”, revelando falta de “credenciais democráticas”.

“Lamentavelmente”, ele diz, “não há nenhum Ozal à mão”. Será preciso, assim, trazer a autêntica democracia à Turquia por meio do estrangulamento econômico e outras medidas coercitivas -- o que é uma pena, mas necessário, devido ao que a imprensa local [americana] de elite chama de nosso “anseio pela democracia”.

O Brasil testemunha outro exemplo das reais atitudes em relação à democracia por parte dos senhores do universo. Na eleição mais livre do hemisfério, uma grande maioria optou por políticas que sofrem forte oposição da finança internacional e dos investidores, do FMI e do Departamento do Tesouro americano. Em outra época, este teria sido o sinal para um golpe militar que instauraria um Estado de Segurança Nacional assassino, como aconteceu no Brasil há 40 anos. Desta vez isto não vai funcionar; os povos do Sul e do Norte mudaram, e não aceitarão facilmente tal saída. Além disso, existem hoje maneiras de minar a vontade do povo, graças aos instrumentos neoliberais existentes; controle econômico, fuga de capitais, ataques à moeda, privatização e outros expedientes bem concebidos para reduzir a área de influência da vontade popular. Espera-se que isso force o governo a seguir os ditames do que os economistas internacionais chamam de “parlamento virtual” de investidores e líderes, que tomam as decisões reais, coagindo a população – uma chateação irrelevante, segundo os princípios reinantes de democracia.

Quando eu estava saindo para o aeroporto, fui perguntado mais uma vez pela imprensa sobre o motivo de haver tão poucos protestos contra a guerra nos EUA. As impressões são instrutivas. Na verdade, o protesto nos EUA, como em outros lugares, também alcança níveis que não têm nenhum precedente histórico. Não somente manifestações, teach-ins e outros eventos públicos. Para pegar um exemplo de tipo diferente, na semana passada o Conselho Municipal de Chicago aprovou uma resolução contra a guerra, 46-1, em conjunto com outras 50 cidades. O mesmo acontece em outros setores, incluindo aqueles dos mais oligopolizados, como o FEM constatou consternado: ONGs, personalidades e organizações religiosas, com poucas exceções. Há alguns meses, a maior universidade do país aprovou uma forte resolução contra a guerra – a Universidade do Texas, vizinha do rancho de George W. É fácil seguir com os exemplos.

Assim, como se explica o julgamento generalizado entre as elites de que a tradição de discordância e protesto morreu? Invariavelmente, compara-se com a época do Vietnã, atitude muito reveladora. Acabamos de completar 40 anos do anúncio público de que a administração Kennedy estava enviando a Força Aérea Americana para bombardear o Vietnã do Sul., e que também começava a planejar o envio de milhões de pessoas para campos de concentração e o desenvolvimento de programas de guerra química visando a destruição de plantações. Não havia nenhum pretexto de defesa, exceto no sentido dado pela retórica oficial: defesa contra a “agressão internacional” contra os sul-vietnamitas no Vietnã do Sul por meio de um “ataque de dentro” (presidente Kennedy e seu embaixador na ONU, Adlai Stevenson). O protesto não existia. Ele não alcançou nenhum nível significativo durante muitos anos. Nessa época, centenas de milhares de tropas americanas haviam se juntado ao exército de ocupação, áreas densamente povoadas estavam sendo destruídas por bombardeios de saturação e a agressão tinha se espalhado pelo resto da Indochina. O protesto entre os intelectuais da elite se manteve basicamente em “níveis pragmáticos”: a guerra era um “engano” que estava ficando caro demais para os EUA. Em um claro contraste, no final da década de 1960 a grande maioria do público opunha-se à guerra como “fundamentalmente errada e imoral”, não um “engano”, proporção que se mantém inalterada até hoje.

Hoje, em um dramático contraste com os anos 60, o que existe é um protesto popular baseado em princípios, assumido e em larga escala, em todos os EUA, antes que a guerra tenha oficialmente começado. O fato reflete um forte crescimento, nesse período, da indisposição em tolerar agressões e atrocidades, constituindo-se em uma das muitas mudanças ocorridas -- na realidade, a nível mundial. Isto faz parte do pano de fundo do que está acontecendo em Porto Alegre, e faz parte das razões do humor existente em Davos.

As lideranças políticas estão a par do desenrolar desses acontecimentos. Quando um novo governo [americano] toma posse, ele recebe um relatório da situação mundial preparado pelos serviços de inteligência. Esses relatórios são secretos; ficamos sabendo de seu conteúdo muitos anos depois. Mas quando Bush 1 tomou posse em 1989, uma pequena parte do relatório vazou, um trecho referente a “situações onde os EUA enfrentam inimigos bem mais fracos” -- único tipo de inimigo contra quem se pensa em lutar. Os analistas de inteligência aconselharam que em conflitos com “inimigos bem mais fracos” os EUA devem vencer “decisiva e rapidamente”, ou o apoio popular desaparece. Não é como nos anos 60, quando a população tolerou durante anos uma guerra assassina e destruidora sem protestar de forma visível. Hoje isto não acontece mais. Os movimentos ativistas dos últimos 40 anos tiveram um significativo efeito civilizador. Agora, a única maneira de atacar um inimigo bem mais fraco é desencadeando uma enorme ofensiva de propaganda, caracterizando-o como pronto para um ataque genocida, até mesmo como uma ameaça a nossa própria sobrevivência; comemorar, em seguida, uma vitória miraculosa sobre esse admirável inimigo, ao mesmo tempo em que se erguem loas aos líderes corajosos que vieram nos salvar bem na hora. Este é o cenário atual no Iraque.

As pesquisas revelam mais apoio nos EUA à guerra planejada do que em outros lugares. Mas os números são enganadores. É importante ter em mente que os EUA são o único país além do Iraque onde Saddam Hussein é não apenas insultado como também temido. Há uma torrente propagandística sinistra advertindo de que se não o paramos hoje ele nos destruirá amanhã. A próxima evidência de suas armas de destruição maciça pode ser um “cogumelo atômico” -- como a conselheira de Segurança Nacional Condoleezza Rice anunciou em setembro --, presumivelmente sobre Nova York. Nenhum dos vizinhos do Iraque parece muito preocupado, por mais que odeiem o tirano assassino. Talvez porque saibam que, como resultado das sanções, “a grande maioria da população do país está vivendo há anos com uma dieta próxima à inanição”, como a OMS informou, e que o Iraque é uma dos Estados mais fracos da região: seus gastos econômicos e militares são uma fração dos do Kuwait, que têm 10% da população do Iraque, e muito menores do que os dos Estados vizinhos.

Mas os EUA são diferentes. Quando o Congresso autorizou o presidente a ir à guerra em outubro passado, foi para “defender a segurança nacional dos Estados Unidos contra a ameaça contínua representada pelo Iraque”. Devemos tremer de medo diante dessa formidável ameaça, enquanto os países vizinhos do Iraque buscam reintegrá-lo à região, incluindo aqueles que foram atacados por Saddam Hussein quando ele era amigo e aliado dos que agora comandam o show em Washington -- e que prazerosamente lhe forneceram-lhe, incluindo os meios para desenvolver armas de destruição maciça, num momento em que ele era de longe mais perigoso do que é hoje, e já tinha cometido com certeza seus piores crimes.

Para se medir de maneira séria o apoio à guerra nos EUA seria necessário separar esse “fator medo”, que é genuíno e aplicável apenas aos EUA. O que restasse daria uma medida mais realista do apoio à violência, e mostraria, penso, que ele é mais ou menos o mesmo que em outros lugares.
É também de se admirar que a forte oposição à guerra em preparação atinja o centro do establishment. Os temas correntes das seções de política internacional dos dois maiores jornais apresentam artigos contra a guerra escritos por figuras proeminentes da elite ligada à política externa. A muito respeitável Academia Americana de Artes e Ciências fez circular uma longa análise sobre a guerra, tentando apresentar um balanço o mais compreensivo possível da posição da administração Bush, desmontando-o a seguir ponto por ponto. Um respeitável analista citado nesse texto é um associado sênior da Fundação Carnegie para a Paz Internacional, que adverte que os EUA estão se tornando “uma ameaça a si mesmos e à humanidade” sob o atual governo. Uma declaração desse tipo não tem nenhum precedente.

Devemos reconhecer que essas críticas são estreitas. Elas se preocupam com as ameaças aos EUA e a seus aliados. Elas não levam em conta os prováveis efeitos sobre os iraquianos: as advertências da ONU e de agências internacionais de ajuda de que milhões de pessoas podem correr sério risco em um país que mal consegue sobreviver após uma guerra que atingiu sua infraestrura básica -- que chega à guerra biológica -- e uma década de sanções devastadoras que mataram centenas de milhares de pessoas e que impediu qualquer tipo de reconstrução, ao mesmo tempo em que fortaleceu o brutal tirano que governa o Iraque. É interessante, também, que as críticas nem ao menos se preocupam em mencionar a arrogante retórica sobre democratização e libertação. Presumivelmente, os críticos assumem que a retórica destina-se a intelectuais e editorialistas -- de quem não se espera que chamem a atenção para o fato de que o impulso para a guerra é acompanhado por uma dramática demonstração de ódio à democracia, do mesmo modo como se espera que eles esqueçam a história daqueles que estão à frente da campanha. Eis porque também nada disso jamais é trazido à ONU.

Contudo, as ameaças que realmente preocupam os críticos do establishment são bem reais. Eles com certeza não ficaram surpresos quando a CIA informou ao Congresso em outubro passado que não sabia de nenhuma ligação entre o Iraque e o terrorismo da al-Qaeda, mas que um ataque ao Iraque provavelmente aumentaria a ameaça terrorista ao Ocidente de diversas maneiras. Ela provavelmente levará uma nova geração de terroristas a se vingar, e pode induzir o Iraque a levar a cabo ações terroristas que já estão em preparação, possibilidade seriamente considerada por analistas americanos. Uma equipe de alto nível do Conselho de Relações Exteriores acaba de soltar um relatório advertindo sobre prováveis ataques terroristas que poderiam ser muito piores do que o de 11/9, incluindo o uso de armas de destruição maciça dentro mesmo dos EUA, perigos cuja consideração se torna “mais urgente pela probabilidade de os EUA entrarem em guerra com o Iraque”. Eles apresentam uma série de exemplos, virtualmente um manual para terroristas. Não é o primeiro; outros similares foram publicados por eminentes analistas estratégicos muito antes de 11/9.

Subentende-se também que um ataque ao Iraque pode não apenas levar a mais terror, mas também à proliferação de armas de destruição maciça, por uma razão simples: os alvos potenciais dos EUA reconhecem que não há nenhum outro modo de deter o mais poderoso Estado da História, que está perseguindo a “Ambição Imperial da América”, acarretando sério risco aos EUA e ao mundo, segundo adverte o autor na mais importante publicação do establishment, Foreign Affairs. Falcões de peso avisam que uma guerra no Iraque pode levar ao “maior desastre da História”. Eles sabem que, se o Iraque tem armas químicas e biológicas, seu ditador as mantém sob estrito controle. Avaliam, além disso, que, exceto como último recurso -- se atacado --, é pouco provável que o Iraque use qualquer arma de destruição maciça que possua, o que seria um convite a sua total aniquilação. E também é pouco provável que as forneça aos Osama Bin Laden do mundo, o que seria uma terrível ameaça ao próprio Saddam Hussein, para não falar da reação caso haja a menor hipótese de que isso ocorra. Se atacado, porém, o país entraria em colapso, incluindo o controle sobre as armas de destruição maciça. Elas seriam “privatizadas”, ressaltam os especialistas em terrorismo, e oferecidas ao enorme “mercado de armas não-convencionais, onde não teriam nenhum problema em encontrar compradores”. Este é, efetivamente, um “cenário de pesadelo”, exatamente como os falcões advertem.

Mesmo antes de o governo Bush começar a soar os tambores da guerra contra o Iraque, houve várias advertências de que seu modo aventureiro estava levando à proliferação das armas de destruição maciça, assim como do terror, simplesmente como reação para fazer frente à agressão. Agora mesmo, o que Washington passa ao mundo é uma mensagem muito perigosa e arriscada: se vocês querem se defender de nós, o melhor a fazer é imitar a Coréia do Norte e apresentar-se como uma ameaça militar convincente, incluindo armas de destruição maciça. Caso contrário, os destruiremos em nossa busca da nova “grande estratégia”, que tem causado calafrios não apenas entre as vítimas de sempre -- além da “velha Europa” --, como também no âmago da elite ligada à política exterior americana, a qual reconhece que o “compromisso dos EUA com confrontos militares para obter uma vantagem nacional decisiva vai tornar o mundo mais perigoso e os EUA menos seguros” -- segundo, novamente, as palavras de respeitados analistas em jornais da elite.
Evidentemente, o provável crescimento do terror e da proliferação de armas de destruição maciça preocupa pouco os estrategistas de Washington, no contexto de suas verdadeiras prioridades. Não é difícil aventar as razões desse comportamento, embora não seja uma tarefa agradável.

A natureza das ameaças foi dramaticamente destacada em outubro passado, durante o encontro de cúpula ligado ao 40O. aniversário da crise dos mísseis cubanos, ao qual compareceram representantes-chave da Rússia, EUA e Cuba.

Os estrategistas sabiam, à época, que eles tinham o destino do mundo em suas mãos, mas as novas revelações trazidas a público na cúpula de Havana foram verdadeiramente surpreendentes. Ficou-se sabendo que o mundo fora salvo da destruição nuclear por um capitão de submarino russo, Vasily Arkhipov, que bloqueou uma ordem de lançar mísseis nucleares quando os submarinos russos foram atacados por destróieres americanos perto da “zona de quarentena” de Kennedy. Caso Arkhipov tivesse cumprido a ordem, seu ato teria deflagrado um processo de retaliação mútua que poderia ter “destruído o hemisfério norte”, como Eisenhower havia advertido.

Essa terrível revelação vem no momento certo, devido às circunstâncias que vivemos: as raízes da crise dos mísseis estão no terrorismo internacional que visava uma “mudança de regime”, dois conceitos muito em voga hoje em dia. Os ataques terroristas dos EUA contra Cuba começaram logo depois que Castro tomou o poder e passaram por uma escalada radical com Kennedy, levando a um compreensível temor de invasão, como Robert McNamara reconheceu. Kennedy retomou a guerra terrorista imediatamente após o término da crise; as ações terroristas contra Cuba, baseadas nos EUA, diminuíram no final da década de 70 e continuaram 20 anos mais tarde. Deixando de lado qualquer julgamento sobre o comportamento dos participantes na crise dos mísseis, as novas revelações demonstram claramente os riscos terríveis e não previstos em atacar um “inimigo bem mais fraco” visando uma “mudança de regime” -- sem exagero, riscos à sobrevivência.

Quanto ao destino do povo iraquiano, ninguém pode assegurar nada: nem a CIA, nem Donald Rumsfeld, nem os que se declaram experts sobre o Iraque, ninguém. As possibilidades vão das previsões terríveis para as quais as agências de ajuda estão se preparando, aos deliciosos contos da carochinha escritos pelos relações-públicas do governo e suas equipes. Nunca se sabe. São estas algumas das razões por que seres humanos decentes não admitem a ameaça ou o uso da violência, seja na vida pessoal ou nos assuntos internacionais, a menos que se tenha motivos de força maior. E, com certeza, nada remotamente parecido tem sido apresentado na atual situação, motivo pelo qual a oposição aos planos de Washington e Londres atingiu tal escala e intensidade.
O timing da campanha de propaganda de Washington e Londres foi tão transparente que ele também tem sido tema de discussão, às vezes ridícula, bem no meio do assunto principal. A campanha começou em setembro do ano passado. Até então, Saddam era um sujeito terrível, mas não uma ameaça iminente à sobrevivência dos EUA. O “cogumelo atômico” foi anunciado no começo de setembro. Desde então, o medo de que Saddam venha a atacar os EUA espalhou-se por 60-70% da população. “A urgência desesperada em agir rapidamente contra o Iraque, que Bush manifestou em outubro, não transparecia de nada do que ele havia dito dois meses antes”, observou o analista político chefe da United Press International, levando à conclusão óbvia: setembro marcou a abertura da campanha política para as eleições do Congresso que ocorrem no meio de mandato. O governo, continua ele, estava “em campanha para sustentar e aumentar seu poder por meio de uma política internacional aventureira, de novas estratégias militares radicais preventivas, e buscava sequiosamente um confronto com o Iraque politicamente conveniente e perfeitamente sincronizado”. Enquanto as questões domésticas ficaram em primeiro plano, Bush e sua turma perdiam terreno -- o que é fácil de entender, uma vez que o que fazem constitui-se em uma agressão grave à população em geral. “Mas, vejam só! Embora não tenha havido nenhum ataque terrorista nem indicações confiáveis de ameaça iminente, desde o começo de setembro as questões ligadas à segurança nacional passaram a dirigir o barco” -- não apenas a al-Qaeda, mas um aterrorizante e ameaçador poder militar, o Iraque.

As mesmas observações têm sido feitas por muitas outras pessoas, o que é conveniente para gente como nós: basta reproduzir o que diz o noticiário geral, ao invés de formular análises controversas. O membro da Fundação Carnegie que eu citei antes escreve que Bush e Cia. seguem “a estratégia clássica moderna das oligarquias de direita ameaçadas, que é desviar as massas descontentes para o nacionalismo”, influenciadas pelo medo de inimigos que estão prestes a nos destruir. Essa estratégia é de crucial importância se a política dos “nacionalistas radicais” posta em prática em Washington pretende fazer avançar seu plano anunciado de “dominação unilateral do mundo por meio de uma superioridade militar absoluta”, enquanto leva a cabo um amplo ataque aos interesses da vasta maioria da população do país.

No que se refere às eleições, a estratégia funcionou, pouco. A eleição do outono de 2002 foi ganha por um pequeno número de votos, suficientes entretanto para dar maioria ao executivo no Congresso. As análises da eleição mostraram que os eleitores se mantiveram contrários ao governo em assuntos econômicos e sociais, mas trocaram esses temas pelas preocupações quanto à segurança, o que claramente leva a apoiar a figura que representa a autoridade -- o bravo caubói que, bem na hora, virá a galope nos salvar.

Como a História mostra, é muito fácil para líderes inescrupulosos aterrorizar a população, com conseqüências desagradáveis. Este é o método tradicional para desviar a atenção do fato de que os cortes de impostos dos ricos e outros estratagemas estão destruindo as possibilidades de uma vida decente para a grande maioria da população e para as gerações futuras. Quando a campanha presidencial começar, os estrategistas republicanos com certeza não querem ver as pessoas fazendo perguntas sobre aposentadoria, emprego, seguro-saúde e outros assuntos semelhantes.
Pelo contrário, elas deverão estar homenageando o líder heróico que as salvou de uma destruição iminente por um inimigo dotado de poder descomunal, e marchando para enfrentar a próxima força poderosa que deseja nossa destruição. Poderia ser o Irã, ou conflitos nos países andinos: há um monte de boas opções, desde que os alvos sejam indefesos.

Estas idéias são uma segunda natureza dos atuais líderes, a maioria deles reciclados do governo Reagan. Eles re-encenam um roteiro familiar: leve o país ao déficit de forma a desmontar os programas sociais, declare uma “guerra ao terror” (como fizeram em 1981) e invoque um demônio após outro para aterrorizar a população e levá-la à obediência. Nos anos 80 eram os assassinos líbios vagando pelas ruas de Washington para assassinar nosso líder; depois foi o exército nicaragüense, a dois dias de marcha do Texas, uma ameaça tão séria a nossa sobrevivência que Reagan teve de declarar estado de emergência nacional. Ou um campo de pouso em Granada que os russos iriam usar para nos bombardear (se o conseguissem localizar no mapa); terroristas árabes indo atrás de americanos em todo lado para matar, enquanto Gadafi planejava “arrancar a América do mundo”, conforme se lamentava Reagan. Ou narcotraficantes hispânicos buscando destruir a juventude; e mais, e mais.

Enquanto isso, o que os líderes fizeram foi levar a cabo políticas domésticas que em geral tiveram parcos resultados econômicos, mas que em verdade enriqueceram a poucos enquanto prejudicaram a grande maioria da população -- o roteiro que vem sendo seguido mais uma vez. E uma vez que o público sabe disso, eles têm que recorrer à “estratégia clássica moderna de uma oligarquia de direita em perigo” se esperam executar os programas doméstico e internacional com os quais estão comprometidos, talvez mesmo os institucionalizando, de modo que seja difícil desmontá-los quando perderem o poder.

Há, é claro, muito mais em questão do que considerações domésticas -- que não têm pouca importância em si mesmas. As atrocidades terroristas de 11 de setembro serviram como uma oportunidade e um pretexto para pôr em prática os planos de longo prazo de controle das imensas riquezas petrolíferas do Iraque, componente central dos recursos do Golfo Pérsico que o Departamento de Estado descreveu, em 1945, como “uma estupenda fonte de poder estratégico e uma das maiores presas materiais da História”. Os serviços de inteligência dos EUA prevêem que esses recursos terão um significado ainda maior nos anos vindouros. A questão nunca foi acesso. Essas mesmas análises antecipam que os EUA vão contar com fornecimento mais seguro no hemisfério ocidental e na África Ocidental. O mesmo aconteceu após a Segunda Guerra Mundial. O que importa é o controle da “presa material”, o que canaliza, de diversas formas, enormes riquezas para os EUA -- bem como para a Grã-Bretanha --, e a “estupenda fonte de poder estratégico”, que se constitui em uma alavanca da “dominação mundial unilateral” -- objetivo que está agora abertamente proclamado, e que aterroriza grande parte do mundo, incluindo a “velha Europa” e o establishment conservador dos EUA.

Penso que um olhar realista sobre o mundo retrata um quadro confuso. Há muitos motivos para nos encorajarmos, mas há um difícil e longo caminho pela frente.

Noam Chomsky
Ação Cidadania contra a fome, a miséria e pela vida
(Tradução de Fernando Santos)

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ATUALIZADO EM 28//06/2016